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Ambicionar mais rápido, mais alto, mais forte

Podemos avançar, sim, mas depende em grande parte da nossa capacidade de propor. De querer, de termos um pensamento inconformado.

Podemos avançar, sim, mas depende em grande parte da nossa capacidade de propor. De querer, de termos um pensamento inconformado. Para refrear, virão os modelos matemáticos, os economistas e a sua capacidade de análise. Recuso-me a aceitar a distribuição de migalhas aos meus concidadãos mais carenciados. Haverá um meio termo? Um caminho a olhar o futuro, sem termos de nos envergonhar das soluções transitórias?

O lema é o das Olimpíadas mas, em ano olímpico, assenta que nem uma luva. Ambicionar ou ter uma visão para o futuro não significa obrigatoriamente ser irrealista. Não aceito esse rótulo que estigmatiza quem pensa diferente. Podemos ter um sonho, imaginar outra sociedade na qual a equidade, a solidariedade e a fraternidade sejam conceitos trazidos para o exercício do quotidiano. Porque diabo tenho de imaginar o futuro à semelhança do presente enquanto o critico? No campo da informática, quando estamos em pleno processo de construção, depois de uma análise ao sistema que é objeto da nossa preocupação, deitamo-nos ao trabalho exigindo à máquina que chegue às metas que pretendemos e para isso contamos com os modelos matemáticos que, neste caso, os engenheiros informáticos, desenham para cumprir os objetivos. Conheço por dentro casos destes que constituíram um sucesso na época, êxito que perdurou, criou raízes e cresceu. Às vezes olho para trás e ponho-me a imaginar o que teria acontecido se, no processo de construção, em vez de inovar nos tivéssemos limitado à cópia. Não desconheço que as esferas são distintas mas não consigo baixar os braços. Os dois cenários, o informático e o socio-económico, são diferentes claro mas porquê valorizar o que as distingue e não aprender alguma coisa com aquilo que as aproxima? Ou seja, porque tenho eternamente de me conformar e não ousar? O inconformismo não constitui nem irrealismo nem aventureirismo.

Porque é a contribuição para a ADSE opcional? Mantendo-a opcional, quem ganha com o esquema? O privado, o privado, o privado

No caso da ADSE ou das pensões, é preciso avançar mais rápido. Não passa um dia sem notícias sempre tenebrosas com o propósito único de desmobilizar. No caso da ADSE, por exemplo, agora é a questão da insustentabilidade enquanto vamos tendo conhecimento dos 30 milhões utilizados na Madeira para mascarar o défice. Dizem-nos também que a insustentabilidade se ficará a dever ao número decrescente de contribuintes para o subsistema. Essa é muito boa. Se a razão é, efetivamente, essa então porque é a contribuição para a ADSE opcional? Mantendo-a opcional, quem ganha com o esquema? O privado, o privado, o privado. Mas nós não andamos a tentar cercear este enorme negócio da saúde? Bom, não temos mais nada a esperar e o regime de contribuição opcional deve acabar. Depois a questão dos 30 milhões… por acaso foi um truque do mesmo teor que apeou Dilma Roussef. Por cá, nem por isso, tudo sobre rodas.

Mais alto, mais ambicioso, por metas mais consonantes com todas as expectativas criadas. Os modelos matemáticos poderão aconselhar prudência. Pois que seja mas no quadro de objetivos bem delineados e plausivelmente alcançáveis num período de tempo aceitável. Não se fez isso com as 35 horas? Com a reposição das pensões? Com as reivindicações dos estivadores? Com o Salário Mínimo Nacional? Planeamento e negociação parecem ser as palavras chave e toda a gente entende. O que não se entende nem aceita é que falte visão e ambição para resolver os problemas.

E mais forte, claro. Um planeamento bem fundamentado, mais firme que reúna as pessoas sob a mesma bandeira, um muro contra as investidas da direita. Porque não é tudo a mesma coisa e a diferença passa pela desmontagem do que a direita instalou, comprovando com o apoio dos modelos matemáticos que podemos esperar por outro futuro. Porque a desistência não passa por aqui.

Sobre o/a autor(a)

Bibliotecária reformada da função pública. Candidata do Bloco de Esquerda nas eleições legislativas de 2015, pelo círculo eleitoral de Lisboa.

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