Os Estados Unidos e a China, os maiores
contaminadores do mundo, apoiados por alguns dos principais países
emergentes do mundo, comunicaram este domingo em Singapura ao governo
da Dinamarca que não será possível conseguir um acordo vinculativo
em Copenhaga que permita a redução de emissões de dióxido de
carbono.
Em vez de qualquer acordo vinculativo,
haverá um acordo “em duas etapas” que, na prática, significa
fazer em Copenhaga uma mera declaração de intenções e adiar
qualquer compromisso para um momento posterior, eventualmente uma
outra conferência no próximo ano no México.
"Houve uma coincidência de pontos
de vista entre os líderes de que não é realisata esperar um grande
acordo internacional vinculativo em Copenhaga que começa em 22
dias", declarou Michael Froman, viceconselheiro nacional de
Segurança da Casa Branca, no fim de uma reunião extraordinária dos
países que participam na assembleia da Associação Ásia-Pacífico
com o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen.
O presidente norte-americano, Barack
Obama, e o presidente chinês, Hu Jintao, com outros países que são
protagonistas destacados neste debate, como a Indonésia, o Japão, a
Rússia ou o México, Rasmussen foi este domingo de surpresa a
Singapura em busca de uma solução desesperada para salvar a cimeira
de Copenhaga. Mas não conseguiu nenhum compromisso de que os países
mais contaminadores reduzam as suas emissões de CO2, um dos
objectivos iniciais da conferência patrocinada pelas Nações
Unidas.
Obama não quer assinar nenhum acordo
que, como o de Kioto, subscrito por Clinton, não seja depois apoiado
pelo Congresso. A China, por seu lado, não está disposta a fazer
nenhum gesto nesse campo que não seja acompanhado por Washington. O
mesmo acontece com o terceiro maior emissor de CO2, a Indonésia. O
Japão anunciou a vontade de reduzir as emissões de gases, mas diz
que também não avança sem a China e os EUA. E se a estes somarmos
a Índia e o Brasil, que também não assinarão sozinhos o acordo,
então é certo que tudo ficará na mesma.
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