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A escola que queremos

Temos uma escola que fabrica trabalhadores em vez de pensadores, que se comporta como uma linha de montagem de mão-de-obra de que Ford se envergonharia.

Importa a uma esquerda como a nossa, anticapitalista, disputar com a direita o conceito de escola e os propósitos com que esta deve funcionar.
Entendo que a escola é, acima de tudo, uma forma de emancipação coletiva e individual do ser humano. Entendo que a escola não deve reproduzir a sociedade nem as injustiças e desigualdades que vemos nela. A escola não serve para avaliar nem para competir, a escola serve para aprender – é esta a premissa fundamental.

Se a este governo devemos alguma coisa foi a sensatez de acabar com uma coisa que nunca deveria ter existido – os exames. Os exames estão nos antipodas da escola, são o contrário da aprendizagem porque não ensinam e apenas excluem,  são o contrário da emancipação porque padronizam e não libertam, são o contrário da decência porque criam medo e não felicidade em ir à escola.

Não é engano, o liberalismo chegou à escola. Temos uma escola que fabrica trabalhadores em vez de pensadores, que se comporta como uma linha de montagem de mão-de-obra de que Ford se envergonharia. Este governo ainda não teve a coragem – espero que tenha – de reverter algumas das medidas mais ridículas do Cratismo. Porque é que a educação física não conta para a nota? Como é que podemos aceitar como sociedade que existam conhecimentos de primeira e de segunda? Porque é que se cortou na educação cívica e na área de projeto no ensino básico?  Não dava lucro, não servia para que houvesse mais emprego. Mas a escola serve para o mercado de trabalho ou para o conhecimento? O liberalismo é assim, seca tudo o que o ser humano pode fazer com base em leis de mercado.

E chegamos ao superior, o ensino universitário que deveria ser um espaço de liberdade infinita não o é. Começamos com as propinas que etilizam o ensino superior e que o transformam num negócio que tem de ser rentável. Os novos alunos são recebidos com a praxe, com as regras e com o carreirismo a um “chefe superior”. Democracia e praxe não se dão bem e em cada ano assistimos a elas, serenos como se não fosse nada connosco. Um povo que fez o 25 de Abril não pode conviver com as praxes. Falemos claro e sejamos radicais, a praxe tem de ser proibida dentro das universidades – deixemos a democracia e a pluralidade entrar por aquelas salas a dentro.  Depois vêm as empresas e os grandes certames de empreededorismo nas faculdades, vêm os empresários em busca de mão-de-obra barata que é o único que lhes interessa.

Com este cenário negro temos que reagir. Há que construir coletivos de estudantes, há que correr por fora das A.E. e criar situações de duplo poder. Há que fazer debates abertos a toda a gente, há que fazer plenários deliberativos com todos os estudantes. Os estudantes e os professores devem mandar na universidade e não o Américo Amorim.

Se vencemos a direita nas ultimas eleições, há que a vencer no ensino.

Sobre o/a autor(a)

Estudante. Atvista do Bloco de Esquerda

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