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1936: Quando Hitler usou os Jogos para a propaganda do Reich

No dia 1 de Agosto de 1936, ditador nazi Adolf Hitler abria oficialmente os Jogos Olímpicos de Berlim. Com a economia recuperada depois da derrota na Primeira Guerra Mundial, Hitler convencera os membros do Comité Olímpico Internacional (COI) de que Berlim seria ideal para a realização da Olimpíada daquele ano.

Do Deutsche Welle

Pela primeira vez, uma ditadura sediava o evento mundial. "Declaro aberta a 11ª edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna em Berlim", declarou Hitler no pronunciamento que deu início às disputas.

A competição mundial foi precursora em diversos aspectos. Além do panorama político, as Olimpíadas também foram as primeiras televisionadas da história. A televisão, invenção de 1926 do escocês John Baird, transmitiu através de três câmaras algo que seria um projecto experimental para a expansão da informação em todo o mundo. O controlo de imagens era realizado por autoridades do regime, que censuravam tudo o que pudesse prejudicar a imagem do país.

Propaganda nazi

Sabendo da eficácia da TV como meio de propaganda política, o ministro nazi Joseph Goebbels encomendou um filme que retratasse a supremacia dos atletas "arianos" frente aos outros desportistas. Sob a direcção de Leni Riefenstahl, foi rodado o filme Götter des Stadions (Deuses do Estádio), que registou em mais de 300 quilómetros de película os principais resultados daquela Olimpíada para os alemães.

Outra novidade dos Jogos de 1936 foi a chegada da tocha olímpica directamente de Atenas, onde foram realizadas as primeiras competições, até à cidade-sede do evento daquele ano. A chama queimou durante 11 dias até chegar à capital alemã, no dia da abertura da competição internacional, para acender a pira olímpica. Ao final da cerimónia, 100 mil alemães gritaram "Heil Hitler" (Salve Hitler) e mais de 20 mil pombos brancos foram soltos nos céus de Berlim.

Frustração do Führer

Temendo um boicote, principalmente dos Estados Unidos, Hitler não interferiu na decisão dos norte-americanos de colocar negros e judeus na sua delegação. Para enorme desgosto do regime nazi, a maior revelação das competições foi Jesse Owens, um atleta americano e, ainda por cima, negro.

Jesse Owens conquistou quatro medalhas de ouro. Hitler recusou-se a entregar as medalhas e enfureceu-se com o atleta alemão, concorrente de Owens, Lutz Long, que além de ajudar o norte-americano a conquistar a medalha de ouro ainda o parabenizou pela conquista com um abraço.

Apesar da grandiosa conquista americana, nada disso foi divulgado pela imprensa alemã. Goebbels proibiu notícias sobre as vitórias dos negros norte-americanos nos jornais alemães. O patamar mais elevado do pódio só poderia ser ocupado por alemães.

A Alemanha terminou a Olimpíada com o melhor saldo entre os países participantes: 33 medalhas de ouro, 26 de prata e 30 de bronze contra 24 de ouro, 20 de prata e 12 de bronze dos Estados Unidos. O resultado, entretanto, não agradou a Hitler, que esperava dos atletas alemães pelo menos 60 medalhas de ouro.

Em 1939, a Alemanha invadiu a Polónia, dando início à Segunda Guerra Mundial. O conflito impediu a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1940, e de Londres, em 1944.

Resto dossier

Jogos Olímpicos

Com os Jogos Olímpicos de Pequim, o governo chinês quer mostrar ao mundo que o país entrou definitivamente na categoria das superpotências. Mas não está a conseguir livrar-se das acusações de violações de direitos humanos e de aplicar o capitalismo mais selvagem, que já criou 250 mil milionários, mas onde 700 milhões vivem com menos de dois euros por dia. No dossier, além dos artigos sobre os Jogos de 2008, passamos em revista a história das Olimpíadas da Era Antiga e da Era Moderna, e lembramos dois episódios em especial: a manipulação fracassada de Hitler em 1936, e o protesto dos negros dos EUA em 1968.

A segurança, a imagem e a Revolução Cultural Olímpica

O excesso de zelo com a imagem da China e as medidas de segurança extremas adoptadas em Pequim correm o risco de transformar estas Olimpíadas na mais sem graça, reprimida e tensa competição da História dos Jogos Olímpicos, ainda que o porta-voz do Comando de Segurança do Comité Organizador dos Jogos de Pequim (Bocog, da sigla em inglês), Liu Shaowu, garanta que o governo chinês está a dar o melhor de si para conciliar diversão e tranquilidade.

História: Os Jogos Olímpicos da Era Moderna

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Durante os Jogos, os peticionários não são benvindos

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História: Os Jogos Olímpicos da Antiguidade

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As muitas faces de uma Olimpíada chinesa

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1968: A luta contra o racismo irrompe nas Olimpíadas

Os Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México, ficaram famosos pelos protestos inéditos contra o racismo protagonizados por atletas afro-americanos. Nesta entrevista, Lee Evans, medalha de ouro nos 400 metros em 68 e membro do Projecto Olímpico Pelos Direitos Humanos, esclarece ao pormenor como tudo se passou, desde as estratégias para lidar com os media até à forma como conseguiram contornar os imprevistos de última hora.

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No dia 1 de Agosto de 1936, ditador nazi Adolf Hitler abria oficialmente os Jogos Olímpicos de Berlim. Com a economia recuperada depois da derrota na Primeira Guerra Mundial, Hitler convencera os membros do Comité Olímpico Internacional (COI) de que Berlim seria ideal para a realização da Olimpíada daquele ano.

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