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O ano de 2009 em Portugal foi marcado
pelas eleições. Foram três importantes oportunidades de avaliação.
As europeias deram a vitoria ao PSD e a
maior votação da história do Bloco. Nas eleições
legislativas os portugueses decretaram o fim da maioria absoluta, e
deram ao Bloco de Esquerda a
maior subida percentual, com mais de 200 mil votos em relação a
eleição anterior. A Internet
ajudou a ampliar
o debate. Nas eleições autárquicas a manutenção
dos presidentes de câmara foi o resultado predominante, Isaltino
Morais foi reeleito mesmo após ser condenado
a sete anos de prisão.
Os péssimos
resultados da economia portuguesa reflectiram um agravamento do
desemprego
e da precariedade,
que reflectiram na consolidação de movimentos
pela luta destes trabalhadores.
O Governo foi obrigado a aprovar sozinho dois orçamentos
rectificativos, com os nomes de suplementar
e resdistributivo.
Os negócios com Manuel
Fino, com a empresa Liscont,
e com o Grupo
Mello, são alguns do casos emblemáticos da promiscuidade lesiva
entre o interesse público e o privado.
A corrupção foi outro tema bastante
presente em 2009. Sem que tivessem sido terminadas as investigações
sobre o caso Freeport,
o escândalo Face
Oculta veio levantar novas suspeitas. A longa comissão
de inquérito sobre o BPN terminou com um relatório que ilibava o
Banco de Portugal, o caso
deixou claro o papel crucial que os offshores
e o sigilo bancário têm para a prática de actos ilícitos. A
recusa
aos diversos projectos
de combate à corrupção apresentados no parlamento, devem
garantir que 2009 seja o ano
em que os portugueses mais investiram em paraísos fiscais.
Os factos revelados pela comissão de
inquérito do BPN, também obrigaram o ex-ministro de Cavaco Silva,
Dias
Loureiro, a demitir-se do Conselho de Estado. As disputas entre
Belém e São Bento tiveram seu auge com o caso das escutas
encomendadas
por Fernando Lima, assessor do presidente, que acabou por ser
afastado.
A luta dos professores continuou em
2009, houve um retrocesso
na avaliação e muitos movimentos surgiram para manifestar
e denunciar
as condições de ensino e a pressão do Governo.
Na área da Cultura um dos grandes
destaques ficou por conta do jovem realizador João
Salaviza, ganhador da Palma de Ouro para curtas-metragens no
festival de Cannes. O ano termina com a aprovação do Conselho de
Ministros da proposta de lei de legalização
do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que deve ser discutido
na AR ainda em Janeiro.
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