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03-Nov-2009
Três anos após dar os primeiros passos, o esquerda.net pretende juntar colaboradores e leitores do portal num debate sobre o futuro deste meio de informação alternativo aos media empresariais. Vamos encontrar-nos no Porto a 21 de Novembro (veja aqui o programa previsto). O texto que se segue dá o pontapé de saída. Agora é a vez de quem nos lê enviar ideias, propostas, reflexões e críticas para Este endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email . Os textos – que não devem ultrapassar os 3000 caracteres - serão publicados nesta secção dedicada às jornadas esquerda.net.

1. O Esquerda.net: portal de informação alternativa

A ideia de criar o Esquerda.net surgiu em 2006, quando estávamos a discutir a reformulação do site do Bloco de Esquerda, tarefa que na época era cumprida por um único camarada. Queríamos dar um salto na comunicação do Bloco. Queríamos comunicar com muito mais gente que os militantes e simpatizantes do Bloco. Tínhamos a ambição de conquistar uma audiência muito mais ampla.

Foi esse o ponto de partida da discussão. Até que nos demos conta de que o que queríamos não podia ser cumprido por um site do Bloco, por mais reformulado que fosse. Do que nós precisávamos era de um portal de informação alternativa. Um portal de informação que concorresse com os portais dos grandes órgãos de informação, mas que apresentasse uma óptica crítica, de esquerda, na selecção de notícias, na produção do seu noticiário, nas suas fontes de informação.

Um portal de informação que soubesse distinguir notícia de opinião, sem cair na tentação de “orientar” todo o noticiário. Um portal vivo, que saísse à rua, que desse informação em cima da hora, 24 horas por dia, sete dias por semana, mas que também produzisse dossiers que aprofundassem temas e suscitassem debates. Um portal que apostasse também na qualidade da sua opinião, reflectindo as opiniões do Bloco mas aberta também a personalidades fora do Bloco, nacionais e internacionais. E um portal que apostasse no multimédia, na fotografia, nos vídeos de reportagem e de intervenção, nas transmissões directas de eventos e manifestações, e em programas de rádio informativos e culturais.

Fazer isto significava criar um novo órgão de informação na internet, o Esquerda.net, mantendo o site do Bloco como site partidário, mais oficial, e deixando o Esquerda.net ganhar voo próprio.

A primeira edição do Esquerda.net saiu em 3 de Junho de 2006. A manchete recordava que o novo ministro dos Negócios Estrangeiros do governo Sócrates apoiara a intervenção no Iraque, ao contrário do seu antecessor, Freitas do Amaral: “Remodelação ministerial: Amado apoiou guerra do Iraque”, era o título.

Hoje, mais de três anos depois, o Esquerda.net é um projecto vitorioso, tendo mantido e aprofundado o seu curso inicial e multiplicado por seis a sua audiência inicial. Mas não foi fácil conquistar a significativa audiência que temos hoje. Foi preciso muita persistência para conseguirmos afirmar-nos. Para se ter uma ideia, concluímos os primeiros seis meses com 1.400 visitas diárias; e fechámos o ano de 2007 com uma média diária de 2.700 visitas. Parece pouco comparado com o nosso melhor mês, Setembro deste ano: 6.513 visitas diárias. Mas demorámos muito a atingir o patamar das 4 mil e depois 5 mil visitas diárias.

Mantivemos o essencial do projecto inicial, mas aprofundámo-lo, criando novas secções e procurando articular com os recursos da web 2.0 e das redes sociais. Hoje, trata-se de discutir o que devemos fazer para aumentar a qualidade do Esquerda.net, e afirmá-lo como um órgão de informação incontornável, de visita obrigatória para a web política portuguesa, e, – porque não? – da web política de língua portuguesa.

2. A Blocosfera para lá do esquerda.net

O sistema de informação do Bloco na internet conta, para além do portal esquerda.net, com alguns sites que tornam pública a actividade da organização.

O bloco.org é a página do Bloco de Esquerda, onde estão reunidos os documentos fundamentais, os contactos das sedes, materiais de propaganda e formulário de adesão. A recente remodelação do site permitiu acrescentar-lhe a ligação directa à actualidade dos sites distritais, através do título da notícia mais recente em cada um deles.

O objectivo desta página é ser a montra das actividades do Bloco, com ligações simples aos principais meios de propaganda e difusão de ideias bloquistas, do jornal “Esquerda” à revista online “Vírus”, passando pelos tempos de antena e os videos das intervenções do grupo parlamentar. Sendo esta a “página oficial” do partido, é aqui que se encontram os comunicados do Bloco, as resoluções da Mesa Nacional e os textos do debate interno.

O site do grupo parlamentar mostra a actividade das deputadas e deputados do Bloco, quer através das intervenções gravadas em vídeo – e arquivadas no canal youtube.com/bloconoparlamento – quer através das perguntas ao governo e projectos de lei apresentados. Inclui também o email de contacto de cada deputado e a agenda com as datas em que as iniciativas do Bloco são discutidas no plenário da Assembleia.

O objectivo desta página é permitir o acesso facilitado às iniciativas do Bloco na Assembleia da República, quer por parte da imprensa e do público em geral, quer por parte dos aderentes do Bloco, que assim podem divulgar pelos seus contactos os projectos de lei ou perguntas ao governo relativas à sua área de activismo político.

As páginas distritais são geridas por cada uma das organizações distritais do Bloco. Embora a equipa central assegure a formação técnica para a edição, os conteúdos e o ritmo de actualização destas páginas dependem em exclusivo de cada distrital. Isso explica que – apesar do grafismo comum – não sejam uniformes no seu conteúdo. Algumas organizam-se em secções relativas à actividade concelhia, outras privilegiam os textos de opinião de dirigentes do Bloco e activistas locais, outras criam secções editoriais (sociedade, cultura) com notícias locais nestes âmbitos.

O objectivo destas páginas distritais continua a ser o de transmitir informação sobre a actividade dos núcleos do Bloco ao nível distrital e concelhio. A notícia mais recente de cada página distrital tem uma ligação a partir do site bloco.org. Embora a sua implementação tenha sido um grande avanço da rede bloquista na web no último ano, e tendo em conta que na maior parte dos casos estas páginas dependem do esforço militante de dezenas de camaradas, ainda há muitos aspectos que devem ser melhorados. E há uma alteração de fundo que é necessária e urgente: a remodelação do grafismo comum.

Os sites ecoblogue e blocomotiva corresponderam a uma tentativa de captar novos públicos para a blocosfera. A necessidade de incentivar a troca de informação e a formação sobre temas ambientais esteve na origem do ecoblogue, enquanto o formato do blocomotiva foi mais orientado para os temas ligados à juventude. Passados alguns anos, o balanço desta experiência aconselha a que estes temas não continuem separados do resto do portal, com as notícias e opiniões sobre ecologia e ambiente a regressarem ao esquerda.net e o trabalho de juventude a ocupar o seu lugar no site nacional bloco.org. Estas mudanças devem acontecer já durante a remodelação do portal esquerda.net, disponibilizando os conteúdos de ambos os sites na área de arquivo do portal.

O Bloco já há muito tempo tem grande presença nas redes sociais, mas quer ampliá-la. A imprensa publicou alguns números comparativos dos vários partidos nas recentes campanhas eleitorais quanto ao uso das redes sociais e não é surpresa que o Bloco leve grande avanço. Os canais bloquistas de vídeo no youtube (mas também no myspace) têm centenas de vídeos com centenas de milhar de visualizações, o mesmo acontecendo às galerias de fotos no Flickr. E os grupos do Bloco no Facebook e Hi5 contam com milhares de membros.

O objectivo da presença nestas redes, para além de comunicar em permanência com um grupo muito alargado de pessoas, é o de obter reacções imediatas aos temas, propostas e iniciativas que o Bloco introduz no debate político. Como a maior parte destes utilizadores não é visitante assíduo da “blocosfera”, as redes sociais servem para alargar bastante o público dos sites do Bloco. A ampliação da presença do Bloco nas redes sociais poderá ser feita com a criação de um novo grupo no Facebook para o portal esquerda.net, para além de perfis dos deputados que ainda não estão lá. E o novo grafismo do portal esquerda.net e da blocosfera deve passar a conter uma forma automática de partilha de cada notícia nas redes sociais mais relevantes.

3. Rede de amigos do Esquerda.net

O portal Esquerda.net cresceu em conteúdos e diversidade a partir da contribuição voluntária de muita gente espalhada pelo país e pelo mundo, dentro e fora do Bloco de Esquerda.

Foi assim em experiências como a “comunidade”, onde publicámos contributos de quem os quis propor, ou na constituição de uma rede dispersa e militante de tradutores e tradutoras, que fez deste portal uma referência do debate anti-capitalista, particularmente em períodos críticos como o da eclosão da crise financeira, com a publicação de centenas de textos de autores internacionais. Aconteceu também que surgissem contactos e diálogo entre vítimas de abusos patronais em plenas caixas de comentário do Esquerda.net.

A participação é portanto uma das marcas do portal, mas pode ser muito alargada a partir de agora. Queremos ser ponto de convergência de informação sobre o conflito social, sobre a realidade local ou a correspondência internacional, onde o testemunho se desenvolve como reportagem cidadã. Acreditamos que essa experiência pode ser feita no espaço aberto em Portugal pela esquerda socialista e que, como até agora, viverá na liberdade cidadã e no espírito crítico que desaparece nos media empresariais.

Essa rede tem um nome – Amigos do Esquerda.net - e é um convite à prática. Nas jornadas Esquerda.net de 21 de Novembro, haverá lugar a vários encontros sectoriais, correspondendo a diferentes suportes de informação que desejamos cada vez mais presentes e participados no portal: fotografia, vídeo, rádio, reportagem/entrevista escritas.

No Porto e até lá, debatemos a abertura de um canal permanente para a participação desta rede de amigos, nas áreas de especialidade ou interesse individual. Todos podemos ser fonte de notícia, todos podemos fazer comunicação social. Disputar o monopólio dos media empresariais é um desafio à democracia e à luta social.

 
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