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No tempo em que vivemos, com o drama e o flagelo do
desemprego a bater a cada vez mais portas de portugueses, que em ciclos
sucessivos sem qualquer folga económica faz recair sobre as famílias o peso do
custo de vida e as consequências das politicas neoliberais, que "solidariedade
nos sacrifícios"?
Texto do nosso leitor José Lopes
Só se pode esperar que a moralização da sociedade comece com
mais transparência e medidas exemplares face ás vergonhosas e gigantesca fraudes
financeiras como a do BPN cujo buraco que vai ser coberto pelos impostos dos
portugueses através da CGD já vai em 1800 milhões de euros.
Em nome da justiça e solidariedade com a nua e crua
realidade das famílias a viverem autênticos pesadelos sociais, tenha-se a
coragem política de assumir que aos anteriores administradores e accionistas do
banco, até porque com a nacionalização deixaram de o ser, não são devidas
quaisquer indemnizações, bem pelo contrário. Mas como só agora o ministro das
finanças parece ter ficado a saber que existem também escandalosos salários de
gestores de empresas a que se pode ainda acrescentar as chorudas reformas e
pensões de ilustres personalidades políticas que vão partilhando a gestão e
administração da rede de interesses público/privado, haja também
disponibilidade para partilhar solidariamente a crise, porque aos trabalhadores
já há muito lhes é imposta a factura de uma dívida de que não são minimamente
responsáveis, porque foi à custa do seu esforço, trabalho e muito sacrifício,
que os "glutões" de lucros e mais lucros, se vêm deliciando num recheado
banquete de que cinicamente e desumanamente deixam só ossos.
A resposta só pode ser a de provocar um "enfarte" assustando
o apetite de tais gulosos, que quando não saciados com os lucros a que se
habituaram, ainda negam os restos, despedindo desde logo os temporários e
precários, reduzindo salários ou antecipando férias em função dos seus
interesses ou até encerrando empresas na procura de outras paragens mais
apetecíveis para alimentarem os seus prazeres.
Assim tiremos as devidas conclusões da situação que estamos
a viver e cujas consequências estão naturalmente ainda longe dos verdadeiros
efeitos nas nossas vidas, para que do ponto de vista dos interesses de quem
produz riqueza e certamente ficaremos melhor preparados para novos combates e
novas fases de tentativas e estratégicas do capital para nos submeter e
subjugar à continuação da mais indigna exploração, porque como nos deixou
escrito Karl Marx na obra O Capital, e a vida e o tempo inegavelmente continuam
a provar a sua justeza, "Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora
a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até
que se torne insuportável" realidade que está a sufocar a vida das famílias
hoje. Mas como não fosse suficiente esta verdade que deixou de ser utopia para
ser a causa da queda dos "paraísos" propagandeados pelos capitalistas, ainda
nos deixou a análise reafirmada depois de dois séculos, em que voltaria a ser
testada como uma verdade que colocou o Mundo a testemunhar e a sofrer seus
efeitos, ou seja, "O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que
ser nacionalizados pelo Estado" uma tese marxista a que vários governos se
obrigaram a recorrer, ainda que a tenham desvirtuado ao intervirem nestes casos
dos escândalos bancários à custa do sacrifício das famílias e para salvar as
castas corruptas da sua classe.
José Lopes (Ovar)
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