Ao fim de dois anos de negociações, os países reunidos em Copenhaga não conseguiram o tão esperado acordo. Numa manobra de última hora, Obama reuniu as assinaturas de 28 países num texto que não define metas nem é vinculativo para ninguém.
"A cidade de Copenhaga é hoje o lugar do crime climático, com os culpados a fugir envergonhadamente para o aeroporto", declarou a ONG Greenpeace, referindo-se à maioria dos 120 líderes mundiais presentes na cimeira, que abandonaram a conferência antes que o acordo fosse aprovado em plenário. Para Jeremy Hobbs, director executivo da Oxfam International, "o acordo é um triunfo da propaganda sobre a substância. Reconhece a necessidade de manter o aquecimento global abaixo dos 2 graus, mas não se compromete quanto a forma de o levar a cabo".
"Os líderes falharam em conseguir um verdadeiro acordo como prometido. Ignoraram a ciência e guiaram-se por interesses nacionais. Estamos perante um atraso com muitos custos, que podem ser medidos em vidas humanas e em dinheiro perdido", afirmou por seu lado a Quercus em comunicado.
A eurodeputada Marisa Matias, que integrou a delegação do Parlamento Europeu em Copenhaga, lamentou que no fim da cimeira haja "um acordo pior, mais pobre, nada clarificado" e com um financiamento que "ficou aquém do desejado" sem "capacidade de definir metas". Em suma, "uma enorme contradição em relação aos objectivos iniciais da conferência", diz a eurodeputada bloquista que critica a atitude da União Europeia durante a cimeira: "A posição que teve foi de mera observadora do processo, nunca intervindo de uma forma clara e efectiva e sem nunca definir um movimento global".
O texto que foi preparado em reuniões entre os EUA, China, Índia, África do Sul e Brasil acabou por não recolher o apoio dos 193 países presentes na cimeira. Os países do G77 contestaram o facto de mais uma vez terem sido postos de lado nas negociações aqueles que mais sofrem com as alterações climáticas e as críticas vieram também da América latina. "Vão aprovar um golpe de estado contra as Nações Unidas", disse o porta-voz do governo venezuelano, enquanto o representante da Bolívia declarou que "este acordo na sombra é um documento que não expressa os quase dois anos de discussão". Já o delegado cubano preferiu chamar a atenção dos presentes para o facto de "há quatro horas atrás que o presidente Obama anunciou um acordo que não existe".
À falta de unanimidade para aprovar o texto desenhado pelos 26 países escolhidos pela presidência dinamarquesa, a presidência da cimeira foi obrigada a recuar durante a madrugada, anunciando de manhã que a cimeira simplesmente "toma nota" deste texto.
Daqui a seis meses há novo encontro marcado para Bona, que servirá para preparar a próxima cimeira no México, onde supostamente se definirão as metas de redução de emissões de gases de efeito de estufa.
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Diários de Copenhaga, por Ricardo Coelho
» 2 Comentários
2"Só me confirma." em 20 de December de 2009 18:19
Só me confirma: "si el clima fuese un banco ya lo habrian salvado"
1"A Marisa é mesmo a única" em 20 de December de 2009 16:38
...que ainda fala em acordo. Nem percebeu que o único acordo foi "tomar nota" da manobra dos USA e UE. Não há acordo nenhum, muito menos acordo "robusto, redistributivo e radical" como andou a impingir, vendendo ilusões ocas.
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