Este relatório dá-nos a lista dos países mais
"despesistas". Assim, não surpreende que o top 15 mundial dê o
primeiro lugar aos Estados Unidos...
Artigo de Jean-Marie
Collin
Compendium: nome comum masculino (latim), que significa
condensado, sob a forma de um corpus,
de conhecimento de um domínio perfeitamente enquadrado. O
Think-Thank belga GRIP - Grupo de Investigação e Informação
sobre a Paz e a Segurança, acaba de publicar este compendium
2010 sobre despesas militares, produção e transferências de armas.
Este documento, destinado particularmente a investigadores,
estudantes, militares, diplomatas, pode interessar também ao cidadão
comum interessado em conhecer os números, por mais surpreendentes
que sejam como o detalhe dos 1.464 mil milhões de dólares de
despesas militares mundiais em 2008. Em resumo, números , quadros
claros e precisos que permitem a qualquer pessoa compreender o
mercado mundial das armas.
Segundo Luc Mampaey, autor deste relatório e
responsável no GRIP pela linha de investigação de "Europa,
segurança colectiva e mundialização", as despesas militares
mundiais em 2008 (1.464 mil milhões de dólares) aumentaram 47% em
relação a 1998, data em que se cifravam em 834 mil milhões de
dólares, "isto é o nível mais baixo do período 1998/2008".
Estas despesas para 2008 representam 2,4% do produto interno bruto
mundial e cerca de 217 dólares por habitante. Só aos Estados
Unidos, cabem 41,5 % deste total.
Este relatório não tem falhas, pois a metodologia e as
fontes utilizadas para chegar a estes números são explicadas na
primeira parte. As outras quatro partes são dedicadas sucessivamente
a:
Despesas militares mundiais
Produção de armamento no mundo
Transferências internacionais de armas convencionais
Valor financeiro do comércio mundial de armas
Pequeno florilégio de números (em milhares de milhões
de dólares) respeitantes às despesas militares por zonas regionais
ao longo dos últimos dez anos:
A África com 20,4 mil milhões de dólares de despesas
militares em 2008 é a zona que viu a subida das mesmas para 83% a
partir de 1998. Dois países por si só absorvem 35% desse montante:
a Argélia (3,9 mil milhões de dólares) e a África do Sul ( 4,1
mil milhões de dólares).
América: Nos 603 mil milhões de dólares de despesas
militares em 2008 no conjunto da zona América, os Estados Unidos e o
Canadá pesam 65,9% (ou seja 564 mil milhões de dólares) no
montante total das despesas dessa zona. Os Estados Unidos representam
41,5% do montante das despesas militares mundiais. As despesas de
armamento estão, assim, em alta regular desde o início da "guerra
ao terror" posta em prática por G. W Bush. Entretanto, este
relatório indica que o primeiro orçamento militar da era Obama
"ainda que em alta de 2%, marcaria um certo realismo com o abandono
de alguns programas herdados da guerra fria" (como o F-22 Raptor).
O outro grande desta região é o Brasil que, sob o impulso do
Presidente Lula, viu as suas despesas militares atingirem os 15,5 mil
milhões de dólares, graças a uma renovação da indústria
nacional de armamento.
Médio-Oriente: Espantosamente, numa região de fortes
conflitos, ficamos a saber que as despesas baixaram ligeiramente em
relação a 2007 "ao mesmo tempo que registam sempre uma grande
subida desde 1998 (+ 54,9%)". A Arábia Saudita com 33 mil
milhões de dólares de despesa fica muito
à frente de Israel (12 mil milhões de dólares) ou do Irão com 6
mil milhões de dólares.
Ásia e Oceania: A subida média das despesas militares
desta zona é de + 56,1%. Cinco países encontram-se entre os quinze
países do mundo com as mais elevadas despesas militares no ano de
2008: três na Ásia Oriental (Coreia do Sul, China e Japão), um na
Ásia Austral (Índia) e um na Oceania (Austrália). A China com 63,6
mil milhões de dólares, "ou seja, uma subida de 10% relativamente
ao ano anterior e de mais de 230% desde 1998", classifica-se no
segundo lugar das despesas militares mundiais. Mas o relatório
indica que subsistem dúvidas no que respeita à exactidão dos
números, estimando alguns especialistas que estes números poderiam
ser multiplicados por três.
Europa: À primeira vista, o acréscimo das despesas
parece moderado (+15.9%), mas este número esconde importantes
disparidades como, por exemplo, a Europa de Leste que vê as suas
despesas aumentarem 180% relativamente a 1998 contra 6,7% no mesmo
período para a Europa Ocidental. "O impacto da recente crise
financeira levou quase metade dos países da União Europeia a
reverem em baixa o seu orçamento militar entre 2007 e 2008, e a
tendência confirma-se para o ano de 2009". Cinco países da União
Europeia têm despesas militares anuais superiores a 10 mil milhões
de dólares em 2008: A Alemanha (37.237 milhões de dólares), a
Espanha (14.721 milhões de dólares), a França (52.565 milhões de
dólares), a Itália (32.103 milhões de dólares) e o Reino-Unido
(57.392 milhões de dólares); os 4 últimos representam 62 % das
despesas militares da UE.
Este relatório dá-nos a lista dos países mais
"despesistas". Assim, não surpreende que o top 15 mundial dê o
primeiro lugar aos Estados Unidos (607,3 mil milhões de dólares) e
o último à Austrália (18,4 mil milhões de dólares). A França
ocupa o terceiro degrau do pódio com 65,7 mil milhões de dólares
de despesas militares em 2008. Este relatório confirma a
predominância da indústria americana no mercado mundial de
armamento com 43 firmas no top 100 das principais empresas produtoras
de armas, 7 das quais no top 10 , sendo as outras 3 europeias: BAE
Systems (número 2 mundial), EADS, Finmeccanica. Em 2008, o volume
total de negócios realizados na produção de armas pelos 100
maiores produtores de armas do mundo (43 são americanos, 26 da União
Europeia e 31 do resto do mundo) é estimado em 388,1 mil milhões de
dólares.
Artigo de Jean-Marie Collin
publicado em alternatives-economiques.fr
Traduzido
por Deolinda Peralta
Jean-Marie Collin
é consultor em questões de defesa. A sua
experiência abrange a proliferação e a dissuasão nuclear, a
tecnologia militar, as transferências de armas, as questões
ambientais. É autor de "La Bombe, l'Univers opaque du
nucléaire" (A
Bomba, o Universo opaco do nuclear)"Autrement, 2009). É também o director em França da
organização Parlamentares para a Não-Proliferação Nuclear e
o Desarmamento (PNND)
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