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Moody’s censura medida imposta por Bruxelas ao OE2016

A agência de rating norte-americana diz que a aprovação do Orçamento do Estado é um fator “positivo” para uma eventual revisão em alta do rating da dívida portuguesa. E critica o abandono forçado pela Comissão Europeia da descida da TSU para trabalhadores com salários mais baixos.
Mário Centeno e António Costa durante o debate do Orçamento do Estado. Foto Mário Cruz/Lusa

Apesar da campanha da direita nos fóruns internacionais, agitando o fantasma da instabilidade e irrealismo da proposta de Orçamento de Estado, dois atores de primeira linha dos mercados financeiros – a agência de rating Moodys e o gigante da banca Barclays – vieram a público aplaudir a aprovação do Orçamento de Estado e a maioria que lhe garantiu solidez política no parlamento.

O relatório da Moody’s divulgado esta quinta-feira diz que o OE2016 demonstra “a capacidade e vontade do Governo em inverter o curso dos acontecimentos e apresenta um rumo fiscal mais realista que o apresentado no primeiro esboço do Orçamento". Apesar de elogiar o desvio significativo em relação ao esboço de Orçamento enviado para Bruxelas, a Moody’s acaba por censurar uma das alterações ao esboço, feita precisamente por imposição da Comissão Europeia. Trata-se do abandono da redução da TSU para os trabalhadores com salários mais baixos, medida que permitiria uma recuperação maior do rendimento para estes trabalhadores, sem prejuízo da pensão futura.

Para esta agência de rating, as metas previstas para o défice deste ano pelo governo português continuam a ser otimistas, dado que a previsão de crescimento da Moody’s se encontra duas décimas abaixo da do governo.

Na reação à aprovação do OE2016, também os analistas do Barclays responsáveis pelas análises à economia portuguesa vieram esta quarta-feira congratular-se com “a unidade demonstrada pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e o Partido Socialista relativamente à aprovação do Orçamento”. O gigante bancário europeu  considera-a “um sinal bem-vindo” e que “pode ter implicações positivas nos mercados de obrigações e nos ratings das agência de crédito”.

Os analistas do Barclays apontam “o alto endividamento privado e público e os balanços frágeis do sistema bancário” como sendo “uma restrição chave para um crescimento sustentável mais forte”.

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