Uma trapalhada kafkiana no IEFP

Em dezembro, o IEFP despediu 214 pessoas. Desde então, recusou-se a pagar a indemnização, alterou o contrato, decidiu que as tinha despedido dias antes do tempo e por isso as pessoas correm o risco de ficar com o subsídio de desemprego cortado.

Em dezembro, o IEFP despediu 214 pessoas. Desde então, recusou-se a pagar a indemnização, alterou o contrato, decidiu que as tinha despedido dias antes do tempo e por isso as pessoas correm o risco de ficar com o subsídio de desemprego cortado.

Desde que tomou posse o governo CDS/PSD tem vindo a empreender uma possante marcha contra os direitos de quem trabalha. Um exemplo significativo desta política de má-fé e roubo despudorado de direitos encontra-se consubstanciada nos sucessivos comportamentos que o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) tem vindo a implementar junto das 214 pessoas que despediu em dezembro.

Estas pessoas foram contratadas (na sua esmagadora maioria) no dia 29 de dezembro de 2008, com um contrato a termo incerto por um período máximo de três anos. Ou seja, o IEFP poderia despedi-las quando entendesse até ao dia 29 de dezembro de 2011. A esmagadora maioria destas pessoas trabalhava já há anos no IEFP a falsos recibos verdes e este concurso (que muito se deve ao Bloco de Esquerda) permitiu regularizar parcialmente uma situação de profunda injustiça laboral à qual estavam sujeitas.

Em outubro de 2011, foi-lhes comunicado que o contrato a termo resolutivo incerto iria cessar sendo o último dia de trabalho 28 de dezembro.

No entanto, as/os trabalhadoras/es receberam a documentação para se poderem inscrever como desempregadas/os no IEFP, mas não receberam de imediato a compensação por caducidade do contrato de trabalho, como seria de esperar. Após adiamentos sucessivos, a resposta chegou em meados de janeiro: o Governo tinha decidido unilateralmente que os contratos eram a termo certo (!) e que por isso não tinha que pagar compensação por caducidade de contrato (!!).

Várias queixas foram apresentadas ao Provedor de Justiça que concluiu que a argumentação do Governo “não só reduz a uma expressão residual o direito à compensação legalmente consagrado (…) conduzindo a uma total desproteção do trabalhador (como também) ignora o fim subjacente à consagração daquela norma e subverte a intenção do legislador ao deixar sem tutela situações que este quis acautelar."

Entretanto, não contente com tanta trapalhada, o Governo decidiu em março revogar parte da notificação de outubro de 2011, comunicando aos trabalhadoras/es que as/os tinha despedido antes do tempo. Isto porque o Governo decidiu em janeiro que os contratos eram a termo certo e nessas circunstâncias, supostamente as/os trabalhadoras/es só poderiam ser despedidas/os 3 anos após a assinatura do contrato e não em 28 de dezembro de 2012.

Esta bizarra decisão fez com quem, em 20 de abril de 2012, estas pessoas recebessem o pagamento referente aos dias que supostamente deveriam ter trabalhado até perfazer os três anos. Mas estas pessoas não trabalharam esses dias! Aliás, no dia 29 de dezembro a esmagadora maioria foi ao IEFP, o mesmo local onde trabalhava no dia anterior, inscrever-se como desempregada.

Todavia, estas pessoas correm agora o risco de terem o subsídio de desemprego cortado uma vez que entrará nos serviços da Segurança Social a indicação de que trabalharam em dias em que estavam já a receber o subsídio de desemprego. E terão que conseguir explicar esta trapalhada kafkiana à Segurança Social o que, como se compreende, não é fácil!

Esta situação é elucidativa da política deste Governo: por um lado, demonstra o desprezo pelos serviços públicos de apoio às/aos desempregadas/os, esvaziando-os de técnicos quando o desemprego atinge máximos históricos acima dos 15% e reduzindo cada vez mais as suas funções à fiscalização de pessoas.

Por outro lado, demonstra uma faceta muito perversa deste Governo que é o consciente e deliberado ataque aos direitos de quem trabalha: o Governo sabe que tem que pagar indemnizações a estas 214 pessoas mas opta conscientemente por desrespeitar a lei obrigando as/os trabalhadoras/es a irem para tribunal para poderem receber a compensação a que têm direito.

O que dizer quando o próprio Estado, através deste Governo, empreende estas ações pútridas junto das/os suas/seus trabalhadoras/es? No mínimo, é kafkiano…


Comentários

Caro Lizard:

A situação das/os formadoras/es do IEFP tem vindo a ser sucessivamente denunciada pelo Bloco de Esquerda como poderá constatar nos links abaixo disponibilizados.

http://www.esquerda.net/artigo/mais-de-1000-despedimentos-no-iefp

http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalhePerguntaRe...

http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalhePerguntaRe...

Com os melhores cumprimentos;

Cristina Andrade

Entretanto, o IEFP dispensou mais 900 pessoas que ficaram sem emprego, sem direito a compensações ou sequer subsídio de desemprego porque eram falsos recibos verdes. Mas não falemos deles, falemos apenas dos outros.

Submeter um novo comentário

A privacidade deste campo é garantida e o seu conteúdo não será exibido.

  • Web page addresses and e-mail addresses turn into links automatically.
  • Allowed HTML tags: <a> <em> <p> <br> <b> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd> <img> <hr> <i> <border> <embed> <a href> <sup> <img style> <table> <tbody> <tr> <td><div><!--break-->
  • You may embed videos from the following providers . Just add the video URL to your textarea in the place where you would like the video to appear, i.e. http://www.youtube.com/watch?v=pw0jmvdh.
  • Lines and paragraphs break automatically.
  • Insert Flickr images: [flickr-photo:id=230452326,size=s] or [flickr-photoset:id=72157594262419167,size=m].
  • You may use <swf file="song.mp3"> to display Flash files inline
  • Add tooltips to text. Usage [tip:Text to highlight=The tooltip's content]

More information about formatting options

CAPTCHA
Esta questão é necessária para evitar a acção dos robots usados pelos spammers
Image CAPTCHA
Tenha em atenção as letras maiúsculas e minúsculas