Parlamento discutiu o "Estado da Nação" em crise criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
10-Jul-2008

José Sócrates não gostou das críticas ao desempenho do governo face à criseNo debate sobre o Estado da Nação, a crise económica e o aumento dos combustíveis preencheram boa parte dos discursos. O primeiro-ministro trazia o anúncio de algumas medidas de apoio social e alívio da carga fiscal, mas não escapou à crítica generalizada sobre o falhanço das suas políticas na resposta à crise. A esquerda acusou Sócrates de ser responsável pelo atraso do país e o aumento do desemprego e a "taxa Robin dos Bosques" provocou um debate tenso entre Sócrates e Louçã.

Na abertura do debate, José Sócrates mostrou as novidades que trazia, destacando-se a criação dum passe escolar que significa "uma redução para metade do valor mensal de assinatura de cada tipo de transporte" para as crianças e jovens entre os 4 e os 18 anos de idade. O aumento de beneficiários da acção social escolar foi outra das promessas deixadas pelo primeiro-ministro no debate sobre o Estado da Nação.

Mas o anúncio destas medidas não poupou o primeiro-ministro das críticas da oposição e o aumento dos combustíveis voltou ao centro do debate. Sócrates anunciou a adopção da taxa "Robin dos Bosques" sobre as mais-valias extraordinárias  das petrolíferas, tributando-as em 25%. Francisco Louçã lembrou o primeiro-ministro que o Robin dos Bosques original não se juntava com os ladrões para dividirem o produto do roubo, ficando com um quarto do valor total.  “Pagando um quarto do lucro especulativo, a GALP, a Repsol, a BP podem ficar com três quartos. É inaceitável”, afirmou Louçã, que depois foi acusado por Sócrates de estar a insultar os seus amigos que fazem negócios com o governo.

Mais à frente no debate, o deputado bloquista fez as contas: em 400 milhões de euros que as petrolíferas lucraram especulando no mercado, pagam 100 milhões e ficam com os restantes 300 milhões do produto da sua actividade especulativa. "E os consumidores continuarão a pagar o preço especulativo", concluiu Louçã.

O endividamento do país foi outro ponto levantado na intervenção de Louçã -  o seu valor já ultrapassa o PIB anual português, bem como o desemprego de 8%, uma situação pior do que no ano passado. O deputado do Bloco apontou ainda na sua intervenção final quem é que tem ganho com esta crise e com as dificuldades da maioria dos portugueses.

Do lado direito do hemiciclo, as atenções concentraram-se na estreia de Paulo Rangel a liderança parlamentar do PSD num debate com Sócrates. Rangel afastou a ideia de estar contra as obras públicas em abstracto e lançou críticas à dependência da política económica portuguesa em relação a Espanha, dizendo ainda que o governo não está preparado para enfrentar a crise internacional.

Veja aqui os vídeos do debate.
 
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Deveria haver um bom motor de busca
[Continuamos a publicar os depoimentos dos leitores]
Visito o Esquerda.net 1 a 2 vezes por semana. Leio sobretudo notícias pouco ou nada cobertas pela imprensa corrente, artigos de opinião de alguns nomes que me interessam mais, às vezes os Sons da terra e podcasts sobre eventos do BE ou entrevistas, dependendo do tema.
A minha proposta é para todos os sites do BE: deveria haver um bom motor de busca (o do próprio software é muito débil e induz em erro) que permita pesquisas simples ou mais avançadas (booleanas, palavras adjacentes, por exemplo). O Copernic é um bom motor, freeware e creio que poderá ser usado como add-on neste software. É preciso testar e ver o resultado. À medida que crescer o fundo de notícias, precisamos cada vez mais de explorar a totalidade, retrospectivamente e, idealmente, independentemente do tipo de ficheiro que as suporte (texto, imagem, som). Seria um bom recurso de formação e difusão.

Paula Sequeiros, BE Porto



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