A organização de direitos
humanos Human Rights Watch denunciou a detenção de
activistas chineses que pediram autorização para se
manifestarem num dos três locais destinados pelas autoridades
chinesas a protestos em Pequim. O último foi Ji Sizun, de 58
anos, que viajou da província de Fujian, no sudoeste da China,
e queria apelar à "maior participação dos
cidadãos chineses nos processos políticos e denunciar o
aumento desenfreado da corrupção oficial e dos abusos
de poder", afirma um comunicado da organização.
O activista entregou um requerimento de
autorização para protestar na esquadra da polícia
em Deshengmenwai a 8 de Agosto, dia em que começaram os Jogos,
e desapareceu três dias depois, quando voltou à esquadra
para saber se o seu pedido tinha sido aceite. "Testemunhas
afirmaram que Ji entrou na esquadra da polícia cerca das 10:45
no dia 11 de Agosto. Às 12:15 foi escoltado para fora do
edifício e foi metido dentro de um veículo, um Buick de
cor escura e sem matrícula, por um grupo de homens que
pareciam ser polícias à paisana", afirma o HRW.
O telemóvel de Ji está
desligado e na esquadra afirmam que ninguém foi preso.
"Os pedidos de autorização
para realizar protestos não significam claramente dar às
pessoas maior liberdade de expressão, mas tornar mais fácil
à polícia suprimi-los", denunciou Sophie Richardson,
directora da Ásia da Human Rights Watch.
Em 23 de Julho deste ano, o director de
segurança do Comité Organizador de Pequim dos Jogos
Olímpicos, Liu Shaowu, anunciou a criação de
três zonas de protesto em parques de Pequim, dizendo à
imprensa que "os manifestantes que quiserem exprimir as suas
opiniões pessoais podem fazê-lo, seguindo as mesmas
práticas noutros países."
Mas a HRW considera que o processo é
mais restritivo do que em muitos países que usam este sistema
de áreas predestinadas. Os requerentes têm de fazer uma
notificação formal pelo menos cinco dias antes, sujeita
à aprovação da polícia. Mas os
não-residentes em Pequim não podem manifestar-se, e são
proibidos os protestos que possam causar dano à unidade
nacional e "aos interesses nacionais, sociais ou colectivos", sem
maiores explicações sobre o que isso significa.
As três zonas de protesto, por
isso, têm permanecido vazias.
"Ninguém deve confundir a
falta de manifestantes com a falta de queixas", diz Sophie
Richardson. "A prisão e assédio dos que tentaram
levar as palavras do governo a sério mostram até onde
as autoridades estão dispostas a ir para evitar que a
população pacificamente exprima os seus pontos de
vista."
A organização cita os
nomes de mais quatro pessoas que tentaram obter autorização
para protesto e em resposta foram detidas ou ameaçadas.
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