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Os rankings de escolas são já um mau
hábito recorrente no debate sobre educação em Portugal.
Ciclicamente, regressa o discurso das melhores e das piores escolas,
com os respectivos responsáveis a gabar-se do excelente corpo
docente e condições oferecidos ou a desculpar-se com o tipo de
alunos e a falta de meios.
Os defensores dos rankings sublinham a
sua transparência e rigor. Mas esta propalada transparência choca
com a subjectividade de um número desgarrado. E até a decisão do
que entra no ranking não é nada transparente (entram na lista todos
os exames ou só os de algumas disciplinas, entram todas as escolas
ou só a partir de determinado número de alunos que realizaram o
exame?).
Minudências à parte, o que
interessará debater é o próprio disparate de listar as escolas
pelos resultados dos exames nacionais. A ser verdadeiramente
rigoroso, quem defendesse a utilidade de fazer uma lista das
"melhores" escolas baseada apenas nos resultados escolares dos
alunos teria de fazer outro tipo de contas porque estas não medem
nunca a contribuição da escola para o resultado nos exames: para
efeitos estatísticos conta o mesmo o "bom" aluno que à partida
entra numa escola secundária e mantém as suas competências, logo
tem bom resultado, o aluno "médio" sobe as suas competências
que obtém um bom resultado e o aluno com dificuldades que consegue o
mesmo tipo de resultado.
Mas avaliar assim tanto já era ser
picuinhas e nem os defensores destes rankings nunca chegam tão
longe. Porque pela sua própria razão de ser, este tipo de
avaliações seria descabida: os rankings são números prontos a
consumir, imediatos e fáceis. Prontos a transmitir uma realidade que
não tem causas nem casualidades. Uma realidade que não tem
condicionalismos sociais nem pessoas dentro. Os rankings fazem parte
da voragem pseudo-avaliadora que perpassa muitas estruturas sociais.
Como é óbvio, é uma voragem feita de falsas aparências, de
números superficiais que deveriam traduzir a realidade última das
coisas.
São números e pronto.
Constituir-se-iam assim como indiscutíveis e objectivos. Mas são
números fabricados e que não são neutros ideologicamente: para
além do mais, servem para alimentar a ideia das boas escolas
privadas, que têm mais condições para seleccionar alunos, por
meios financeiros ou outros, e das más escolas públicas do
facilitismo em que é tudo ao molho. Mas se atentarmos nesses
números, veremos que mesmo nas escolas públicas não é tudo ao
molho, que há uma triste realidade de selecção feita nas escolas
públicas: há as turmas dos "bons alunos" que ficam para os
"bons professores" e as turmas dos "maus alunos" que ficam
para os outros, há as "escolas boas" que têm os melhores e não
têm espaço para outros e as que aceitam qualquer um. E se uma
escola aceita qualquer um não poderá nunca ser boa porque a sua
média está ameaçada. Por isso, para bem do lugar obtido no ranking
há que excluir e excluir outra vez. Numa concorrência que se
compreende que interesse a alguns dos privados, afinal são escolas
baseadas no princípio do lucro e o seu lugar no ranking é um motivo
de marketing, mas que só interessa a algumas escolas públicas na
medida em que queiram permanecer realidades fechadas.
Carlos Carujo
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