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Privatizar é a palavra de ordem

O Governo vem com o objectivo de privatizar tudo o que dê lucro, nacionalizar os prejuízos bancários bem como os nossos salários.

O Governo que a maioria dos portugueses quiseram (os que votaram neles e os que pura e simplesmente não votaram), no seguimento do acordo com a Troika, vai levar ao Parlamento no dia 22 para discussão, a alteração das leis laborais acordadas na Concertação Social entre as associações patronais, o Governo Sócrates e a UGT e quer votá-las no dia 28 do mesmo mês, com ou sem discussão pública, ou fazer a discussão pública durante o mês de Agosto, tradicionalmente mês de Férias.

Pretende o Governo Passos Coelho, segundo declarações do próprio e de vários dos seus Ministros, ir mais longe que a Troika também no campo laboral, com o objectivo de aumentar a competitividade, a produtividade e o emprego.

Vão impingir-nos tudo isto com afirmações de que a redução nas indemnizações por despedimento, leva ao aumento da competitividade, produtividade e emprego, como se despedir ou substituir trabalhadores aumentasse qualquer destes vectores.

Na verdade, o que fará aumentar a competitividade, será o aumento da formação para uma melhor polivalência laboral, aumentar dos salários, estimular a Contratação Colectiva ao nível nacional e de empresa e um salário mínimo que deixe de ser um mini salário, reduzir os custos energéticos e preços logísticos para as empresas que se associem no transporte de mercadorias e de matérias primas, desenvolver o transporte por via ferroviária e marítima.

Mas por aqui este Governo não vai, sempre disseram ao que vinham, e vêm com o objectivo de privatizar tudo o que dê lucro, nacionalizar os prejuízos bancários bem como os nossos salários, veja-se a intervenção do Ministro das Finanças no passado dia 14.

Falou com tal convicção e despudor, que fez lembrar Salazar no discurso da tomada de posse no cargo de Ministro das Finanças, dizia o ditador nessa altura:

“…Eu o elucidarei (referindo-se ao Povo), sobre o caminho que penso trilhar…)

Seguiu-se a revelação da maneira como pretende nacionalizar 50% do excedente do salário mínimo no subsídio de Natal, fê-lo com tal arrogância que me veio de novo à ideia as palavras de Salazar, no mesmo discurso, dizia o ditador.

“…. No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar…”

É aqui que como representantes dos trabalhadores temos que fazer a diferença, não podemos continuar a representar, a reclamar e a obedecer perante este novo PREC, (Período Reaccionário Em Curso), temos que estudar as lutas dos Trabalhadores que resultaram na Grécia e na Irlanda, temos que ganhar os jovens estudantes, os precários, os desempregados e os pequenos e médios comerciantes para as lutas, (eles também vão ser vítimas da nacionalização de parte do nosso subsídio de Natal).

Todos temos direito à indignação, à greve, à manifestação e à resistência conforme consagrado na Constituição.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Coordenador da CT da Volkswagen AutoEuropa. Deputado municipal no concelho da Moita.

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