"O que está no Programa do Governo
é, sem tirar nem pôr, o compromisso que estava no programa
eleitoral do PS", anunciou o novo ministro dos Assuntos
Parlamentares, Jorge Lacão, ao entregar esta segunda-feira o
programa do executivo de Sócrates à Assembleia da República. A
atitude foi criticada pela deputada Helena Pinto, do Bloco de
Esquerda, que considerou que o governo não entendeu os resultados
eleitorais e opta por uma política de continuidade.
Para a deputada
bloquista, o governo "tem de perceber que já não é maioria
absoluta nesta legislatura".
Para Jorge Lacão, o programa eleitoral
do PS foi sufragado pelos portugueses e, por isso, governar com esse
programa "é o acto mais coerente que seria esperável do governo".
O propósito do governo, disse Lacão, é cumprir integralmente esse
programa.
"O que há é a consistência
assumida durante a campanha, e que os eleitores sufragaram, e agora,
certamente, o que se pede e o que se espera do governo do PS é que
crie condições e procure desenvolver essas condições para a
concretização do programa", argumentou o ministro.
Para o deputado Luís Fazenda,
vice-presidente da Assembleia da República, a atitude do governo "é
pouco séria". Falando num debate da RTPN, o deputado bloquista
disse que "se o governo não apresentou uma moção de confiança,
andou lá perto".
Curiosamente,
Marcelo Rebelo de Sousa considerou lógico que o programa seja
idêntico às propostas eleitorais do PS, e lembrou que Cavaco Silva
fez o mesmo quando governou em minoria. As declarações do
comentarista político e dirigente do PSD vieram divergir da posição
explicitada pelo vice-presidente do PSD, José Pedro Aguiar Branco,
que acusou o executivo de querer impor o seu programa: "O governo
tem pedido à oposição para ser responsável, e ele próprio revela
ser pouco responsável ao querer impor o seu programa", afirmou.
Aguiar Branco deixou o aviso de que, com esta atitude, o PS não
deverá contar com o apoio do PSD quando estiver em discussão o
próximo orçamento.
Marcelo Rebelo de Sousa, em
contrapartida, já defendeu que o PSD deve viabilizar o orçamento.
O Bloco de Esquerda não vai apresentar
uma moção de rejeição do programa, mas promete questionar o
governo sobre "como é que pretende fazer face à crise económica",
ou "resolver o problema do desemprego, que é gravíssimo", disse
Helena Pinto. E acrescentou: "É preciso saber o que o governo
pretende fazer, no concreto, em relação ao alargamento do subsídio
do desemprego. É preciso saber qual é a solução do governo para o
caso BPN, que tem sido um sorvedouro de dinheiros públicos, e também
em relação a questões que foram prementes na última legislatura,
como a avaliação e professores e o estatuto da carreira docente".
» 1 Comentários
1Comentários em 03 de November de 2009 17:23
Não percebeu, ou não quer perceber?
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