Inglaterra comprova discriminação no acesso ao emprego criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
18-Oct-2009
Os candidatos das minorias étnicas recebem resposta a cada 16 CV's enviados, os outros só precisam de mandar 9. Foto SOCIALisBETTER/FlickrO governo britânico quis saber a dimensão actual da discriminação racial no acesso ao emprego. Para isso respondeu a quase mil ofertas de emprego, usando três falsas identidades por cada resposta. As conclusões, embora chocantes, não foram surpresa. O ministro do emprego põe agora a hipótese de impedir as empresas que discriminam de aceder a contratos com o Estado.

 

As conclusões desta operação levada a cabo pelo Centro Nacional de Investigação Social, com o apoio do Departamento do Trabalho e Pensões, não podia ser mais clara: embora todos os candidatos ao mesmo emprego apresentassem as mesmas qualificações, os que aparentassem pertencer a minorias étnicas - com o nome Nazia Mahmood ou Mariam Namagembe - tiveram de mandar 16 candidaturas até serem convidados para uma entrevista, enquanto aos candidatos aparentemente brancos - com o nome Alison Taylor - bastaram 9 candidaturas para receber um telefonema de volta.

"Nós já suspeitávamos que havia um problema. Isto vem revelar a sua dimensão chocante", diz o ministro do Emprego. "Os candidatos com nomes asiáticos ou africanos enfrentam uma discriminação real e isto prova que as empresas estão a perder os verdadeiros talentos", afirmou Jim Knight ao jornal Observer.

As profissões escolhidas pelos investigadores pertencem ao sector público, privado e social. Ao todo são nove áreas, das mais qualificadas às que são pior pagas. O estudo a revelar na segunda-feira conclui que no sector público há menos discriminação, uma vez que as minutas de candidatura acabam por disfarçar a origem étnica do candidato. Outra conclusão diz que os maiores empregadores também discriminam menos que as empresas de menor dimensão.

O presidente do Grupo de Consulta das Minorias Étnicas, que propõe mudanças nas políticas governamentais nesta matéria, diz que o estudo vem confirmar que "vivemos numa sociedade em que a discriminação racial ocorre sistematicamente e passa normalmente impune". No entanto, Iqbal Wahhab defende que os empregadores que o estudo indica não devem ser "nomeados e envergonhados". "Eles não são intolerantes, são homens de negócios", diz Wahhab, sugerindo em alternativa que "devem ser ajudados a compreender que a sua prática actual significa que não estão aptos a fornecer grandes clientes como os departamentos públicos".

Quem não gostou nada do estudo foi a Câmara de Comércio Britânica. A porta-voz do patronato criticou o governo por fazer uma "operação encoberta" para desmascarar a discriminação. "O mundo dos negócios está a enfrentar a maior recessão de uma geração. Será que é a altura certa para desperdiçar recursos públicos e o tempo das empresas já sob enorme pressão com estes currículos falsos", perguntou Abigail Morris.

As críticas dos patrões não foram no entanto secundadas pelo Partido Conservador, com o presidente da comissão de negócios, inovação e qualificações na Câmara dos Comuns a dizer que "este foi um bom exercício por parte do governo e fazendo as contas valeu bem o dinheiro gasto". Peter Luff disse ainda que "as conclusões são profundamente perturbantes" e deverão ser analisadas em pormenor quando o relatório for publicado esta semana.

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