As voltas do tango

O final do tango é o apogeu arrebatado, onde o par se reúne e junta os passos. E claro, o final em que ambos se apresentam de mãos dadas será a aprovação do orçamento de estado.

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O final do tango é o apogeu arrebatado, onde o par se reúne e junta os passos. E claro, o final em que ambos se apresentam de mãos dadas será a aprovação do orçamento de estado.

José Sócrates anunciou ter encontrado o parceiro ideal - Pedro Passos Coelho - e até indicou a dança: seria o tango. E a escolha do estilo foi tão certeira, que tivemos dificuldade em compreender o completo alcance da opção. Na verdade, o tango é uma dança apaixonada, arrebatadora, onde o par se abraça e se empurra, se aproxima e se afasta, mas, no final, acaba sempre de mão dada. Assim acontece na dança do bloco central.

A abertura da dança foi apaixonada, com o par juntinho percorrendo o salão. E veio o PEC 1, o PEC 2 e as promessas de amor foram para lá de 2011. Os excessos foram tais que Passos Coelho até corou e pediu desculpa ao país por tamanha descaradeza. Depois chegou o Verão e o calor afastou os pombinhos, cada qual chamando a atenção no seu lado da pista. Tudo muito bem ensaiado, para que a coreografia saísse na perfeição. Passos Coelho apresentou o projecto de revisão constitucional, Sócrates disse que era socialista, e a música foi seguindo, tentando entreter a assistência. Continuou arrebatadora, como tango tem de ser, com Sócrates insistindo ser socialista e virando costas a Passos Coelho; e este insistindo não lhe ligar, levantando alto o voto contra no orçamento. E se um dizia sim, o outro dizia não; se um se dizia chantageado, o outro dizia não ceder a ameaças.

O final do tango é o apogeu arrebatado, onde o par se reúne e junta os passos. É a isso que assistimos, com o PSD a dizer que a revisão constitucional já não é como era, e José Sócrates a mostrar que nem tem grande respeito pelo Serviço Nacional de Saúde, criando mais parcerias público-privadas. E claro, o final em que ambos se apresentam de mãos dadas será a aprovação do orçamento de estado.

É certo que não foi precisa grande dose de imaginação para perceber da inevitabilidade do acordo do bloco central. Afinal de contas, já estava anunciado desde o início da dança. É como ouvir José Sócrates dizer-se socialista: mal volta costas, já se esqueceu o que isso significa.


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