O radialista António Sérgio, uma das mais respeitadas vozes da rádio, faleceu na noite de sábado, vítima de
um problema cardíaco, aos 59 anos. O homem que queria "incendiar o imaginário dos ouvintes" esteve 40 anos ao serviço da rádio. Divulgou entusiasticamente o
novo rock e a música alternativa. O funeral é esta segunda-feira às 15h e o seu corpo vai para o Cemitério dos Prazeres.
Homem da rádio, António Sérgio, de
59 anos, começou em 1968 na Rádio Renascença, seguindo as pisadas
do pai, mas foi no final da década de 1970, quando ingressou na
Rádio Comercial, que a sua popularidade se consolidou, ajudando a
divulgar novos estilos e tendências da música moderna.
Programas como Rotação (de 1977 a
1980), Rolls Rock, Som da Frente (de 1982 a 1993), Lança-Chamas, O
Grande Delta (de 1993 a 1997) e A Hora do Lobo, todos na Rádio
Comercial, foram a sua imagem de marca na ondas da rádio.
António Sérgio fazia actualmente o
programa Viriato 25 da rádio Radar, tendo inclusivamente gravado em
estúdio o programa da próxima semana, que será posto no ar tal
como previsto, garantiu Luís Montez, um dos proprietários daquela
emissora.
Antes de entrar na Radar, em Dezembro
de 2007, António Sérgio viu-se envolvido numa polémica na Rádio
Comercial, quando a Hora do Lobo, o programa que aí mantinha foi
cancelado, decisão que motivou uma onda de reacções e protestos de
ouvintes.
"As pessoas que foram responsáveis
[pela Comercial] consideraram que a manutenção daquele programa de
autor era prestigiante para a rádio, mas agora já não acham",
lamentou António Sérgio nessa altura.
Luís Montez, o dono da Radar,
qualificou António Sérgio como "um mestre da rádio, uma
referência" ou o "John Peel português". Montez
afirmou ainda que o radialista era um exemplo de trabalho e dedicação
e "estava sempre preocupado com os ouvintes".
Já João David Nunes, um dos
fundadores da Rádio Comercial e que levou António Sérgio para a
emissora da Rua Sampaio Pina, na década de 1970, disse hoje que o
radialista deixa uma "marca indelével" na rádio
portuguesa.
Numa entrevista ao Blitz em 2007, António Sérgio disse: “Uma das funções da rádio é espalhar magia:
nós não temos cara, temos vozes, e isso ajuda a incendiar o
imaginário dos ouvintes. E esta rádio de hoje, coitada, não
incendeia absolutamente nada. Põe o ouvinte a um canto e diz-lhe:
ouve isto, que não te maça, não te assusta, não te provoca, não
te faz comprar discos.”
O velório realizou-se a partir das 18
horas de domingo na Basílica da Estrela, em Lisboa e o funeral, para o
Cemitério dos Prazeres, realiza-se segunda-feira, depois da missa de
corpo presente, às 15 horas.
Alguns comentários à morte de António
Sérgio
Adolfo Luxúria Canibal
"António
Sérgio sempre foi uma referência. Era a referência de quando eu
era adolescente, de quando o rádio era o instrumento por excelência.
As memórias são muitas. Fazia parte do meu crescimento
musical.
Pessoalmente deixa-me muito boas memórias".
Rodrigo Leão, fundador dos Sétima
Legião e dos Madredeus
"Era uma pessoa fantástica, talvez
uma das primeiras pessoas que eu conheci da rádio. Foi há 28 anos,
quando editámos o primeiro disco da Sétima Legião."Era uma
pessoa que já não via há muitos, mas acompanhava sempre os seus
programas de rádio, ultimamente ouvia-o na rádio Radar".
Álvaro Covões, promotor de
espectáculos, Co-proprietário da Rádio Radar
"Deixa um
vazio na rádio portuguesa, porque ele era o último grande
radialista vivo. "Vai ser um bocado estranho como vai ser o
futuro da rádio sem uma pessoa como o António Sérgio. É uma perda
muito grande. A melhor homenagem que lhe podemos fazer é continuar a
ouvir a música que ele nos deu a conhecer".
Joaquim Paulo, da Waymedia.
"Era
sempre um prazer falar com ele, porque era uma pessoa que amava a
música e falava sempre entusiasticamente. "A memória mais
forte que tenho é que comecei a ouvir rádio a ouvir António
Sérgio. Lembro-me de ter 15 anos e ouvir o 'Rotação'.É uma grande
parte da minha formação musical na altura e parte dos meus hábitos
musicais".
Zé Pedro, guitarrista dos Xutos e
Pontapés,
"António Sérgio é um grande divulgador de
música e um mestre da rádio e do conhecimento musical. Lembro-me de
seguir e gravar programas dele para descobrir bandas e, algumas
vezes, cheguei a ligar-lhe para a cabine a perguntar que banda era
aquela que ele estava a passar".
» 2 Comentários
2"pormenor" em 05 de November de 2009 00:59
Não é importante, de todo, mas fica o reparo: "Rotação" (77/80) ia para o ar na Rádio Renascença, e não na Rádio Comercial.
1"B" em 03 de November de 2009 09:48
a voz
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