Gaza: soldados israelitas confessam atrocidades criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
15-Jul-2009
A destruição indiscriminada provocou mais de 1400 mortos do lado palestiniano, a grande maioria civis"Disparar indiscriminadamente", "rebentar com casas e infra-estruturas", "não hesitar em matar inocentes", "não deixar nada de pé", "usar civis como escudos humanos", "uso de munições de fósforo branco contra a população civil", eis algumas das atrocidades cometidas em Gaza, reveladas na primeira pessoa por 26 soldados israelitas. Os depoimentos foram compilados pela organização Breaking the Silence, formada por veteranos de Israel, e são de arrepiar.  

Os soldados israleitas destacados para a Faixa de Gaza tinham ordens para disparar sem uma distinguir entre civis e combatentes leais ao Hamas. É esta a ideia comum aos depoimentos atribuídos a 14 operacionais e 12 soldados reservistas do Exército israelita.

Um dos soldados relatou: "Se não tiverem a certeza, matem. Avançámos e as explosões eram simplesmente loucas. A partir do momento em que chegámos ao ponto de partida, começámos simplesmente a disparar contra locais suspeitos. Na guerra urbana, qualquer pessoa é o nosso inimigo. Não há inocentes".

Uma das tácticas dava pelo nome de "procedimento de vizinho": as tropas israelitas obrigavam civis palestinianos a entrarem em edifícios suspeitos antes de um ataque, de forma a dar maior cobertura aos soldados.

Eis outros relatos: "Abrimos fogo e não fazemos perguntas". "Disseram-nos que devíamos arrasar toda a área envolvente". "O meu comandante disse-me, meio a rir, meio a sério, que essas demolições podiam acrescentar-se à sua lista de crimes de guerra". "Se algumas vez nos falaram de inocentes, foi para dizermos que não havia inocentes".

Outra das tácticas, com o nome de código "o dia seguinte", passava pela destruição sistemática e total de casas e infra-estruturas nas zonas próximas da linha de fronteira com Israel, criando-se assim as condições para futuras operações militares. Isto incluia disparos indiscriminados na direcção de tanques de água, numa altura em que a Faixa de Gaza se debatia com a escassez daquele bem essencial. É também referido o uso de munições de fósforo branco contra a população civil, uma prática abrangida por uma alegada estratégia de "destruição em massa que não estava relacionada com qualquer ameaça directa às forças israelitas".

A componente religiosa também desempenhou o seu papel. Distribuiram-se panfletos com o selo do exército pelos soldados que diziam coisas messiânicas e apocalípticas: "os palestinianos são alienígenas nesta terra", "esta é uma luta entre a luz e a obscuridade", "os palestinianos são os filhos da obscuridade e nós os filhos da luz".

A ofensiva terrestre de Israel na faixa de Gaza teve início a 27 de Dezembro de 2008, e terá provocado cerca de 1.417 mortos, entre os quais 926 civis. As Nações Unidas referem ainda a destruição de mais de 50 mil casas, 200 escolas, 800 propriedades industriais, 39 mesquitas e duas igrejas.

Os testemunhos anónimos - um homem identificado como sargento Amir é a única excepção - desfiados nas 112 páginas do relatório vão ao encontro das posições assumidas por múltiplas organizações de defesa dos Direitos Humanos, que acusam a engrenagem de guerra israelita de empregar, de forma sistemática e indiscriminada, um poder bélico de grande desproporção.

Na reacção ao relatório da Breaking the Silence, as Forças de Defesa de Israel, pela voz da tenente-coronel Avital Leibovich, desvalorizaram o seu conteúdo, considerando-o "boatos ou rumores". Por seu turno, o ministro israelita da Defesa, Ehud Barak, reage em sentido semelhante, descrevendo as tropas do país como "um dos exércitos mais morais do Mundo, que se comporta de acordo com o mais elevado código ético".


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