Nunca foi tão decisivo decidir

A chantagem em curso pretende transformar as eleições numa ratificação tranquila de uma política decidida contra as pessoas e nas suas costas. Mas terá de ser assim?

A chantagem em curso pretende transformar as eleições numa ratificação tranquila de uma política decidida contra as pessoas e nas suas costas. Mas terá de ser assim?

As eleições do próximo domingo realizam-se perante uma ofensiva tremenda. Os três partidos da troika, enquanto lutam ferozmente para medir forças entre si, apresentam um único programa eleitoral. A fidelidade ao seu memorando com o FMI já não se diz, sabe-se: PS, PSD e CDS entenderam-se no essencial, por isso podem e querem simular tantas diferenças numa campanha cujo único sentido é a disputa pelo reinado da austeridade.

Propõem-nos uma democracia manca, assente num tripé obediente à política dos poderosos. É o sonho da ditadura dos mercados e dos interesses: tudo é radicalmente inevitável, tudo está decidido porque não pode ser de outra forma.

Esta política precisa e apela à desistência. Querem-nos batidos pela brutalidade dum futuro sempre pior, resignados à lei do mais forte. Sabem que cresce o desespero, mas confiam na desilusão sossegada das vítimas da crise e esperam apoio para a consagração da inevitabilidade como forma de governar.

Chamam-nos para a legitimação do arco do FMI, do seu empréstimo à margem da democracia e das suas condições ilegítimas. A chantagem em curso pretende transformar as eleições numa ratificação tranquila de uma política decidida contra as pessoas e nas suas costas.

Mas terá de ser assim? Será obrigatório para quem ainda tem emprego aceitar uma economia que decreta a eliminação de centenas de milhar de postos de trabalho? Será que os desempregados só podem esperar ficar entregues à sua sorte e sem apoio? Será que os precários terão de se conformar com os falsos recibos verdes, com o negócio infame das empresas de trabalho temporário ou com o horizonte da eterna contratação a prazo? Será que o conjunto da população está destinada a assistir à destruição dos serviços públicos e à delapidação da Segurança Social?

Para lá da torrente comunicacional que nos tenta convencer do contrário, há muitas questões fundamentais que precisam de respostas e têm alternativas. Na verdade, para a maioria das pessoas que vão votar no próximo domingo nunca terá sido tão decisivo decidir. Em nome de todos e de cada um de nós. Sim, porque ainda vamos a tempo de mudar o futuro.


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