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O universo da credibilidade

Este é Partido Socialista ora é a favor da troika mas contra o governo, ora contra a austeridade mas a favor da troika.

Sabemos do discurso de campanha para a liderança do Partido Socialista que António José Seguro tinha convicções, tinha ambição e tinha ideias. Palavras do próprio. Não chegou nunca a dizer quais ou de que cor mas a força com que o dizia era indesmentível. E foi também com convicção que agora nos explicou que estava contra a austeridade e contra o governo e, por isso, se absteria no orçamento. Faz todo o sentido. Este é o Partido Socialista que ora é a favor da troika mas contra o governo, ora contra a austeridade mas a favor da troika. E por isso, chegado o momento de dar um sinal claro de que é preciso outro caminho, com uma greve geral anunciada, uma greve que exige a união de todos os sectores da sociedade, incluindo a família socialista, em que a única maneira de conseguir bloquear mais austeridade é não só uma larga maioria social mas também política e partidária, onde a precipitação dos tempos faz implodir o centro político e torna claro o que é esquerda e o que é de direita, a direcção Socialista decidiu ficar à parte. É uma decisão trágica, primeiro porque a Esquerda novamente não pode contar com o Partido Socialista, e isso é mau, a contestação sairia fortalecida dessa clarificação. Mas é mau também para António José Seguro, porque se é claro que a direcção socialista se recusa a enfrentar os seus fantasmas é ainda mais claro que se recusa a ouvir a sua base de apoio popular. Significa isto uma total incapacidade em enfrentar com realismo os tempos que vivemos. É não perceber que deixou de haver espaço para o calculismo, o eleitorialismo ou as negociatas de bastidores, ou se se está com a alternativa ou com a austeridade, preto no branco. Uma posição mais ou menos, a de Seguro, serve apenas para fortalecer a hegemonia da inevitabilidade.

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Programador cultural.

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