Uma joint-venture entre a alemã
Siemens e a finlandesa Nokia ajudou o regime iraniano a instalar um
dos mais sofisticados mecanismos de censura da Internet do mundo,
permitindo examinar de forma maciça o conteúdo dos pacotes de dados
circulando na rede, sejam eles e-mails, fotos, vídeos ou até
chamadas telefónicas pela rede. A notícia é avançada pelo Wall
Street Journal.
O "centro de monitorização"
instalado pelo governo iraniano na companhia telefónica estatal
utiliza uma tecnologia chamada "inspecção profunda de pacotes"
que permite não só o bloqueio de comunicações, como também a
recolha de informação sobre quem enviou os dados, que podem ser até
alterados para objectivos de desinformação.
Ben Roome, porta-voz da joint-venture,
a Nokia Siemens Networks, confirmou a informação ao Wall Street
Journal. O centro de monitorização foi instalado no segundo
semestre de 2008.
A tecnologia consiste em inserir
equipamento num fluxo online de dados, de e-mails e chamadas de
net-phones a imagens e mensagens em redes sociais. Cada pacote de
dados é desconstruído, examinado por palavras-chave e reconstruído
em milissegundos. No caso do Irão, isto é feito num único ponto
por onde passam todos os dados. "Não sabíamos que podia fazer
tanta coisa", disse um engenheiro de redes em Teerão, citado pelo
jornal. "Agora sabemos que eles têm ferramentas poderosas que lhes
permitem fazer um rastreamento muito complexo na rede".
O uso destas ferramentas permitiria
explicar por que o governo iraniano tem mantido a Internet a
funcionar - ao contrário do sistema de SMS dos telemóveis, por
exemplo, que foi bloqueado -, mas também por que o acesso ficou
tão lento. Calcula-se que haja 23 milhões de cibernautas no Irão.
Organizações de direitos humanos
criticaram a venda de equipamentos deste tipo ao Irão e a outros
regimes considerados repressivos, por serem usados para reprimir
dissidentes.
Ouvido pelo Wall Street Journal,
o porta-voz da Nokia Siemens Networks disse que a empresa "decide
sobre se faz ou não negócios num país. Acreditamos que fornecer às
pessoas, onde quer que estejam, a possibilidade de comunicar, é
preferível a deixá-las sem a escolha de serem ouvidas."
O problema é que essa escolha pode
custar muito caro aos iranianos vítimas de uma tecnologia europeia.
» 6 Comentários
6"Nojentos" em 25 de June de 2009 16:03
Nunca mais compro nada da NOKIA ou da SIEMENS. Só assim é que estes tipos aprendem. QUE VERGONHA SR.S EXECUTIVOS DA NOKIA E DA SIEMENS. ÉTICA, sabem o que é ÉTICA? Mas sabem o que é lucro, não é? pois espero que só tenham PREJUíZO a partir de hoje. NOJENTOS!
5"Meus amigos" em 24 de June de 2009 10:19
Meus amigos estão surpresos pq é exactamente o mundo capitalismo onde estamos inseridos q permite isto. na teologia da globalização não existem raças, religiões ou . piada é q isto só se aplica nos negócios pq no resto é o q se vê. No final o q conta são os €€€. sejamos realistas: metade dos regimes ou ditadores n existiam se o ocidente quisesse. é tudo uma questão de negócio "deixa lá tar este pq ao menos este compra-nos equipamento". o resto são historias da carochinha
4"..." em 23 de June de 2009 15:53
Acho que aquilo lá pelo Irão é mais uma guerra entre o homem mais rico do Irão e o regime teocrático... ambos querem o poder. No fim a Neda é que paga o preço. (E a Nokia/Siemens facturam).
3Comentários em 22 de June de 2009 21:29
Temos sempre a possibilidade, enquanto consumidores, de não comprar os produtos destas empresas e fazê-las conhecer das nossas intenções, tal como fazer grupos de bloqueio, etc. Consumer empowerment!
2"NSN" em 22 de June de 2009 21:29
;)
1"Assim se despe o capital." em 22 de June de 2009 21:27
Desta maneira pouco púdica, uma grande transnacional mostra-se assim ao mundo. Aqui estou eu pronta para reprimir aqui e "vender" liberdade ali. Aqui e ali não interessa, se aqui é o Irão e ali é a suposta Europa das liberdades. O que conta é o lucro, nada mais. Nada mais que um exemplo para nos fazer pensar que a nossa nova forma de comunicação está na mão de um monstro que não controlamos: o capital.
» Submeter Comentário
|