Que “solidariedade” nos sacrifícios? criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
13-Feb-2009
No tempo em que vivemos, com o drama e o flagelo do desemprego a bater a cada vez mais portas de portugueses, que em ciclos sucessivos sem qualquer folga económica faz recair sobre as famílias o peso do custo de vida e as consequências das politicas neoliberais, que "solidariedade nos sacrifícios"?

Texto do nosso leitor José Lopes

Só se pode esperar que a moralização da sociedade comece com mais transparência e medidas exemplares face ás vergonhosas e gigantesca fraudes financeiras como a do BPN cujo buraco que vai ser coberto pelos impostos dos portugueses através da CGD já vai em 1800 milhões de euros.

Em nome da justiça e solidariedade com a nua e crua realidade das famílias a viverem autênticos pesadelos sociais, tenha-se a coragem política de assumir que aos anteriores administradores e accionistas do banco, até porque com a nacionalização deixaram de o ser, não são devidas quaisquer indemnizações, bem pelo contrário. Mas como só agora o ministro das finanças parece ter ficado a saber que existem também escandalosos salários de gestores de empresas a que se pode ainda acrescentar as chorudas reformas e pensões de ilustres personalidades políticas que vão partilhando a gestão e administração da rede de interesses público/privado, haja também disponibilidade para partilhar solidariamente a crise, porque aos trabalhadores já há muito lhes é imposta a factura de uma dívida de que não são minimamente responsáveis, porque foi à custa do seu esforço, trabalho e muito sacrifício, que os "glutões" de lucros e mais lucros, se vêm deliciando num recheado banquete de que cinicamente e desumanamente deixam só ossos.

A resposta só pode ser a de provocar um "enfarte" assustando o apetite de tais gulosos, que quando não saciados com os lucros a que se habituaram, ainda negam os restos, despedindo desde logo os temporários e precários, reduzindo salários ou antecipando férias em função dos seus interesses ou até encerrando empresas na procura de outras paragens mais apetecíveis para alimentarem os seus prazeres.

Assim tiremos as devidas conclusões da situação que estamos a viver e cujas consequências estão naturalmente ainda longe dos verdadeiros efeitos nas nossas vidas, para que do ponto de vista dos interesses de quem produz riqueza e certamente ficaremos melhor preparados para novos combates e novas fases de tentativas e estratégicas do capital para nos submeter e subjugar à continuação da mais indigna exploração, porque como nos deixou escrito Karl Marx na obra O Capital, e a vida e o tempo inegavelmente continuam a provar a sua justeza, "Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável" realidade que está a sufocar a vida das famílias hoje. Mas como não fosse suficiente esta verdade que deixou de ser utopia para ser a causa da queda dos "paraísos" propagandeados pelos capitalistas, ainda nos deixou a análise reafirmada depois de dois séculos, em que voltaria a ser testada como uma verdade que colocou o Mundo a testemunhar e a sofrer seus efeitos, ou seja, "O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado" uma tese marxista a que vários governos se obrigaram a recorrer, ainda que a tenham desvirtuado ao intervirem nestes casos dos escândalos bancários à custa do sacrifício das famílias e para salvar as castas corruptas da sua classe.

José Lopes (Ovar)

 
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