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As
últimas eleições abriram um novo ciclo político, cheio de
dificuldades mas também de oportunidades. No novo cenário, a
Assembleia da República ganhou um enorme protagonismo e o Governo
tem sistematicamente corrido atrás da iniciativa política da
oposição. Foi assim na Avaliação dos professores, foi assim na
eliminação das taxas moderadoras para cirurgias e internamentos,
foi assim na proibição das Taxas Multibancos.
Não
é este o cenário que agrada a Sócrates. O Primeiro-Ministro não
foi feito para estas coisas do diálogo e da negociação. Por isso,
logo a seguir à encenação do convite para integrar o governo,
feito indiscriminadamente a todos os partidos desde o Bloco ao PP
(facto que já diz muito sobre a sua seriedade), o engenheiro passou
imediatamente ao discurso da vitimização e da ameaça. José
Sócrates quer poder governar com maioria relativa como se fosse
absoluta e a ameaça de eleições antecipadas é o espantalho de
serviço.
Este
contexto cria dificuldades de gestão da política do Bloco, mas
permitiu à esquerda tomar a iniciativa. Nestes meses foram já
impostas medidas importantes, nuns casos por imposição da
Assembleia, noutros por antecipação do Governo na iminência dessa
imposição. Muitos comentadores ficam manifestamente irritados com
este facto e vêem nestes processos o fantasma da instabilidade.
Mas
não é este debate que provoca instabilidade. Exemplo: Quando o
governo lançou a guerra aos professores, todas as maiorias absolutas
do mundo não impediram um clima de caos, indignação e
desmoralização nas escolas. Acabou-se a maioria absoluta e o
governo vê-se forçado a negociar com os sindicatos a paz na
educação. Na realidade, o único factor de instabilidade no actual
quadro político é um governo que governa a pensar em eleições
antecipadas.
O
governo está mais vulnerável perante a opinião pública? Sim, mas
não é o único. Todas as forças políticas serão permanentemente
vigiadas e responsabilizadas porque as suas escolhas podem ser
determinantes. Ainda bem que assim é. Chama-se democracia. Morreu a
maioria absoluta. Que venha a democracia absoluta.
José Guilherme Gusmão
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