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O vampirismo político dos comentadores

Os últimos tempos são férteis neste vampirismo político dos nossos comentadores que mesmo quando se enganam são incapazes de se emendar.

Os comentadores da política não se distinguem dos seus colegas do futebol. Estes, perante as dificuldades de um equipa, só se preocupam em saber se há ou não chicotada para correr com o treinador. Os da política seguem igualmente o cheiro do sangue. E aqui sangue significa correr com a esquerda.

Os últimos tempos são férteis neste vampirismo político dos nossos comentadores que mesmo quando se enganam são incapazes de se emendar. São auto-convencidos e a realidade para estas inteligências é apenas um pormenor destinado a ser manipulada por eles.

Após as recentes eleições autárquicas, anunciaram em uníssono a crise e o fim da “geringonça” e, por arrasto, a queda do governo. E, claro, o OE para 2018 esperaria por melhores dias. Como hoje todos sabemos, nada disto aconteceu nem vai acontecer.

E, mais recentemente, perante a tragédia e os dramas humanos provocados pelos terríveis incêndios, anunciam mais uma vez o fim da geringonça e a queda do governo, seja por que perdeu a confiança do presidente Marcelo, seja por que acabou o estado de graça de António Costa ou, ainda, por que o povo português, em modo de maioria silenciosa, se mobilizará até conseguir demitir quem (des)governa o país.

Já para não falar nos que, com muita intriga à mistura, esperavam e desejavam que PCP ou BE votassem favoravelmente a moção de censura do CDS.

E, já agora, há ainda os que profetizam o fracasso das decisões e medidas que o governo se prepara para aprovar no sábado, como é o caso de David Dinis, o campeão dos editoriais anti-governo.

Alcançada a demissão da ministra, o alvo agora é o primeiro ministro e o governo. E os partidos que o apoiam no Parlamento.

Julgo que, como tem sempre acontecido, estão novamente enganados e que a realidade da nossa vida política não se vai moldar aos seus desejos.

Artigo publicado na página de João Semedo no facebook

 

Sobre o/a autor(a)

Médico. Aderente do Bloco de Esquerda.

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