Avião que levava Lech Kaczynski e a mulher a Smolensk, na Rússia, caiu ao aterrar. Dados divergentes apontam para 132 ou 87 vítimas. O presidente do Parlamento assume a Presidência e vai haver eleições antecipadas.
O presidente da Polónia, Lech Kaczynski, morreu neste sábado quando o avião que o transportava caiu a aproximadamente 400 quilómetros a oeste de Moscovo, durante um voo rumo à cidade russa de Smolensk.
O governador de Smolensk, Sergei Anufriev, declarou que "não há sobreviventes no acidente do avião que transportava o presidente, Lech Kaczynski". A mulher do presidente também estava a bordo.
O acidente aconteceu no meio de um denso nevoeiro. As primeiras informações indicam que o piloto do Tupolev rejeitou sugestões de desviar o voo para Moscovo ou Minsk, a capital de Bielorrússia.
Segundo a Procuradoria-geral russa, a bordo havia 132 pessoas, mas o Ministério de Situações de Emergência do país disse que o número de vítimas era 87.
Kaczynski ia à localidade russa de Katyn para prestar a tradicional homenagem aos milhares de oficiais polacos executados em 1940 pelos serviços secretos soviéticos.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, enviou a Smolensk o ministro de Situações de Emergência, Serguei Soigu. O chefe do Governo, Vladimir Putin, vai liderar uma comissão para averiguar o acidente.
Na Polónia, o presidente do Parlamento, Bronislaw Komorowski, assumiu automaticamente o cargo da Presidência, mas a Polónia deve realizar eleições presidenciais antecipadas.
A notícia foi dada à agência de notícias Reuters pelo porta-voz do Governo de Varsóvia.
Constitucionalistas confirmam que as eleições devem ser anunciadas nas próximas duas semanas e realizar-se, no máximo, no espaço de dois meses.
"Revolução moral"
Lech Kaczynski era irmão gémeo de Jaroslaw Kaczynski, que foi o chefe de governo entre Julho de 2006 e Novembro de 2007, até perder as eleições. Durante esse período, os dois gémeos encetaram uma "revolução moral" que não serviu apenas para fazer ajustes de contas com o passado.
Além da caça às bruxas aos comunistas, os gémeos tiveram como principal alvo todos aqueles que fugiam à norma heterossexual, desdobrando-se em insultos contra a comunidade homossexual, proferidos sem mais nem menos em numerosos actos oficiais. Pior ainda, passaram à prática, impedindo pessoas LGBT de trabalhar em creches, hospitais e escolas.
Ambos com o mesmo programa, do partido ultra-conservador (que fez alianças com a extrema-direita), aterrorizaram muitos sectores da sociedade polaca.
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