Alguns gigantes da banca mundial – aqueles que apostam contra as dívidas públicas e recolhem os juros pagos com os sacrifícios dos povos – andaram nos últimos anos a manipular as taxas de juro de referência para lucrarem ainda mais com a desgraça alheia.
Foto Antonio Marín Segovia/Flickr
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Alguns gigantes da banca mundial – aqueles que apostam contra as dívidas públicas e recolhem os juros pagos com os sacrifícios dos povos – andaram nos últimos anos a manipular as taxas de juro de referência para lucrarem ainda mais com a desgraça alheia.
O escândalo da manipulação das taxas de juro começou em Inglaterra mas alastra rapidamente. Não é só o Barclays, cujo presidente caiu em desgraça mas a tempo de abrir um "pára-quedas dourado" de 2,53 milhões de euros. RBS, HSBC, Citigroup, Deutsche Bank, JP Morgan e UBS são outras instituições financeiras na mira das investigações. Tudo indica que não se limitaram a manipular a taxa Libor, mas também a Euribor, que serve de referência aos empréstimos que os cidadãos e as empresas portuguesas contraem.
Quem pagou empréstimos ao banco nos últimos quinze anos ficou agora a saber que o juro incluiu uma sobretaxa criminosa cobrada pelo sistema financeiro. Mas quem viu os seus bens executados ou perdeu a casa por não conseguir pagar esses juros, pouco poderá fazer para ver o dinheiro de volta.
Acontece que muitos desses bancos sob suspeita de manipulação - os investigadores britânicos e norte-americanos falam numa prática generalizada e não em casos pontuais de executivos particularmente gananciosos - são detentores de parte da dívida portuguesa e cobram-nos juros incomportáveis para o crescimento da nossa economia.
Como o Bloco de Esquerda acaba de propor, a abolição parcial da dívida portuguesa aos credores estatais (a troika BCE/UE/FMI) é uma questão de sobrevivência. Mas o corte substancial na dívida detida pela banca privada que roubou o país nos últimos anos é também uma questão de decência.
A manipulação das taxas de juro foi um roubo organizado pelo conjunto do sistema financeiro que prejudicou muito as pessoas. É bom não esquecer isso da próxima vez que o Presidente e o Governo nos vierem falar da necessidade de "honrarmos os nossos compromissos com os mercados".
Resto do dossier:
Esta infografia do New York Times resume o que é a Libor e como a sua manipulação afetou empréstimos e hipotecas desdde 2005.
Boa parte da cobertura mediática do escândalo Libor centrou-se nas formas como o Barclays tentou manipular a taxa para baixo durante a crise financeira, para fazer o banco parecer mais seguro. Isso levou alguns ouvintes a fazerem uma boa pergunta: se as taxas foram empurradas para baixo, isso não ajuda os consumidores? Por Robert Smith, da NPR.
A Autoridade dos Serviços Financeiros é o suposto regulador da City londrino, mas documentos internos "devastadores" revelam que ela coordenou secretamente estratégias de lóbi ao mais alto nível com a indústria que devia investigar. Artigo de Melanie Newman.
O escândalo partiu do Reino Unido mas a investigação já incide sobre pelo menos quatro dos maiores bancos europeus: Crédit Agricole, HSBC, Deutsche Bank e Société Générale. O elo de ligação entre os quatro é um antigo corretor do Barclays.
A tese mediática da "maçã podre" já não resulta. Estamos a assistir à corrupção sistémica da banca - e à conspiração sistémica. Por Naomi Wolf.
Manipulações sobre as taxas de juro? É um tema aborrecido, mas o escândalo que envolve o banco inglês Barclays pela manipulação de informação para fixar a taxa Libor afeta a vida quotidiana de milhões de pessoas em todo o mundo. Por Alejandro Nadal.
O escândalo envolve cerca de 20 grandes bancos internacionais e um mercado de cerca de 50 biliões de dólares, quatro vezes o PIB dos Estados Unidos. Entrevista a Michael Moran, professor de Economia do Centro de Investigação de Mudança Sócio-Cultural (CRESC), da U. de Manchester, por Marcelo Justo/Carta Maior.
Alguns gigantes da banca mundial – aqueles que apostam contra as dívidas públicas e recolhem os juros pagos com os sacrifícios dos povos – andaram nos últimos anos a manipular as taxas de juro de referência para lucrarem ainda mais com a desgraça alheia.
O direito tem um conjunto de escritores nos quais pode confiar para defender e inclusivamente babar a elite dos criminosos de colarinho branco, mas o centro conseguiu produzir gente ansiosa para defender mentiras. Artigo de William K. Black.
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Comentários
E cá no burgo? Já para não falar de má fé na interpretação de contratos para manipulação do spread contratado. Já para não falar de que de tais práticas tinha o Banco de Portugal conhecimento e nada de concreto fez. Já para não falar de que a taxa de spread diminui se tiveres cartão de crédito e te endividares mais. Já para não falar de que não hé ninguém que pareça regular os limites deste falso conceito de "risco". Já para não falar de tudo isto na primeira pessoa e do tempo e dinheiro (porque tempo ainda era dinheiro há uns anos) que perdi com isto - para nada. Aumento de spread porque alegaamente não cumprimos as condições contratuais que exigiam entre outras coisas ter cartão de crédito. O meu contrato nada diz a este respeito, o Banco de Portugal foi informado deste facto (esta estória tem talvez uns dois anos) - nada fez para além de dizer que se trata de questões comerciais (???). Para mais informação detalhada e caso tenha interesse tenho a documentação organizada.
O que estava em jogo? sobretudo aparentar uma saúde dos activos dos bancos que construíam essa taxa entre eles, segundo o que eles emprestavam uns aos outros. Ou seja, a taxa LIBOR é resultante do mercado de empréstimos a curto e médio prazo inter-bancário.Isso foi sobretudo manipulado para baixo, com o objectivo de dar uma falsa ideia de confiança recíproca e portanto fazendo com que os títulos desses mesmos bancos estivessem melhor cotados de que deveriam. O raciocínio é simples: um banco que inspira confiança a outros bancos obtém juro de empréstimo interbancário mais baixo. Logo, esse banco terá melhor cotação do mercado de títulos.
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