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O PLANO É CRIAR A
GRANDE ISRAEL
Nesta entrevista à rádio uruguaia Centenário, republicada no
Rebelión, James Petras, professor de sociologia da Binghamton University, Nova
York, afirma que o actual conflito vai prolongar-se, porque Israel é governado
por uma visão megalomaníaca que tem interesses expansionistas próprios, que não
se subordinam sequer aos dos EUA.
Que perspectivas tem
o conflito no Médio Oriente? Qual é o plano de Israel?
O plano de Israel - e há que dizê-lo com toda a franqueza -
é a criação do que chamam Grande Israel. Há já meio século que os principais
líderes de Israel têm uma visão megalomaníaca: a de que Israel deve ir do Canal
do Suez até o Eufrates. Parece uma visão apocalíptica, bíblica e imperial, mas
é nela que acreditam os principais políticos de Israel. Não querem ficar
simplesmente com a metade de um pequeno país. A partir desta visão, com
diferentes graus de agressividade, primeiro conquistaram territórios da
Palestina; ocuparam o Sul do Líbano e tiveram de sair à força devido à
resistência do Hezbollah. E agora voltam à carga, destruindo totalmente a
economia de Gaza para forçar o que alguns trabalhistas sionistas chamam "as
condições para a saída voluntária da população palestiniana" (dizem assim, com
todo o cinismo) e é o mesmo que estão a fazer no Líbano agora, sobre o pretexto
de um conflito provocado por dois soldados presos. Com este pretexto, estão a
destruir toda a economia do Líbano, atacam inclusive um governo que é cliente
de Washington e atacam soldados fiéis à liderança política pró-Washington.
Isto mostra que Israel não é um simples agente do
imperialismo norte-americano, mas sim que realmente tem as suas próprias
ambições imperiais e a sua própria estratégia. O facto de os Estados Unidos
tolerarem que Israel esteja a atacar os seus clientes tem a ver com o lóbi
judeu nos EUA, que não permite que Washington defenda os seus próprios
clientes, defenda os investimentos norte-americanos no Líbano nem os projectos
de reconstrução de Gaza.
Vocês devem saber que a central eléctrica de Gaza foi
construída por homens do governo Bush, numa forma de tentar estabilizar o que
existe em Gaza. A primeira coisa que Israel fez foi destruir esta central que
custou mais de 50 milhões de dólares. E, como é habitual, todo o lóbi, todas as
organizações comunais judaicas apoiam Israel contra a política de Washington, o
que indica que aqui temos uma comunidade cuja primeira lealdade é com o governo
de Israel e não com o país onde vivem. Mas que têm uma enorme força e controlam
os congressistas. Bush sabe disso e tem medo, neste ano eleitoral, de mostrar
divergências com Israel, apesar de estar a subverter a sua política de estender
a influência norte-americana a partir das mudanças de regime, como fez no Líbano.
Recordo que a política dos EUA, a partir do assassinato de
uma figura política, [o primeiro-ministro Rafik Hariri] foi forçar a Síria a
abandonar o Líbano e, a partir desse êxito, construir um governo no Líbano
favorável aos interesses de Washington. O mesmo que agora Israel está a
destruir. E está a provocar a polarização a favor da Síria, a favor do
Hezbollah e contra os EUA. Como podemos explicar que Israel possa fazer coisas
assim? Porque a extensão do poder e a ocupação do território do Líbano por
parte de Israel é apoiada pelos presidentes das principais organizações judias
que, junto com os milionários judeus, financiam mais de 60% das contribuições
que recebe o Partido Democrata e 35% das contribuições que recebe o Partido
Republicano. Se quiserem analisar o impacto da política dos sionistas aqui nos
EUA, devem estudar - eu construí um dossier que documenta a penetração dos
Comités de Acção Política, o que aqui chamam PAC - como contribuem com
dinheiro, activistas e participação nos comités de assessores. Aqui, estamos
"sionizados" em relação à política do Médio Oriente.
Nesta perspectiva, não estou a ver nenhuma intervenção pela
paz por parte dos Estados Unidos e, como consequência da sua influência na
Europa e o seu poder de veto nas Nações Unidas, esta guerra vai continuar. Não
há qualquer possibilidade de que se negocie, haja trocas de prisioneiros ou se
resolva, porque os prisioneiros são pretextos para Israel estender o seu poder
e influência.
Este cálculo de Israel é muito perigoso para todo o mundo.
Porque se Israel lançar um ataque contra a Síria, vai provocar uma reacção do
Irão. O Irão tem mísseis que podem alcançar Haifa e até mesmo Tel Avive, e isso
implica uma guerra generalizada, porque aqui a influência sionista vai empurrar
os EUA contra o Irão e a Síria, e aí estaremos numa guerra mundial
generalizada.
Esse é o grande perigo do fanatismo judeu fundamentalista
que apoia este estado terrorista de Israel. Não é um simples problema entre
Israel e a Palestina e os direitos dos palestinianos.
Estamos a dizer que há um perigo mundial, como as sondagens
na Europa apontam. Várias vezes nas sondagens se pergunta qual é o principal
perigo para a paz e o estado que nomeiam primeiro é Israel. A resposta de
Israel é que toda a Europa é antisemita! Em vez de reflectirem e perguntar "que
estamos a fazer?", a resposta automática de Israel é culpar os que estão
preocupados e não perguntar-se internamente.
O mesmo acontece com as organizações sionistas, judeus que
no mundo automaticamente respondem na mesma linha, como papagaios do que diz
Israel. É como o stalinismo nos piores momentos. São correias de transmissão
automática. Um dia Israel diz uma coisa, nos dias seguintes repetem-no
dentistas, médicos, advogados, especuladores, meios de comunicação, todos
repetem palavra por palavra.
Não tenho nenhuma visão optimista pela paz. Enquanto Israel
estiver governado por uma visão megalómana, com uma arrogância e uma
prepotência espantosas, não haverá paz. Vamos para uma guerra prolongada.
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