“Uma esquerda grande contra a ganância do capital” criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Feb-2009
Sessão de encerramento da VI Convenção do Bloco - Foto de Paulete MatosNa intervenção de encerramento da VI Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã afirmou que para combater a exploração e a ganância - que é o "nome próprio do capitalismo" - é necessária uma "esquerda grande". Antes do encerramento, os delegados votaram as três moções de orientação em alternativa. A Moção A obteve 424 votos (84,1%), a Moção B 19 votos (3,8%), e a Moção C 61 votos (12,1%). Ouça a intervenção de encerramento de F. Louçã em mp3  e wma

Nas eleições para a Mesa Nacional, a Lista A obteve 449 votos (78,7%), o que corresponde a 63 lugares, mais um do que há dois anos. A Lista B (que juntava as antigas Lista B e Lista D) obteve 42 votos, elegendo seis pessoas (o mesmo número do que a soma obtida pelas duas listas há dois anos). A Lista C obteve 79 votos (13,8%), elegendo assim 11 elementos para a Mesa Nacional, menos um do que há dois anos. Houve ainda nove votos em branco e dois votos nulos.

A nova Comissão de Direitos é composta por cinco membros da Lista A (439 votos, 76,8%), uma pessoa da Lista B (52 votos, 9,1%), e outra da Lista C (80 votos, 14%).

Antes da intervenção de encerramento de Francisco Louçã, dois dos representantes dos partidos de esquerda da europa presentes na convenção, dirigiram algumas palavras aos delegados e convidados.

Lucien Sanchez, do Novo Partido Anticapitalista (França) que esteve este fim de semana reunido no seu congresso fundador, lançou uma saudação fraternal à convenção e sublinhou a necessidade de construir uma alternativa revolucionária à crise do capitalismo. Por seu turno, Yiannis bournous, do Synaspismos (Grécia), sensibilizou os delegados quando lembrou a morte do jovem grego (Alexis), atingido pela polícia no último dia 6 de Dezembro. E terminou com uma vibrante suadação a todos os Alexis de todo o mundo, desde os palestinianos, aos zapatistas, passando pelas mulheres no Irão.

Francisco Louçã iniciou a intervenção de encerramento da Convenção, logo após a passagem de um breve filme sobre os 10 anos do Bloco de Esquerda.

Francisco Louçã denunciou o agravamento de todos os indicadores sociais e económicos de 2005 para 2009, passados que estão quatro anos de governo Sócrates. O desemprego era de 7,6% em 2005 e atinge agora os 8,5%. A precariedade afectava 32% dos trabalhadores, mas agora já atinge 35%. O endividamento das famílias também subiu, o que levou Louçã a considerar que Sócrates está a transformar Portugal no país dos "desempregados, precários e endividados".

E ao contrário dos que afirmam que a culpa é da crise na economia, Louçã sublinha que a culpa é da crise da liderança do país, da classe dominante e do poder político que governa, até porque a "ganância" é ela mesma "o nome próprio do capitalismo".

Criticando os que "enlouquecem com o cheiro do dinheiro", Louçã denunciou os 94 offshores do BPN, as centenas do BCP e os muitos outros que pululam pelo país e pelo mundo. "Proteger offshores é proteger o crime e nós não aceitamos isso" afirmou Louçã.

Louçã lembrou ainda que cada contribuinte pagará um salário mínimo nacional para que o Estado possa pagar o buraco do BPN. "Nem um cêntimo para proteger fortunas, Não pagamos!", declarou Louçã, um slogan que entusiasmou os delegados.

De seguida Francisco Louçã apresentou as propostas do Bloco de Esquerda para "responder agora à crise em nome de quem precisa": um serviço público bancário que garanta juros e taxas não especulativas, a proibição de entrega de dividendos aos accionistas por parte de empresas que tenham recebido benefícios do Estado, a proibição dos despedimentos nas empresas com lucros, o aumento das pensões e do salário mínimo (para chegar a 600 euros em dois anos), a revogação do código do trabalho e o imposto sobre as grandes fortunas.

Sobre as declarações do porta-voz do PS Vitalino Canas, que contestou a proposta do Bloco de Esquerda de impedir os despedimentos nas empresas com lucros, Louçã ironizou: "nunca sei se ele está a falar em nome do PS ou como provedor das empresas de trabalho temporário".

Louçã concluiu com um apelo à convergência das esquerdas, para construir "uma esquerda grande", determinada a combater a desigualdade e a exploração, uma esquerda "anticapitalista e socialista". Uma esquerda em que "todos aprendam para todos serem mais fortes". 

Leia também:
Convenção: delegados discutiram moções de orientação

» 5 Comentários
5"Força Bloco"
em 13 de February de 2009 19:56por Márcio Guerreiro
A corrupcção e o crime dos bancos privados, protegidos pelo Goverso PS deixou o país "doente"! O declínio do sistema económico, as desigualdades sociais e o desemprego são realidades que afectam milhares de portugueses e a verdadeira agonia e desespero não se faz ouvir. Deposito toda a confiança na resposabilidade e clareza do BLOCO. Força!! Juntos, anularemos o obscurantismo e faremos ouvir todos!
4"Bloco"
em 09 de February de 2009 10:46por Pedro Carneiro
Espero uma revigoração do Bloco para as batalhas eleitorais que se avizinham. O Bloco pareçe ser o único partido que se insurge de forma audível contra estas intervenções obscenas na falência de bancos privados, comparando a disparidade de apoios entre os casos BPP/BPN e as constantes falências de empresas em Portugal. A próxima legislatura (governo minoria do PS) vai exigir muita firmeza da vossa parte. Força Bloco!
3"Erros (3)"
em 09 de February de 2009 10:45por S.V.
Não sendo bem um erro, julgo também que seria interessante explorar um sistema onde haja uma componente fixa do ordenado e outra variável, consoante os lucros da empresa. Havendo um gestor honesto,resultaria numa verdadeira compartilha dos riscos da empresa por todos, sendo que quanto mais lucros houvessem, mais ganharia cada um. Obviamente que levaria a que também os trabalhadores tivessem uma palavra a dizer na aplicação/investimento de parte dos lucros, ganhassem menos em temp. menos bons,etc
2"Erros (2)"
em 09 de February de 2009 10:45por S.V.
(continuação) 
- não ser ter referido que caso as pessoas sejam pagas justamente (ao defender a subida do ordenado mínimo), a produtividade também aumentará e que a produtividade que hoje existe está de acordo com os magros ordenados que são pagos. Poder-se-ia mais além e referir que em sociedades avançadas com as escandinavas, onde os gestoers têm verdadeira responsabilidade social, não há necessidade de haver um ordenado mínimo legalmente definido.
1"Erros"
em 09 de February de 2009 10:44por S.V.
Apesar de ter sido um bom discurso, julgo que foram cometidos alguns erros, dos quais destaco dois: 
- despedimentos: deveria ter sido especificado que eram despedimentos "sem justa causa", por forma a não dar grande espaço de manobra a quem queira deturpar aquilo que se quis dizer (lembrem-se que se está a discursar não só para militantes mas também para pessoas indecisas)
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