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“Cidade competitiva” ou “Cidade Despida”

Por estes dias ocorre um Lisboa um encontro mundial de investidores e empreendedores mundial – o Web Summit.

Medina, presidente não eleito da cidade de Lisboa , já veio bradar aos céus pela oportunidade que virá deste evento: atrair investidores, criar emprego e tornar Lisboa uma cidade verdadeiramente competitiva.

A cidade veste-se de gala: sabe-se que o Metro de Lisboa vai ter um horário adicional até ás 5 da manhã para receber aqueles que, segundo o organizador do evento, “ são empresários irreverentes que ás vezes parecem pessoas normais”. Se o classismo pagasse imposto já se podia eliminar a sobretaxa de IRS. Porque um evento de empreendedores não é um evento de empreendedores sem trabalho voluntário não pago ( ou pago a uma miséria) a ajudar, este também o tem. A maioria das pessoas que mantém este evento até são estudantes do secundário ou do superior desejosos de ganhar mais “algum” para as propinas .

Numa cidade bem distante chamada Lisboa, passamos de cidade competitiva a cidade despida. Enquanto Medina se foca em obras e mais obras sem sabermos qual a utilidade publica das mesmas, milhares de lisboetas são empurrados para os subúrbios pelo excessivo aumento das rendas, enquanto os hotéis e os bancos continuam sem pagar um adicional de IMI que alivie o imposto sobre as casas de habitação. Nesta cidade despida deixou de haver espaço para as pessoas viverem, nesta cidade despida estamos a mais. O metro de qualidade para nós está a mais, a habitação está a mais e as pessoas que querem cá viver estão a mais.

Neste liberalismo socialista de Medina é à esquerda que se exige o mais difícil: virar o jogo da cidade despida e ir vestindo-a de gente. Virar o jogo é acabar com o IMI sobre as primeiras habitações , virar o jogo é meter os bancos a pagar muito mais IMI, virar o jogo é congelar o preço das casas e criar um subsidio municipal para os inquilinos mais pobres, virar o jogo é construir passeios para pessoas com diversidade funcional. Estaremos prontos para virar?

Sobre o/a autor(a)

Estudante. Atvista do Bloco de Esquerda

Comentários

Vou só comentar alguns pontos que acho mais simples.

Medina e os passeios: Acho que estão a aumentar a olhos vistos, e mais ciclovias também, só peca por não serem mais, mas pelo menos está na direcção certa. Aliás, se o CDS parece irritado com as mudanças diria que estamos no bom caminho. Estava melhor antes?

O metro até às 5 da manhã: Qual é o problema de incentivar o uso de transportes públicos em eventos especiais? É melhor do que irem de carro. Esta não percebo mesmo.

O voluntariado na websummit: sou contra os estágios não remunerados e isso tudo, mas aqui abro uma excepção, como faço para os concertos ou os jogos de futebol, são coisas pontuais.. ninguém pode viver com estágios não remunerados de 6 meses consecutivos. Mas ir como voluntário à final do euro é uma forma de ver Portugal ganhar qualquer coisa sem gastar balúrdios no bilhete ^^

E o IMI da 1ª habitação: acabar com isto de forma indiscriminada só ia beneficiar quem paga mais (na long run pelo menos), também não percebo. Mais um pouco vamos dizer que a maneira de ajudar a classe média é acabar com o IRS, sempre levam mais 300 euros para casa.

ps: falta-te um i (e eventualmente um "c") no titulo ;)

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