Depois de um longo período de audições a todos os candidatos
designados, o Parlamento votou a Comissão esta terça-feira, com 488 votos a favor, 137 contra e 72 abstenções.
O Parlamento Europeu tem um elevado número de decisões agendadas para o plenário desta semana em Estrasburgo, a mais importante das quais é a votação da nova Comissão Europeia designada por Durão Barroso.
Depois de um longo
período de audições a todos os candidatos designados, o Parlamento vota
a Comissão esta terça-feira. Os eurodeputados vão pronunciar-se sobre o
Colégio de Comissários em bloco, bastando a rejeição de um para que a
Comissão seja reprovada.
Esta possibilidade
não está, porém, nas previsões gerais, apesar das fortíssimas críticas
feitas às escolhas de Barroso, tanto mais que o presidente da Comissão
teve o cuidado de abdicar da candidata búlgara Roumana Jeleva, a que
mais foi contestada durante as audições – e não apenas pela vacuidade
da sua prestação. A controvérsia gerada pelo alegado envolvimento da
política búlgara em actividades ilícitas e incompatíveis com as funções
a que se candidatava não ficou sanada e Barroso preferiu optar por
outro nome.
A votação será
antecedida de debate, durante o qual se prevê que aspectos como o da
previsível debilidade programática e executiva da equipa sejam
longamente abordados tendo em consideração o que se passou nas
audições. O programa da Comissão será igualmente apresentado aos
deputados mas não se nota no Parlamento grande confiança na capacidade
dos comissários que vão gerir o dia-a-dia da União. É frequente ouvir
dizer que esta Comissão, de características conservadoras e
neoliberais, é mais fraca de sempre da União, o que não é considerado
bom prenúncio devido às tarefas delicadas que lhe surgem pela frente
tendo em conta o momento vivido pelos 27. Quando alguns chefes de
governo davam a crise como encerrada, as questões dos défices e da
estabilidade do euro tornaram-se transcendentes neste momento.
Além disso, e tendo
em conta as importantes movimentações que se registaram nos últimos
dias sobretudo em Portugal, Alemanha e Grécia, é certo que esta fase se
caracterizará também por grandes mobilizações laborais porque os os
governos permitiram o aumento de défices públicos sem resolver os
problemas sociais e pretendem que sejam as maiores vítimas da situação
a pagar a factura e, como sempre, a “apertar ainda mais o cinto”. Em
cima do desemprego crescente começa a desabar a praga dos salários
estagnados.
A agenda
parlamentar de terça-feira prevê ainda o debate do acordo-quadro das
relações entre a Comissão Europeia e o Europarlamento.
Outro tema da
agenda de Estrasburgo que está a suscitar especial interesse é o debate
e a votação do relatório do Parlamento sobre o chamado “acordo SWIFT”
que permite à União Europeia transferir dados pessoais dos cidadãos
europeus para os Estados Unidos através da rede bancária SWIFT. A
Comissão Parlamentar de Direitos e Liberdades (LIBE) tomou a decisão
importante de aprovar um relatório no qual se rejeita esse acordo por
ter sido elaborado de forma rápida pelo Conselho e pela Comissão sem
ter em conta a defesa e a garantia da privacidade dos cidadãos dos 27.
O plenário debate o tema na quarta-feira e passará à votação na
quinta-feira, 11. Se o Parlamento adoptar a posição da Comissão LIBE, o
acordo ficará sem efeito e o processo terá que regressar ao início.
Deverá então iniciar-se a elaboração de um novo acordo, agora a longo
prazo e que contará com o envolvimento do Parlamento Europeu, uma das
medidas decorrentes da entrada em vigor do Tratado de Lisboa.
No âmbito das
medidas de segurança que, a partir dos Estados Unidos, são adoptadas
noutras regiões do mundo e se integram na chamada “guerra contra o
terrorismo”, o Europarlamento vai discutir com a Comissão e o Conselho
a eventual utilização de scanners corporais nos aeroportos europeus. A
Comissão terá que apresentar um relatório sobre o impacte desses
instrumentos correspondendo a uma iniciativa do Parlamento já
apresentada em 2008. O assunto está agendado para a tarde de
quarta-feira.
O modo como se tem
desenvolvido o processo de reinstalação de prisioneiros de Guantanamo
em países europeus e o andamento das candidaturas à entrada na União da
Croácia, da Antiga República Jugoslava da Macedónia e da Turquia são
outros temas em discussão durante a semana. Serão votados relatórios
sobre o modo como algumas questões fundamentais de direitos humanos, em
particular o funcionamento do Estado de Direito, o tratamento das
minorias étnicas e a luta contra a corrupção e o crime organizado têm
evoluído nesses países.
Haiti, Irão, fundos
de habitação para comunidades marginalizadas, a luta contra a violência
doméstica, a igualdade nas licenças de paternidade, medidas de combate
à propagação de doenças como a SIDA através de feridas provocadas por
seringas e objectos cortantes são outros pontos da agenda.
O tema das apostas
e jogos de azar principalmente na Internet será discutido quinta-feira
pelos eurodeputados com base no acórdão do Tribunal Europeu de Justiça
no processo suscitado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional e
pela sociedade de apostas Betandwin contra o Departamento de Jogos da
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Em causa estão questões de
concorrência.
No mesmo dia os
eurodeputados deverão propôr à Comissão e ao Conselho que adoptem as
recomendações das instituições de preservação de espécies ameaçadas
sobre a suspensão do comércio internacional do atum rabilho e do urso
polar.
Notícia publicada no portal do Bloco no Parlamento Europeu.
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