Vencedor do Nobel da Literatura em 2005, fez do seu discurso uma acusação à política externa de Bush e Blair, baseada na mentira que levou à guerra do Iraque. Com uma vida ligada ao teatro e à poesia, Pinter é considerado um dos nomes maiores da dramaturgia britânica do século XX.
O obituário de Harold Pinter no Guardian dizia que Beckett será o seu único rival no que respeita à influência teatral do século passado. E dá como exemplo a expressão "pinteresca" para qualificar "uma situação cripticamente misteriosa imbuída de uma ameaça escondida". "Não tinha apenas um ouvido afinadíssimo para os perigos que se escondem nas palavras banais, não tinha apenas um gosto acutilante pela escassez dos meios, tinha o génio luminoso de encurtar caminhos, abrir fendas, descobrir malentendidos, revelar suspeitas, cruzar tempos passados e mentiras", diz Jorge Silva Melo que com os Artistas Unidos levou à cena algumas peças de Pinter.
Quando soube da nomeação para o Nobel, Pinter saíu do hospital onde se encontrava a tratar uma doença de pele e foi de cadeira de rodas ler o seu discurso de aceitação do prémio, com críticas duras à guerra de Bush e Blair baseadas numa mentira imposta à opinião pública. Mas o sentimento anti-guerra já vem de 1948, quando Pinter recebeu a guia para o serviço militar, tendo-se transformado num dos objectores de consciência mais convictos, assegurando a sua própria defesa em vários julgamentos que acabaram por resultar numa multa e numa desconfiança em relação ao Estado que o acompanharia no resto da vida.
Começou a carreira de actor na década de cinquenta, aprendendo a dominar os silêncios e os gestos que viriam a ser uma das imagens de marcas das peças que veio depois a escrever. O início de carreira enquanto autor teatral não podia ter corrido pior. A peça "feliz Aniversário", hoje considerada uma das suas obras-primas, ficou conhecida como o maior flop do teatro inglês do pós-guerra, arrasada pelos críticos e tirada de cena na semana seguinte à estreia.
Mas Pinter viria a ultrapassar o fracasso inicial e continuou a escrever peças e sketches teatrais sempre com a tensão e a imprevisibilidade que caracterizava a sua escrita. Também o cinema conheceu algumas obras de Harold Pinter, pela mão de Joseph Losey.
O fim do primeiro casamento e o novo matrimónio com uma historiadora dos meios políticos ingleses levou Pinter a envolver-se mais na acção política, em particular contra a tortura e em defesa dos direitos humanos, ou seja, na crítica aberta à política externa ocidental. Quando leu o discurso de aceitação do Nobel, sentado numa cadeira de rodas, Pinter fez uma acusação impiedosa aos Estados Unidos, não apenas pela guerra no Iraque, mas por todas as ditaduras sanguinárias que apoiaram, com o seu rol de massacres em todos os continentes.
Veja aqui "Apart from That", um sketch para a BBC com Rupert Graves:
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Para ser sincera, até me
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Publicada por Manuela Araújo em Sustentabilidade é Acção
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