A nomeação de Jorge Coelho para presidir a à Mota-Engil, uma das maiores empresas de construção civil em Portugal, motivou fortes críticas da oposição de esquerda e mesmo de alguns dirigentes do PSD. Enquanto ministro das Obras Públicas, Coelho negociou vários contratos com a empresa que agora vai presidir. Nos próximos meses o governo vai abrir concursos para grandes obras de construção civil. As acções da Mota-Engil subiram após a divulgação da notícia.
Jorge Coelho é mais um caso de governante que chega a uma posição de destaque numa empresa privada, sem ter tido antes qualquer currículo como gestor. Sendo certo que o ex-governante já cumpriu o período de nojo a que a lei obriga (3 anos após o exercício de funções governativas), o facto é que quase metade das empresas cotadas no PSI-20 têm ex-governantes na sua gestão.
Os casos de ex-governantes que passam para a administração de grandes empresas são cada vez mais frequentes, apesar das sistemáticas campanhas dos ideólogos do liberalismo, que acusam o estado de ser mau gestor e realçam as virtudes da gestão privada. A banca tem sido o sector que mais ex-governantes tem vindo a absorver.
Entre os casos mais conhecidos, estão várias situações ligadas a empresas públicas, que depois são privatizadas (como a EDP, de António Mexia, ou a PT, de Murteira Nabo e Luís Todo-Bom) ou a empresas que nasceram em consequência de decisões ou acordos com o Estado (como a Lusoponte, de Ferreira do Amaral, que negociou em nome do Estado a construção e exploração da Ponte Vasco da Gama com esta empresa).
Se alguns destes governantes já tinham experiência de gestão antes de chegar ao governo, esse não é o caso de Jorge Coelho. Outro caso evidente é o de Armando Vara, sem qualquer experiência bancária antes de chegar à administração da Caixa Geral de Depósitos e, agora, ao Millenium BCP. Pina Moura, ex-ministro da Economia, também não tinha experiência no sector da electricidade quando foi convidado para a administração da Iberdrola.
O Bloco de Esquerda pretende aumentar para 10 anos o período em que um ex-governante está inibido de exercer funções de gestão em empresas do sector que tutelou.
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