Cerca de cinquenta economistas apresentaram este sábado o manifesto "Só com emprego se pode reconstruir a economia", em defesa de uma política pública de resposta à crise, em Portugal e na Europa, que tente evitar "uma crise social dramática". O papel do investimento público no combate ao desemprego está no centro da estratégia proposta no documento, que é subscrito por treze professores catedráticos. Leia aqui o documento integral.
O manifestado divulgado este sábado por um grupo de cinquenta economistas afirma com clareza a urgência da resposta pública ao problema do desemprego: "O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática". O texto lembra que se está "a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre", salientando que "a contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado (...) tende a gerar um resultado global desastroso".
Para responder à crise o manifesto defende que "a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação".
O texto pretende contribuir para a discussão de alternativas políticas de resposta à crise actual, salientando que, "ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social".
O manifesto lembra ainda as responsabilidades das políticas públicas europeias, afirmando que "o governo português deve exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise".
» 1 Comentários
1"Só 5 mulheres??" em 28 de June de 2009 01:02por Ana Sá
Pelas minhas contas, são cinco as mulheres que assinam este documento... Não é um 'cadinho de menos?
Era interessante que os homens se lembrassem mais vezes que as mulheres também têm uma palavra a dizer. Se assim fosse, as cotas não seriam necessárias... Caso contrario, até à esquerda elas parecem fazer falta...
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