Manipulação da taxa Euribor sob investigação

O escândalo partiu do Reino Unido mas a investigação já incide sobre pelo menos quatro dos maiores bancos europeus: Crédit Agricole, HSBC, Deutsche Bank e Société Générale. O elo de ligação entre os quatro é um antigo corretor do Barclays.
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O escândalo partiu do Reino Unido mas a investigação já incide sobre pelo menos quatro dos maiores bancos europeus: Crédit Agricole, HSBC, Deutsche Bank e Société Générale. O elo de ligação entre os quatro é um antigo corretor do Barclays.

Segundo informou o Financial Times, a Comissão norte-americana de regulação do mercado de futuros tinha acusado um corretor de ter "orquestrado a tentativa de alinhar as estratégias de corretagem entre corretores de vários bancos […] de forma a lucrar das suas posições nos mercados de futuros".

Mais tarde soube-se que o corretor em causa era Philippe Moryoussef, que trabalhou para o Barclays entre 2005 e 2007, e contactou vários corretores conhecidos noutros bancos com a finalidade de manipular as transações de permutas (swaps) a três meses indexadas à Euribor.

O envolvimento dos bancos europeus no esquema de manipulação da Euribor começou anos antes de rebentar a crise financeira. O Deutsche Bank anunciou ter recebido notificações para dar informações a alguns governos e entidades reguladoras relativas a vários períodos entre 2005 e 2011.

Segundo o diário alemão Der Spiegel, o banco pediu à Comissão Europeia e às autoridades suíças que investigam o escândalo da Libor para lhe ser concedido o estatuto de "arrependido" - à semelhança do Barclay's e da Union de Banques Suisses (UBS) - e assim evitar penas pesadas no fim do processo. Mas esse estatuto já não poderá ser assegurado ao Deutsche Bank nas investigações que decorrem em Inglaterra e nos Estados Unidos. Os restantes bancos também dizem estar a colaborar com as investigações e sublinham que até agora ninguém foi acusado de nenhum crime.

Graças à colaboração que garantiou um desconto de 30% na multa, o Barclays foi até agora a primeira vítima de sanções no escândalo da manipulação da Libor, tendo pago 362 milhões de euros às autoridades financeiras do Reino Unido e dos Estados Unidos.  Bob Diamond, CEO do Barclays, apresentou também a sua demissão do banco, tendo recebido uma indemnização de cerca de 2,5 milhões de euros.

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Dossier

Esta infografia do New York Times resume o que é a Libor e como a sua manipulação afetou empréstimos e hipotecas desdde 2005.

Boa parte da cobertura mediática do escândalo Libor centrou-se nas formas como o Barclays tentou manipular a taxa para baixo durante a crise financeira, para fazer o banco parecer mais seguro. Isso levou alguns ouvintes a fazerem uma boa pergunta: se as taxas foram empurradas para baixo, isso não ajuda os consumidores? Por Robert Smith, da NPR.

A Autoridade dos Serviços Financeiros é o suposto regulador da City londrino, mas documentos internos "devastadores" revelam que ela coordenou secretamente estratégias de lóbi ao mais alto nível com a indústria que devia investigar. Artigo de Melanie Newman.

O escândalo partiu do Reino Unido mas a investigação já incide sobre pelo menos quatro dos maiores bancos europeus: Crédit Agricole, HSBC, Deutsche Bank e Société Générale. O elo de ligação entre os quatro é um antigo corretor do Barclays.

A tese mediática da "maçã podre" já não resulta. Estamos a assistir à corrupção sistémica da banca - e à conspiração sistémica. Por Naomi Wolf.

Manipulações sobre as taxas de juro? É um tema aborrecido, mas o escândalo que envolve o banco inglês Barclays pela manipulação de informação para fixar a taxa Libor afeta a vida quotidiana de milhões de pessoas em todo o mundo. Por Alejandro Nadal.

O escândalo envolve cerca de 20 grandes bancos internacionais e um mercado de cerca de 50 biliões de dólares, quatro vezes o PIB dos Estados Unidos. Entrevista a Michael Moran, professor de Economia do Centro de Investigação de Mudança Sócio-Cultural (CRESC), da U. de Manchester, por Marcelo Justo/Carta Maior.

Alguns gigantes da banca mundial – aqueles que apostam contra as dívidas públicas e recolhem os juros pagos com os sacrifícios dos povos – andaram nos últimos anos a manipular as taxas de juro de referência para lucrarem ainda mais com a desgraça alheia.

O direito tem um conjunto de escritores nos quais pode confiar para defender e inclusivamente babar a elite dos criminosos de colarinho branco, mas o centro conseguiu produzir gente ansiosa para defender mentiras. Artigo de William K. Black.

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