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Greve geral mobilizou sociedade contra a austeridade

As medidas de austeridade no Orçamento de Estado para 2012 motivaram a convocatória de uma greve geral conjunta da CGTP e UGT, considerada a maior de sempre e que pela primeira vez contou com uma grande manifestação em Lisboa. Para a história fica também a intervenção policial, que reprimiu os piquetes de greve e infiltrou agentes provocadores na manifestação.
Pedro Filipe Soares no piquete na Huber, S. M. Feira, uma das muitas empresas que fecharam na Greve Geral

A greve ocorreu exatamente um ano após a última greve geral contra o Governo de José Sócrates, mas a mobilização foi maior do que em 2010. CGTP e UGT uniram-se na convocatória do protesto do dia 24 de novembro que sublinhou a recusa do plano da troika para empobrecer o país e transferir mais rendimento dos trabalhadores para o lado do capital.

Nos transportes públicos das principais cidades a paralisação foi quase total, com Lisboa sem metro, barcos e comboio e com alguns autocarros a circular devido à intervenção policial nos piquetes de greve na Carris durante a madrugada. Os portos e aeroportos também encerraram, bem como inúmeras escolas. No Porto apenas circulou a linha amarela do Metro com troço e oferta reduzida e registou-se uma forte adesão no setor privado, com destaque para os setores da metalurgia, construção, indústrias elétricas, pequeno comércio ou restauração.  

Para além da mobilização que fez parar boa parte da produção do país, houve uma manifestação em Lisboa, promovida promovida pela CGTP e pela Plataforma 15 de outubro, que juntou muitos milhares de grevistas em frente à Assembleia da República.

Carvalho da Silva afirmou que a greve foi “uma mensagem clara contra o aumento da exploração e contra o empobrecimento” e João Proença acusou o Governo de manipular os dados da adesão à greve, sublinhando que “o documento que o governo pôs cá fora às 11h30 é uma vergonha e ultrapassa os limites da decência”.

Para além da repressão aos piquetes, o dia de greve geral ficou ainda marcado pela ação policial na manifestação em São Bento, onde agentes policiais à paisana foram identificados em imagens televisivas e fotografias na primeira linha junto às barreiras policiais a provocarem os seus colegas de profissão e a derrubarem essas barreiras para provocarem uma resposta violenta. Mais tarde, os mesmos agentes a, que foram depois levados a tribunal. Foram todos absolvidos, à exceção dos que tiveram a defesa a cargo de advogados oficiosos, condenados a pena suspensa.

A greve geral em Portugal atravessou a fronteira com a Galiza, onde a Confederação Intersindical organizou uma concentração de solidariedade em frente aos consulados de Portugal em Vigo e Ourense.

Resto dossier

Este foi um ano marcado pela crise económica e política, com o país a ser entregue às mãos dos credores. À custa de cortes salariais e do desmantelamento dos serviços públicos, é o rendimento dos trabalhadores que se transfere para a banca do centro da Europa. Portugal não vai ter saudades de 2011. Dossier coordenado por Luís Branco.
 

O Governo de Passos Coelho assumiu que a sua receita é empobrecer o país e sacrificá-lo à troika na maior recessão desde 1975. As medidas subscritas pelo PSD, CDS e PS cortam salários, pensões e serviços públicos e aumentam o desemprego e a emigração.

Mais de 300 mil pessoas juntaram-se num protesto inédito nas capitais de distrito, convocado nas redes sociais em nome da democracia e contra a precariedade que atinge boa parte dos trabalhadores jovens. A iniciativa teve sequência meses depois no protesto do 15 de outubro e numa iniciativa legislativa popular a apresentar no parlamento no início de 2012.

O velho sonho de Sá Carneiro foi concretizado, mas não da forma que o fundador do PSD imaginava. A direita gere o país como um protetorado e cumpre as ordens emanadas por Berlim e Bruxelas: mergulhar a economia na recessão e transferir a riqueza para os credores da banca europeia.

As medidas de austeridade no Orçamento de Estado para 2012 motivaram a convocatória de uma greve geral conjunta da CGTP e UGT, considerada a maior de sempre e que pela primeira vez contou com uma grande manifestação em Lisboa. Para a história fica também a intervenção policial, que reprimiu os piquetes de greve e infiltrou agentes provocadores na manifestação.

Só em juros e comissões, o país vai pagar mais de 35 mil milhões, quase metade do valor do empréstimo. E há 12 mil milhões que vão diretamente para a recapitalização da banca, poupando os seus acionistas a arriscar mais capital. Se lhe somarmos a transferência dos seus fundos de pensões para o Estado, a operação resulta num 'duplo jackpot' para os banqueiros, à custa dos sacrifícios dos trabalhadores.

Pela primeira vez desde o 25 de abril, o PSD/Madeira não conquistou os votos da maioria dos madeirenses. Depois duma campanha marcada pela descoberta da dimensão do buraco das contas da Região, Jardim conservou por escassa margem a maioria absoluta no parlamento.

A violência policial em Portugal continuou a fazer manchetes em 2011 e pela primeira vez foi desmascarada a utilização de agentes provocadores em manifestações por parte da PSP, no dia da greve geral.

Numa entrevista dada em dezembro, o primeiro ministro avisou os jovens que as suas pensões de reforma vão valer metade do que valem hoje e aconselhou os professores desempregados a emigrar para Brasil ou Angola.

Depois de recolherem 12 mil assinaturas numa petição a contestar a cobrança de dívidas da segurança social que deviam ter sido pagas pelos patrões, os movimentos de precários não pouparam o ministro Pedro Mota Soares, que ameaçou os precários de prisão penhoras e pô-los a pagar num escalão acima do que seria devido.

Cerca de 700 pessoas responderam no dia 17 de dezembro ao apelo para dar início ao trabalho de auditoria cidadã da dívida portuguesa. O objetivo é separar o trigo do joio e identificar os abusos que têm sido cometidos contra os interesses dos contribuintes para alimentar negócios milionários em proveito da banca e das empresas privadas.

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