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De que é a esquerda não pode abdicar?

A esquerda tem a obrigação de quebrar o “monopólio dos profissionais” políticos, em que a uns é dada a função de fazer a política e a outros é dada a possibilidade de os seguir ou apoiar. A esquerda deve ser capaz de envolver todos e todas, deve ser inclusiva, pedagógica. Basta lembrar os tempos do PREC, as canções do GAC ou os cadernos de educação popular, para perceber que uma verdadeira esquerda quer – autenticamente – que todos as pessoas se assumam como atores políticos. Por Inês Barbosa, Investigadora, do movimento de cidadãos de Braga.
Foto de Paulete Matos
Da esquerda para a direita: João Semedo, Luís Moita, Inês Barbosa e Bruno Góis na sessão de abertura do Socialismo 2014. Foto de Paulete Matos

Muito do que direi nesta intervenção não é pessoal no sentido de ideias construídas apenas por mim, mas antes reflexões coletivas que provém das experiências no mundo associativo ou nos movimentos sociais, que decorrem das incursões académicas ou das discussões infindáveis com gente insatisfeita e gente improvável. Falo-vos também, como é óbvio, da vivência como cabeça-de-lista num movimento independente em Braga, onde pude experimentar o lado bonito e o lado negro da vida política.

Perante a pergunta: “de que é que a esquerda não deve abdicar?” a primeira e óbvia resposta que me vem à cabeça é de “a esquerda não deve abdicar de existir”.

Dizia-me há dias um desconhecido, num desses encontros improváveis que, “se deixássemos seguir o seu curso natural, o mundo seria de direita, porque se regeria pela lei do mais forte. E que, portanto, “a esquerda era a única forma de contrapor esse caminho”.

Claro que tal afirmação é questionável, sobretudo quando se aplica o adjetivo “natural” e claro que, felizmente, o mundo tem dado mostras de muito mais contradição no seu interior. Mas o que é facto é que a esquerda tem servido como força contrária ao individualismo, à ganância ou ao darwinismo social.

Mas existir não chega e se mais do que nunca a esquerda nos parece imprescindível, as condições atuais parecem pouco favoráveis à sua existência, deixando cada vez menos espaços de resistência.

É certo também de que nem sempre estaremos a falar da mesma esquerda. A esquerda que abandona o Estado Social, que cede às privatizações, que nos arremessa com os chavões da competitividade, do empreendedorismo, da empregabilidade pode ser considerada de esquerda? Não creio.

Mas existir não chega e se mais do que nunca a esquerda nos parece imprescindível, as condições atuais parecem pouco favoráveis à sua existência, deixando cada vez menos espaços de resistência.

Todos sabemos as linhas com que nos cosemos atualmente. Um país estrangulado pela dívida, esmagado pelo medo, paralisado pela falta de perspectivas de futuro. Direitos sociais e políticos conquistados - pelos meus pais, pelos vossos pais - continuamente atirados para a gaveta. Números que nunca conseguimos verdadeiramente contar: da precariedade, do desemprego, da emigração. E envolvendo tudo isso, um enorme pano consensual, inquestionável, cobre todas as dimensões da nossa vida: não há alternativa. E com isto as lutas vão arrefecendo. Quem condena o desempregado por não ir para a rua gritar? Quem culpa a mulher em dupla, tripla jornada, por não estar presente nos plenários do sindicato? Quem diz ao jovem que tem de batalhar pelo seu futuro se ele não consegue sequer mover-se no presente? O espírito de Salazar parece voltar a sussurrar: “a minha política é o meu trabalho.”

É por tudo isto que a esquerda não deve abdicar de existir, reagir e resistir. De que forma? Eis as minhas (nossas) hipóteses:

1. A esquerda não pode abdicar da crítica.

Já muitas vezes ouvimos que crítica e crise partem da mesma raiz da palavra. Não quero trazer à tona a retórica empreendedora de que é em tempos de crise que se criam oportunidades. Isso não é oportunidade, é oportunismo. Mas de facto, é em períodos de grave crise – económica, social, cultural, política – como os que atravessamos hoje que mais nos parece indispensável um olhar e uma ação crítica sobre a realidade. No sentido marxista do termo, mais do que nunca, precisamos de ferramentas críticas e radicais que nos permitam interpretar a realidade para a poder transformar. O desmontar do pensamento único e dos consensos fabricados e a procura de alternativas concretas são uma tarefa fundamental nesta era de austeridade e, felizmente, o Bloco de Esquerda não se tem mantido alheio a isso. Nem sempre com o sucesso que era necessário. Crítica também no sentido de auto-crítica e isso significa saber olhar para dentro, pensar em conjunto, despertos, inquietos e sem pudores, para descobrir o que está a falhar no interior desta esquerda, qual o seu papel perante o avolumar do polvo conservador e neoliberal? Qual o lugar da esquerda quando não lhe querem dar lugar?

E para isso...

2. A esquerda não pode abdicar de um projeto

De um horizonte que seja claro e credível, ancorado em princípios fortes que deem corpo a estratégias consistentes e a propostas concretas. Esse projeto socialista implica reivindicar e ser parte da luta de classes, nas suas várias formas – na empresa e no trabalho, nos sindicatos e nos novos movimentos laborais, mas também da luta contra a apropriação privada pela classe capitalista dos nossos bens comuns. Implica construir esse projeto com as armas críticas mais fortes que temos para compreender o mundo: os marxismos e as teorias críticas em diálogo com eles. Implica sermos intransigentes. Intransigentes e coerentes a cada momento. Porque a justiça, a liberdade, a democracia não são apanágios de uns ou palavras ocas, mas conceitos e práticas que não podem fugir nunca do nosso horizonte. E, por isso, também não há causas menores, como parece haver para determinadas esquerdas neste país. Os direitos das mulheres, das minorias étnicas, dos gays, lésbicas, transsexuais não podem ficar fechados em armários, à espera que a dívida pública desça ou que o desemprego diminua.

3. A esquerda não deve abdicar das pessoas.

A esquerda – em que eu acredito – tem a obrigação de quebrar o “monopólio dos profissionais” políticos, em que a uns é dada a função de fazer a política e a outros é dada a possibilidade de os seguir ou apoiar. A esquerda deve ser capaz de envolver todos e todas, deve ser inclusiva, pedagógica. Basta lembrar os tempos do PREC, as canções do GAC ou os cadernos de educação popular, para perceber que uma verdadeira esquerda quer – autenticamente – que todos as pessoas se assumam como atores políticos. E para isso procura formas, processos, espaços que abram oportunidades para que essa demanda se torne realidade. As campanhas dos movimentos independentes de Braga, Coimbra, mas também do Bloco de Esquerda, no Porto e outras que não tive oportunidade de conhecer tão de perto, são um claro exemplo de que como não só é possível, como é desejável e urgente.

Porque...

4. A esquerda não deve abdicar da democracia.

Se como dizia Humpty Dumpty, na Alice, o poder das palavras está no poder daqueles que as proferem, é mais que tempo que recuperar essa palavra, que tem convivido muito bem com o neoliberalismo e que ao longo dos tempos se tem tornado cada vez mais vazia, gasta, abusada. Antes de tudo, significa pensar a democracia – sempre – como algo polifacetado. A democracia não se refere apenas ao momento em que exercemos o nosso direito de voto, ou até quando participamos numa assembleia ou assinamos uma petição. Não há democracia se não temos acesso a cuidados de saúde, à educação ou à cultura. Não há democracia se não podemos fazer greve porque corremos o risco de ser dispensados. Não há democracia se não temos como pagar o pão. Isso tem de ser claro. Reabilitar a democracia significa também fazer aquilo a que Boaventura Sousa Santos chama de “democratização da democracia”, essa “mobilização da imaginação política”, através do recriar e reinventar de espaços, experiências e processos de exercício da cidadania, onde cada pessoa possa ter voz.

E por isso,

5. A esquerda não deve abdicar do diálogo.

Diálogo em contraponto com o monólogo opressor, como sempre nos lembrava Paulo Freire. Um diálogo que se baseia numa postura de escuta atenta e que, portanto, se adapta aos interlocutores, porque realmente os quer perceber e porque acredita que o seu contributo é importante. Quando, durante a campanha, fizemos o Fórum Participativo com crianças e adolescentes para discutir a cidade ou os círculos de discussão com a população cigana dos bairros sociais – experiências que para mim fizeram parte do lado bonito da política – foi absolutamente visível como é fácil – quando se empenha nesse sentido – transformar ideias difusas ou pouco elaboradas em propostas concretas, válidas e necessárias. Essa capacidade de diálogo e esses processos de mobilização não podem ser desperdiçados.

Porque...

6. A esquerda também não pode abdicar do poder.

Dizia-me há dias um amigo, mais um improvável, que até já desistiu de votar, que “a esquerda não se deve sentir pequena.” De facto, se a esquerda quer alcançar algum propósito, se quer contribuir para a transformação, terá de subir nos seus tamancos, terá de ser maior e mais forte. Terá de ser capaz de influenciar o espaço público. E, para isso, são inevitáveis as convergências - essa expressão que começa já a causar arrepios e nós no estômago. Mas convergências não é o mesmo que ceder a pressões internas ou externas, nem embrenhar-se em consensos e negociações hesitantes ou hipócritas. Convergência é a possibilidade de um diálogo crítico, consciente, criativo, coletivo e comprometido, em torno de um projeto comum, que possibilite a construção de alternativas e de uma contra-hegemonia de esquerda. Implica, portanto, acolher os insatisfeitos, os que acreditaram e deixaram de acreditar, os que foram embora, os improváveis de que vos falo. Implica também adaptar as estruturas, abrir espaço a outras formas de militância mais fluídas, mais intermitentes. Porque todos juntos somos poucos.

7. A esquerda não deve abdicar da esperança.

Não a esperança disneyland, romântica, naif, o “estamos no bom caminho”, do Passos Coelho. Mas a esperança politizada com projeto emancipatório e que busca futuros possíveis, através do exercício da resistência. O inédito-viável de que – novamente – Paulo Freire nos falava e que reporta para um olhar sobre a História não como pré-determinado, mas como repleto de possibilidades, apoiado na crença da capacidade do homem e da mulher de assumirem o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo. A esperança que arruma com o ideologia fatalista e imobilizante, não há alternativa. Há pois! A política – no meu entender – faz-se acreditando. Nas palavras de Brecht, “nada deve parecer impossível de mudar.” E é também responsabilidade da esquerda reabilitar a esperança e a confiança das pessoas na democracia, na política e na sua própria capacidade – e legitimidade – para agir e transformar.

E como não podia deixar de ser,

8. A esquerda não pode, não deve, abdicar da revolução.

Não sabemos em que moldes, por que protagonistas ou em que tempo. Não sabemos sequer se voltaremos a ter uma revolução daquelas com direito a ficar marcada nos livros de História. Mas é preciso manter a revolução no horizonte. E para isso temos de ser radicais. E inconformados e exigentes. Não queremos passar um pano de pó nas injustiças, não queremos fintar as opressões, não queremos retoques cosméticos em tudo o que de mal grassa neste mundo. Queremos uma transformação radical na forma como a sociedade se estrutura. Queremos uma sociedade anti-capitalista, anti-patriarcal, anti-colonialista, anti-homofóbica. E esse é o nosso maior compromisso. Façamos pois, o exercício que Daniel Bensaid nos propõe, a “lenta impaciência” de uma revolução permanente, que seja processo e seja fim, “ruptura e continuidade”, feita de micro-resistências que não nos impedem de ver onde queremos chegar no combate final.

Da minha experiência que é pouca, do meu conhecimento que é insuficiente, do meu olhar que é externo, estes seriam os pedidos que faria ao Bloco de Esquerda. Afinal, é por causa dele que aqui estamos todos hoje. Como já tive oportunidade de vos dizer um dia, este é um partido de pessoas que pensa muito. E que acredita e que luta. Com o coração, com as mãos, com os dentes cerrados. E muitas vezes ao contrário. Façamos uso disso para ajudar a dar a volta. Está mais do que na hora.

Inês Barbosa

29.08.2014

Resto dossier

Fórum Socialismo 2014

O Fórum Socialismo 2014 – Debates para a Alternativa reuniu 320 pessoas em Évora, entre os dias 29 e 31 de agosto, que participaram em cerca de 40 sessões plenárias, mesas redondas, painéis e conversas. 

Impõe-se que o processo de privatização dos transportes em Lisboa e no Porto seja imediatamente suspenso e que o Governo negoceie a transferência da gestão e propriedade. Foto de Michael Day

Privatizações dos transportes: é bom para quem?

O atual Governo tem prosseguido uma política de destruição dos transportes públicos.

Thomas Piketty. Foto de Sue Gardner

O que há de novo em Thomas Piketty?

É indisfarçável o incómodo dos economistas liberais com o Capital no Século XXI. Atribuiem à obra um fundamentalismo ideológico, esgravatam para desmentir a realidade dos dados, convidam-no a estudar as experiências soviéticas. Por Gonçalo Pessa.

Foto de Paulete Matos

De que é a esquerda não pode abdicar?

A esquerda tem a obrigação de quebrar o “monopólio dos profissionais” políticos, em que a uns é dada a função de fazer a política e a outros é dada a possibilidade de os seguir ou apoiar. A esquerda deve ser capaz de envolver todos e todas, deve ser inclusiva, pedagógica. Basta lembrar os tempos do PREC, as canções do GAC ou os cadernos de educação popular, para perceber que uma verdadeira esquerda quer – autenticamente – que todos as pessoas se assumam como atores políticos. Por Inês Barbosa, Investigadora, do movimento de cidadãos de Braga.

Catarina Martins: “Nós já pagamos, só nos falta mandar”. Foto de Paulete Matos

Bloco contra a reprivatização do Novo Banco e pelo controlo público da banca

Catarina Martins afirma que o Estado “não pode limpar um banco sistémico e devolvê-lo, limpinho, a banqueiros privados que provaram não ter vocação para gerir bancos”. Considerando que esta intervenção deve ter retorno para os contribuintes, a coordenadora do Bloco defende o controlo público sobre todo o sistema bancário.  

Semedo: Bloco defende convergência, mas não uma mera alternância

O coordenador do Bloco de Esquerda afirmou na abertura do Fórum Socialismo 2014 que da disputa interna no PS não vai nascer uma alternativa de esquerda. João Semedo sublinhou que o Bloco defende “a convergência, o diálogo e a aproximação”, mas não está disponível “para dar o braço a quem faz da política uma simples rotação”.

 Foto de Paulete Matos

Francisco Louçã: Portugal precisa de união muito forte contra a austeridade

No Fórum Socialismo 2014, Francisco Louçã defendeu a necessidade de “uma união muito forte” em Portugal contra a austeridade, alertando que o país tem “20 anos de protetorado pela frente”, o que o torna numa “democracia pequenina”.

João Ferreira do Amaral foi entrevistado pelo Esquerda.net

“É benéfico para Portugal sair do euro”

O economista João Ferreira do Amaral defendeu no Fórum Socialismo 2014 que Portugal não tem sustentabilidade na zona euro, e que a saída seria fundamentalmente a forma de reforçar o crescimento económico e alterar a estrutura produtiva do país no sentido de uma melhor inserção na globalização.

Pedro Filipe Soares: BES foi alvo de gestão danosa pela família que o detinha e objeto de um saque.

BES: “Maioria governamental não pode ser força de bloqueio em comissão de inquérito”

Num debate no Fórum Socialismo 2014, Pedro Filipe Soares salientou também: “O Governo tinha prometido que nem um cêntimo dos contribuintes ficaria em risco. O que vemos agora é que não são cêntimos, são centenas de milhões que poderão estar em causa com esta solução”.

Marc Blyth

Austeridade: História de uma ideia perigosa

Apresentação de Mariana Mortágua sobre a história da austeridade com base no livro de Marc Blyth Austerity: "The History of a Dangerous Idea".

“Por uma Europa dos povos e dos direitos sociais, contra a que aniquila o Estado social”

No Fórum Socialismo 2014, Marisa Matias salientou que os casos da Grécia e de Espanha, dão “esperança” numa “Europa que volte a ser a Europa dos povos e dos direitos sociais. Miguel Urban, do partido espanhol Podemos, afirmou que “não democratizar a Europa” será “o pior” que se pode “fazer aos povos europeus e o melhor aliado” para a extrema-direita.

Apesar do seu louvor ao campo e às ‘alegrias do trabalho agrícola’, nem Salazar nem Cavaco Silva delinearam estratégias para desenvolver esta atividade e o mundo rural em Portugal.

‘Old Wine in New Bottles’?

O que (não) há de novo no horizonte (2020) para o desenvolvimento rural e a agricultura em Portugal. Por Elisabete Figueiredo.

A crítica à presença exagerada do futebol nos media deve ser realizada a partir da vontade de conhecer o fenómeno, tanto do ponto de vista histórico, como a partir da sua inscrição social contemporânea.

Futebol: o ópio do povo?

Apresentamos aqui os pontos de vista de Óscar Mascarenhas e de Nuno Domingos sobre o mais popular desporto de Portugal.

A regressão social que vivemos, com o desmantelamento do Estado Social e com a redução de salários e de direitos, faz aparecer alternativas que fogem ao confronto com o capitalismo. Foto de Paulete Matos

Rendimento Básico Incondicional (1)

A mesa redonda sobre o Rendimento Básico Incondicional apresentou dois pontos de vista. Pra Adriano Campos e Ricardo Moreira, desistir da exigência do pleno emprego é anunciar a morte do direito ao trabalho.

As políticas redistributivas, além de se terem revelado ineficazes, têm também provocado nas pessoas uma atitude de desconfiança em relação ao Estado social. Foto de Paulete Matos

Rendimento Básico Incondicional (2)

A mesa redonda sobre o Rendimento Básico Incondicional apresentou dois pontos de vista. Neste artigo, Roberto Merrill examina a crítica ao RBI que considera a mais pertinente – a “objeção da exploração”.  

Trabalhos de casa

Trabalhos de casa: são uma seca? (1)

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Falta tempo às crianças para brincar e para interagir com os seus pares. Os tempos livres foram capturados.

"Trabalhos de casa": são uma seca? (2)

Na mesa redonda sobre os TPC apresentaram-se dois pontos de vista diferentes. Aqui, o texto de Serafim Duarte.

Fotogaleria do Socialismo 2014

Acompanhe o olhar da fotógrafa Paulete Matos, que acompanhou o Fórum Socialismo 2014 - Debates da Alternativa.

Em setembro de 2012, mais de cem mil pessoas manifestaram-se em Paris contra o Tratado Orçamental que Hollande ratificou. Foto André Fernandes

O que é o Tratado Orçamental?

Porque é que é irrealista cumprir este Tratado? Os dados históricos revelam-nos que os saldos orçamentais estruturais, mesmo os dos países do centro da UE, muito raramente cumprem os requisitos estipulados no Tratado. Por Samuel Cardoso.

Neoliberalismo, fetichismo técnico-cientificista e ciência

As instituições académicas e científicas têm perdido autonomia relativa face aos imperativos dos mercados e da lógica capitalista, o que, no momento atual, parece desfazer o ganho e a construção histórica e institucional do campo científico e académico como campo semi-autónomo de poder e de construção de conhecimento amplamente útil, crítico e reflexivo. Por Tiago Lapa

Etiquetas do movimento Open Data. Foto de Jonathan Gray

Dados e transparência para um ativismo esclarecido

Os movimentos "open data" são um desenvolvimento recente e localizado de luta pelo acesso à informação pública, e têm vindo a obter frutos em vários países, incluindo a UE, incentivando os governos e agentes políticos a publicar livremente a informação pública. Por Ricardo Lafuente

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Nos últimos anos os movimentos trans (transexuais e transgénero) têm vindo a confluir numa reivindicação base muito concreta, mas nem por isso tão fácil de colocar em prática: o reconhecimento legal da identidade de género. Por Júlia Mendes Pereira

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Os drones estão a ajudar à criação de um estado de guerra permanente, banalizando o uso da força letal e erodindo os direitos humanos, facilitando a escalada da guerra.  

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