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O fim da social-democracia

A grande questão reside precisamente na mais estúpida e gananciosa aliança estabelecida entre as burguesias dos países centrais e as dos periféricos.

Economistas de pendor Keynesiano reunidos na Faculdade de Economia de Coimbra, incluindo especialistas alemães, sugeriram algumas medidas da mais elementar veia social-democrata: emissão de eurobonds, papel do BCE como estimulador do crescimento económico e não como super-polícia da austeridade e, mais importante ainda, políticas de redistribuição dentro da zona euro, onde alguns países acumulam excedentes (Alemanha, Holanda, Luxemburgo, entre outros) em favor dos periféricos, o que se poderia traduzir em fluxos de investimento dos primeiros nestes últimos.

Ora, a grande questão reside precisamente na mais estúpida e gananciosa aliança estabelecida entre as burguesias dos países centrais e as dos periféricos. As primeiras, alimentando uma deriva moral e punitiva, consagram a “regra de ouro” que lhes permite acumular ainda mais numa relação desigual; as segundas, cavalgam a crise para implementar velhos sonhos de liberalização com privatizações selvagens, redução abrupta de salários, destruição da relação laboral e esvaziamento drástico do estado social. Umas e outras, contudo, vivem da obsessão da acumulação imediata e estão a gerar um monstro que se voltará contra si. As burguesias nacionais, historicamente subalternas, rejubilam com esta oportunidade de subverter o 25 de Abril com um golpe de estado silencioso e prolongado no tempo. Pode a austeridade destruir o país, desde que a sua renda seja assegurada, o que exige a subserviência a Berlim. O governo PSD-CDS assemelha-se a um conjunto de capatazes mal disfarçados de tecnocratas.

O mais surreal desta conjuntura é engolirem o PS de supetão. Não tenhamos ilusões: o PS abdica de ser oposição e enterra a social-democracia (já onde vai o “socialismo”!).

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, sociólogo, professor universitário

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