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Embaixada dos EUA em Jerusalém “destrói todas as esperanças de paz”

A decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital israelita está a levantar um coro de críticas na comunidade internacional e protestos na Palestina.
Netanyahu e Trump durante a visita a Jerusalém em maio de 2017. Foto MNE Israel/Flickr

Em declarações à TSF, o embaixador da Palestina em Lisboa apelou a que Portugal reaja à "decisão irresponsável e perigosa" do presidente norte-americano, prevendo que ela "vai destruir todas as esperanças de paz entre os dois povos".

“A Europa tem interesses e relações com o Médio Oriente e não pode ficar refém de políticas loucas e irresponsáveis", acrescentou Nabil Abuznaid, defendendo ainda que “a comunidade internacional deve opor-se através dos meios mais fortes para reconhecer a Palestina e para deixar Trump isolado no mundo, sozinho num canto".

O Presidente da República também se referiu ao assunto, manifestando o seu alinhamento com o governo português na "preocupação com gestos que possam ser contraproducentes para o diálogo" e a paz entre israelitas e palestinianos.

Centenas de palestinianos manifestaram-se esta quarta-fira em Gaza, a poucas horas do anúncio por parte de Donald Trump da mudança da embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém, reconhecendo de facto esta cidade como a capital israelita.

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, diz que a decisão da Casa Branca equivale a atravessar uma “linha vermelha” que irá “acender a faísca da raiva contra a ocupação”. Os palestinianos reclamam o território ocupado de Jerusalém oriental como a sua capital e a ação de Trump unificou as fações desavindas do Hamas e da Fatah.

Para além de vários líderes políticos do Médio Oriente terem deixado o aviso sobre as implicações da mudança da embaixada para o chamado processo de paz, as críticas vieram também do aliado britânico. À chegada a uma reunião da NATO, Boris Johnson afirmou que o Reino Unido “vê com preocupação” este reconhecimento. "Acreditamos que Jerusalém deveria, é claro, fazer parte de uma solução final (para o conflito) entre israelitas e palestinianos, uma solução negociada", afirmou em Bruxelas o chefe da diplomacia de Londres, pondo de parte a hipótese de seguir o exemplo dos EUA e transferir a sua embaixada para Jerusalém.

Ler também: Israel quer anexar colonatos judaicos ao território de Jerusalém

Também o papa Francisco veio lembrar que "Jerusalém é uma cidade única, sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos, que ali veneram locais sagrados para as suas respetivas religiões, e ela tem uma vocação especial para a paz" e deixar um apelo ao respeito pelo estatuto de Jerusalém e à “sabedoria e prudência” por parte de Washington.

De Pequim chegou também um aviso por parte do porta voz da diplomacia chinesa: “Todas as partes envolvidas devem ter em mente a paz e estabilidade regionais, ter cautela nas ações e declarações, evitar minar a base para uma resolução da questão palestiniana e abster-se de gerar um novo confronto na região”.

Palavras mais duras surgiram da parte do presidente turco, que na terça-feira ameaçou convocar uma cimeira muçulmana que pode levar ao corte de relações diplomáticas com Israel.

As Nações Unidas nunca reconheceram Jerusalém como a capital israelita, nem a ocupação israelita de Jerusalém Oriental em 1967, uma posição que foi seguida pela comunidade internacional, que instalou as suas embaixadas em Telavive. Para a ONU, a definição do estatuto de Jerusalém deve ser negociada por israelita e palestinianos e é um dos pontos do conflito das negociações que tiveram lugar das últimas décadas. A cidade é ainda considerada sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos, que ali se deslocam para venerar a sua religião.

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