A
especulação sobre o euro e as dívidas públicas grega, portuguesa
e espanhola vai provavelmente obrigar a um passo na integração
política na zona euro...
Por
Guillaume
Duval
O
euro está em baixa, as taxas de juro sobre os títulos da dívida
pública grega, portuguesa e espanhola subiram, as bolsas caem... A
tempestade que começou a varrer a zona euro no fim de 2009, devido
às revelações sobre a amplitude real do défice público grego,
prolonga-se e agrava-se. Ela comporta certamente uma forte dimensão
especulativa e os receios que traduzem as reacções dos actores da
finança são excessivos (como sempre) em relação à realidade dos
desequilíbrios orçamentais da zona. Para não falar do papel dos
bombeiros pirómanos das agências de notação que não
viram
a crise dos subprime
mas que, desta vez, ateiam conscientemente o incêndio...
Isto
não impede que estas profecias sejam também auto-realizadoras:
empurrando para o pico as taxas de juro da dívida dos Estados do sul
da Europa, a especulação agrava realmente, e rapidamente, a sua
situação.
Vários
Estados europeus encontram-se nos últimos tempos em quase falência,
devido às tensões suscitadas pela crise económica e financeira: a
Hungria, os países bálticos ou a Roménia. Na União Europeia, não
existe contudo
nenhum procedimento, nem nenhum orçamento, para que a solidariedade
dos diferentes Estados membros se exerça face a este risco. Nem
hoje, com o Tratado de Lisboa, nem antes. A União tem, quando muito,
conseguido arranjar umas bóias
para os ajudar mas, no essencial, estes Estados deverão pedir ao
Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter os empréstimos que
lhes permitam fazer face às responsabilidades da sua dívida. Como
se tratasse de um país em vias de desenvolvimento e não de um
Estado membro do bloco económico, de longe, o mais rico do
planeta... O FMI exigirá deles, como contrapartida da sua ajuda,
medidas severas de ajustamento...
Com
a Grécia, e amanhã a Espanha e Portugal, entra-se evidentemente
numa outra categoria: eles pertencem à zona euro. E se eles
falharem, é a credibilidade do euro, e por conseguinte de todas as
dívidas públicas emitidas em euros, que será atingida. Terá como
corolário uma alta sensível das taxas de juro para o conjunto dos
Estados da zona... Uma situação que vai de qualquer maneira obrigar
a zona euro a encontrar uma solução interna. Ora, exactamente ao
nível da União Europeia no seu conjunto, este caso não está
previsto pelos tratados que enquadram a União económica e
monetária... Vai portanto ser preciso inventar modalidades novas:
quem vai pagar para emprestar? Quanto? O que se vai exigir dos
Estados ajudados em contrapartida, quem vai gerir de facto as
finanças públicas do Estado em falta e como? Mais, em seguida, o
facto de ter ajudado um Estado cria um precedente que vai obrigar a
pôr em prática uma vigilância macroeconómica muito mais estrita
de todos os Estados da zona, pois que no futuro, todas as derivas de
uns serão assumidas pelos outros - contrariamente ao que está
previsto actualmente nos tratados... Em resumo, como sempre, é face
a uma crise imprevista que a integração europeia vai fazer
progressos tão consideráveis como inesperados, pois que a salvação
financeira provocará, muito provavelmente, a afirmação de uma
solidariedade orçamental estre os Estados membros da zona...
Artigo
de Guillaume
Duval,
publicado em alternatives-economiques.fr
Tradução
de Carlos Santos
» 1 Comentários
1"Há um ano" em 08 de February de 2010 10:01
Meus amigos. Por favor. Façam o vosso trabalho de casa. Coloquem a pressão em cima das instituições europeias que foram avisadas da possibilidade deste ataque especulativo aos Estados há um ano e nada fizeram, abandonando os Estados à sua sorte perante os mercados. REPITO este ataque foi previsto há um ano e as instituições europeias avisadas para se prevenirem. Vão aqui: http://www.eurointelligence.co m/article.581+M5197c251664.0.h tml
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