A Alemanha tem neste
domingo eleições nos Estados federados de Thüringen, Saarland e
Sachsen, que vão permitir colher indicações sobre as pretensões
do eleitorado. Em Saarland concorre Oskar Lafontaine, pelo Die Linke,
como candidato a chefe de governo. As eleições para o parlamento
federal alemão, o Deutscher Bundestag são
no dia 27 de Setembro.
Por
João Alexandrino
Fernandes, de Tübingen,
Alemanha, para o Esquerda.net
Vão
realizar-se no próximo dia 27 de Setembro as eleições para o
parlamento federal alemão, o „Deutscher Bundestag". São
chamados a votar 62,2 milhões de eleitores,entre os quais 32,2
milhões de mulheres, e 3,5 milhões de eleitores que votarão pela
primeira vez.
Normalmente
a grande maioria dos cidadãos alemães vota, a abstenção não é
muito elevada. Do total das últimas 16 eleições para o parlamento
federal resultou uma participação média de 85,5 %, que representa
uma participação muito alta, mesma em comparação com outras
democracias da Europa ocidental. Para esta média concorrem
percentagens de participação diferentes, mas sempre elevadas.
Assim, por exemplo, nas primeiras eleições, realizadas em 1949,
votaram 77,8% dos eleitores, em 1972 realizaram-se as eleições mais
participadas com 91,1 % de participação eleitoral, nas últimas
eleições em 2005 participaram 77,7% dos eleitores.*
O
parlamento federal alemão está actualmente organizado segundo um
sistema de cinco partidos. Existem dois grandes partidos: a CDU/CSU
(União da Democracia Cristã/União Social Cristã, que é uma
coligação conservadora entre um partido nacional, a CDU, e um
partido regional, a CSU, da Baviera, que concorrem em conjunto para o
parlamento federal); e o SPD (Partido Social Democrata Alemão, que é
o partido que tradicionalmente representa o eleitorado conotado com
os sindicatos e visto como o grande partido dos trabalhadores
alemães, mas que se tem vindo progressivamente a descaracterizar,
sobretudo desde a governação de Gerhard Schröder, convertendo-se
cada vez mais num partido de clientelas, como contrapartida da
participação no poder). A CDU e o SPD representam ainda a maioria
do eleitorado e têm o peso decisivo em qualquer eleição. Depois,
existem três partidos de dimensões mais modestas. O partido da
direita liberal, FDP, (Partido Democrático Livre, que normalmente
procura formar coligação com a CDU/CSU), o partido dos Verdes (Die
Grüne), que entrou no parlamento em 1983 e esteve no governo em
coligação com o SPD chefiado pelo anterior chanceler Gerhard
Schröder, e o Die Linke, que é o sucessor, num quadro mais
alargado, do anterior PDS, o Partido do Socialismo Democrático,
criado pelos eleitores da anterior Alemanha do Leste e surgido no
quadro politico alemão a partir da reunificação de 1989.
A
Alemanha é desde 2005 governada por uma grande coligação entre a
CDU/CSU e o SPD, chefiada pela chanceler Angela Merkel da CDU. Nas
próximas eleições de Setembro, os principais candidatos ao cargo
de chanceler são Angela Merkel e o seu adversário Frank-Walter
Steinmeier, designado pelo SPD, que é o actual ministro dos negócios
estrangeiros do governo de coligação. Embora seja prematuro
antecipar resultados, as sondagens apontam para uma vitória folgada
de Angela Merkel e uma queda em votações do SPD, para resultados
entre os 22 e os 25%, o que representa uma grande perda de eleitorado
relativamente às eleições de 2005, onde obtivera ainda 34% dos
votos. De aqui parece poder-se concluir que nos últimos anos a
governação do SPD, quer em coligação com os Verdes sob a direcção
do seu próprio chanceler Gerhard Schröder, onde tinha a posição
dominante e nomeara como chanceler o seu candidato, quer em coligação
com a CDU, onde se encontra em posição equiparada à CDU, com a
excepção de a chanceler ter, nesta coligação, sido nomeada pela
CDU, não tem satisfeito as aspirações do próprio eleitorado. Por
outro lado, o papel do SPD na coligação com a CDU/CSU desde 2005
aparenta ter prejudicado a credibilidade do partido, enquanto a
actual chanceler Angela Merkel aumentou a sua popularidade.
No
entanto, são hipóteses que têm que ser consideradas com a maior
reserva. Mesmo os analistas políticos alemães não exageram o valor
das sondagens, dado que o surgimento de qualquer facto imprevisto
pode ainda alterar as intenções dos eleitores. Também as campanhas
eleitorais mantêm-se ainda muito cuidadosas. Nenhum partido quer,
para já, arriscar grandes compromissos com o eleitorado, sobretudo
relativas a um quadro possível de futuras coligações, temendo
vincular-se a objectivos que depois, face aos resultados efectivos,
não possa ou não queira cumprir.
Um
outro aspecto que pode ter ainda importância são as eleições nos
Estados federados de Thüringen, Saarland e Sachsen, a realizar já
no próximo dia 30 de Agosto, uma vez que daí poder-se-ão colher
algumas indicações sobre as pretensões do eleitorado. À esquerda
alemã interessam particularmente as eleições em Saarland, já que
nesse Estado concorre Oskar Lafontaine, pelo Die Linke, como
candidato ao cargo de ministro-presidente, ou seja, de chefe de
governo. Segundo os dados conhecidos, admite-se a possibilidade de o
Die Linke poder, em Saarland, chegar a um governo de coligação com
o SPD, para destituir o actual ministro-presidente da CDU. A questão
de quem seria então o ministro-presidente é que é mais difícil de
resolver. As hipóteses seriam Oskar Lafontaine ou o candidato do
SPD, Heiko Maas. No entanto, o SPD terá muitas dificuldades numa
coligação chefiada por Oskar Lafontaine, dado que Oskar Lafontaine
é precisamente um antigo dissidente do SPD, enquanto que Die Linke
não coloca, à partida, problemas a uma coligação tendo com
ministro-presidente o candidato do SPD. Segundo o Die Linke, o
partido mais votado designaria, como é normal, o ministro-presidente
e portanto é necessário aguardar pelos resultados concretos a obter
pelos dois partidos. Caso se confirme a hipótese de uma maioria
SPD-Die Linke, então se decidirá a questão da chefia do governo,
de acordo com os resultados relativos dos dois partidos. Em
princípio, o SPD terá uma votação sensivelmente mais elevada do
que o Die Linke, mas que não será suficiente para vencer sozinho a
CDU: a dúvida que existe é saber se a candidatura de Oskar
Lafontaine pelo Die Linke será capaz de fazer alterar esta situação.
Aguardam-se os resultados com alguma expectativa.
João
Alexandrino Fernandes
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* Dados
publicados por Wichard Woyke, „ Wahl zum Deutschen Bundestag", no
site da Bundeszentrale für politische Bildung, www.bpb.de.
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