A Câmara dos Representantes dos
Estados Unidos aprovou na noite deste sábado a reforma do sistema de
saúde no país, uma das prioridades da política interna do
presidente Barack Obama, que obtém assim uma primeira grande vitória
no Congresso. A aprovação foi pela margem mínima: 220 a 215 -
votaram contra 176 republicanos (só um apoiou), e 39 democratas.
Agora, falta o Senado.
Obama classificou de "votação
histórica" a aprovação da lei e disse que estava confiante de
que iria assinar a reforma ainda em 2009.
"Hoje à noite, numa votação
histórica, a Câmara aprovou um projecto de lei que, finalmente,
cumprirá a promessa de dar cobertura de saúde de qualidade, a
preços acessíveis, ao povo americano", disse.
O presidente afirmou ainda que a
votação prepara terreno para uma batalha igualmente difícil no
Senado, onde os líderes democratas se têm esforçado para obter os
60 votos necessários para aprovação.
"O Senado dos Estados Unidos deve
acompanhar e aprovar a sua versão desta lei. Confio completamente
que ele o vai fazer", disse Obama.
O Senado irá votar a sua própria
versão da lei, após o que uma comissão formada por parlamentares
das duas casas fará uma versão conjunta. Caso essa versão seja
então aprovada pelas duas casas, será enviada ao presidente Obama
para ser sancionada.
Durante o debate, que durou 12 horas, o
deputado John Dingell, do Partido Democrata, disse que "(a
proposta) oferece a toda a gente, independentemente da saúde ou do
rendimento, a paz de espírito que vem de saber que terá um seguro
de saúde acessível quando precisar".
Antes da votação de sábado, Barack
Obama fez uma visita ao Congresso para tentar convencer alguns
indecisos do seu próprio partido a apoiar a reforma.
Depois da votação, a presidente da
Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, agradeceu ao presidente
"pela sua tremenda liderança", afirmando que sem Obama na
Casa Branca, "esta vitória não teria sido possível".
Os democratas fizeram, porém, uma
concessão importante: para garantir a adopção da proposta, a
Câmara adoptou também uma emenda proposta por um grupo de
democratas anti-aborto que visa reforçar a proibição do uso de
dinheiros públicos para realizar interrupções de gravidez, excepto
em casos de violação, incesto ou quando a vida da mãe está em
perigo. A emenda foi aprovada por 240 votos contra 194.
Para a deputada democrata Dianna
DeGette, a ideia de comprar seguros separados para aborto é "uma
ofensa para as mulheres"
A proposta aprovada tem quase 2.000
páginas e prevê estender a cobertura a 36 milhões de
norte-americanos sem seguro de saúde. Assim, se for finalmente
aprovada, 96% dos cidadãos norte-americanos ficarão abrangidos
(ainda haverá dez milhões de fora). Os cidadãos terão de pagar
mensalidades a seguradoras privadas ou a um plano público, com a
ajuda de subsídios.
O plano proíbe, além disso, as
seguradoras privadas a recusarem-se a fornecer uma nova apólice a
pessoas que sofram de alguma doença, coisa que fazem actualmente e
prejudica gravemente quem contrai uma doença quando estava sem
seguro.
» 2 Comentários
2"Em que ficamos?" em 10 de November de 2009 17:41
Um amigo meu, com quem discuti esta questão, afirma que a «reforma» apenas vai reforçar o poder das companhias de seguros. Eu entendo que o modelo já existente é aperfeiçoado no sentido em que vai proporcionar cuidaddos de saúde a milhões de americanos até agora sem protecção. Afinal em que é que ficamos? Ou, talvez melhor perguntando, em que ficam os americanos?
1"Esbarramos no nada." em 09 de November de 2009 13:07
Quando for a aprovação final é dia de falar em votações históricas, até lá, não iludam o "povinho", não ganharam nada ainda, tá mais perto e esperemos que o consiga, pois nos Estados Unidos, lider mundial não se ter direito a saude social é ridiculo, atroz e chega mesmo a ser "cómico", "tão bons que nós somos". Antes Português, sem cheta...doente mas com direito a receita.
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