Portugal em 2009 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
01-Jan-2010


Um eleitor exerce o seu direito de voto para a Junta de Freguesia de Ermelo, Mondim de Basto. PEDRO ROSARIO/LUSA
O ano de 2009 em Portugal foi marcado pelas eleições. Foram três importantes oportunidades de avaliação. As europeias deram a vitoria ao PSD e a maior votação da história do Bloco. Nas eleições legislativas os portugueses decretaram o fim da maioria absoluta, e deram ao Bloco de Esquerda a maior subida percentual, com mais de 200 mil votos em relação a eleição anterior. A Internet ajudou a ampliar o debate. Nas eleições autárquicas a manutenção dos presidentes de câmara foi o resultado predominante, Isaltino Morais foi reeleito mesmo após ser condenado a sete anos de prisão.

Os péssimos resultados da economia portuguesa reflectiram um agravamento do desemprego e da precariedade, que reflectiram na consolidação de movimentos pela luta destes trabalhadores. O Governo foi obrigado a aprovar sozinho dois orçamentos rectificativos, com os nomes de suplementar e resdistributivo. Os negócios com Manuel Fino, com a empresa Liscont, e com o Grupo Mello, são alguns do casos emblemáticos da promiscuidade lesiva entre o interesse público e o privado.

A corrupção foi outro tema bastante presente em 2009. Sem que tivessem sido terminadas as investigações sobre o caso Freeport, o escândalo Face Oculta veio levantar novas suspeitas. A longa comissão de inquérito sobre o BPN terminou com um relatório que ilibava o Banco de Portugal, o caso deixou claro o papel crucial que os offshores e o sigilo bancário têm para a prática de actos ilícitos. A recusa aos diversos projectos de combate à corrupção apresentados no parlamento, devem garantir que 2009 seja o ano em que os portugueses mais investiram em paraísos fiscais.

Os factos revelados pela comissão de inquérito do BPN, também obrigaram o ex-ministro de Cavaco Silva, Dias Loureiro, a demitir-se do Conselho de Estado. As disputas entre Belém e São Bento tiveram seu auge com o caso das escutas encomendadas por Fernando Lima, assessor do presidente, que acabou por ser afastado.

A luta dos professores continuou em 2009, houve um retrocesso na avaliação e muitos movimentos surgiram para manifestar e denunciar as condições de ensino e a pressão do Governo.

Na área da Cultura um dos grandes destaques ficou por conta do jovem realizador João Salaviza, ganhador da Palma de Ouro para curtas-metragens no festival de Cannes. O ano termina com a aprovação do Conselho de Ministros da proposta de lei de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que deve ser discutido na AR ainda em Janeiro.

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