O jornal Diário de Notícias confirma que foi Fernando Lima, assessor do Presidente da República, que encomendou o caso das supostas escutas à Presidência. O jornal confirma assim o que Francisco Louçã tinha dito a 9 de Setembro. Fernando Lima terá falado com um jornalista do Público lançando suspeitas sobre um adjunto de Sócrates e insinuando que a Presidência estaria a ser vigiada.
Entretanto, Francisco Louçã defendeu que o Presidente da República deve "esclarecer" de imediato o país sobre as suas alegadas suspeitas, enquanto Cavaco disse que "vai ficar em silêncio" e afirmou: "deixemos passar as eleições".
Francisco Louçã atribuíra a autoria das suspeitas a Fernando Lima a 9 de Setembro, por considerar que a Casa Civil da Presidência da República não tem fontes anónimas e portanto a responsabilidade devia ser do assessor de imprensa de Cavaco.
“Um dos entretenimentos deste Verão foi a história do Presidente: faz saber por via do Dr Fernando Lima, que é uma fonte anónima da Presidência da República, que achava que tinha sido escutado em Belém”, disse Louçã comentando a notícia das alegadas vigilâncias do gabinete de Sócrates. A fonte das suspeitas levantadas confirma-se agora, segundo o DN, que revela “documentos” e mailes que provam que foi Fernando Lima a lançar a história ao jornal Público.
José Manuel Fernandes, director do jornal Público, afirma agora que o jornal pode estar a ser vigiado. O jornalista Luciano Alvarez por seu lado diz que o documento apresentado pelo DN “é forjado”. O provedor do Público criticou no dia 13 de Setembro os procedimentos que levaram à notícia da alegada “espionagem” de São Bento sobre Belém.
O primeiro-ministro, José Sócrates, limitou-se hoje à ironia quando questionado sobre a acusação do director do Público de que a divulgação de um e-mail entre jornalistas sobre escutas na Presidência da República é da responsabilidade dos serviços secretos que estão sob a sua tutela.
"O director do Público sempre teve uma imaginação muito criativa, mas não vou fazer qualquer comentário sobre essa matéria", afirmou José Sócrates no programa Forum da TSF.
A acusação de José Manuel Fernandes, com quem a Agência Lusa tentou falar sem sucesso, foi feita aos microfones da TSF e da Rádio Renascença, responsabilizando o Governo pela divulgação de um e-mail interno entre o editor da secção Portugal, Luciano Alvarez, e o jornalista Tolentino de Nóbrega.
“Conhecendo de quem dependem os serviços de informações, que dependem do primeiro-ministro, e sabendo que estávamos a falar de um caso de escutas e sobretudo quando percebi que tinham ido parar a três órgãos de informação diferentes, acho que é um trabalho dos serviços de informações ou de alguém desse género”, afirmou o director do Público na TSF.
Segundo José Manuel Fernandes, a divulgação do e-mail “confirma as suspeitas do Presidente da República” de que existem escutas.
O Diário de Notícias avançou hoje que o assessor do Presidente da República Fernando Lima foi a fonte do diário Público na sua manchete de 18 de Agosto, já em pré-campanha eleitoral, segundo a qual Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.
O DN publica uma alegada mensagem de correio electrónico entre Luciano Alvarez e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.
O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, defendeu hoje que o Presidente da República deve "esclarecer" de imediato o país sobre as suas alegadas suspeitas no "caso das escutas", classificando-o como uma "novela mexicana".
Segundo Francisco Louçã, é necessária uma intervenção de Cavaco Silva para colocar-se "uma pedra sobre um assunto que é uma telenovela mexicana".
"O Presidente da República já tinha feito um comentário, dizendo que este caso não tinha interesse. Estamos perante um novo nível de desenvolvimento desta situação que devia ser resolvido sem grandes demoras e rapidamente. Estou certo de que o Presidente da República dirá uma palavra a este respeito", afirmou o dirigente do Bloco.
Louçã revelou não estar surpreendido, até porque já tinha adiantado o nome do assessor de Belém Fernando Lima como um dos protagonistas do caso, em entrevista à SIC.
"Já se percebeu na telenovela mexicana em que se transformou toda esta história de escutas que afinal não eram escutas, era o caso de um tal assessor que se tinha sentado numa mesa errada há meio ano atrás", acrescentou.
Na opinião do líder bloquista, "nesta história, qualquer hesitação, qualquer dúvida ou qualquer arrastamento é uma diminuição da responsabilidade democrática", posição assumida durante uma "arruada" no centro historico de Viseu.
» 1 Comentários
1"Também V,Exª Silva"!!.." em 18 de September de 2009 14:08
Afinal "isto" é uma algaraviada total dizem que o sr. Silva, se meteu num molho de brócolos..mas mas sendo isso verdade..é uma VERGONHA! Não conheço, nunca o vi, não votei nele, (sou Alegrista confesso) mas considerei CS o Presidente, pautado pela contração do verbo..e discrição..Um quase ET.. Mas afinal por aquilo que se lê e se julga é igual ao comum dos politicos "faz-de-conta"!..uma desilusão para muitos (ainda os há) que acreditaram nele avr
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