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Se só por si os quadros interactivos
ou separadamente os projectores multimédia que estão a invadir as
escolas, reforçado com o objectivo de um computador por sala de
aula, e ainda o portátil "Magalhães" que ocupou na integra o
Boletim dos Professores N.º 16, como instrumento de propaganda do
Ministério da Educação, fossem factor de estabilidade e de
condições fundamentais para trabalhar na escola, o sucesso estaria
garantido, tal é o investimento tecnológico do governo, que procura
nesta fase final da legislatura, impressionar as comunidades
escolares, com extraordinárias remessas de material informático que
chega ás escolas a um ritmo alucinante. Ao ponto de em alguns casos,
os novos equipamentos contribuírem mesmo para fazer realçar o
desfasamento entre a falta de condições das instalações e a
tecnologia colocada ao dispor dos alunos e professores. Mas não, não
é suficiente, nem mesmo decisivo e o tempo se encarregará de
demonstrar, pena será, caso se faça balanço (já que não se vem
fazendo ás sucessivas falhadas politicas da educação), que se
esteja a hipotecar o futuro da actual geração de estudantes.
Artigo do nosso leitor José Lopes
Pois não bastam todos estes novos
meios ao dispor do vazio de perspectivas, a componente humana, a
necessidade de valorização das pessoas era bem mais necessária e
estimulante, até para as aprendizagens e os consequentes resultados
sem artificialismos para as estatísticas. Bem pelo contrário, o
Ministério da Educação prefere profissionais sem motivação, sem
estímulo, sem perspectivas, sem estabilidade. Vai daí, como temos
assistido, torna este período de férias, no caso dos docentes, um
autêntico pesadelo, um dia a dia de ansiedade e tantas vezes de
desilusão e angústia.
Afinal os resultados dos concursos de
professores confirmam ser os piores de sempre. A manipulação de
números para fazer crer o que não é verdade, volta a repetir-se
nitidamente com o intuito de enganar a opinião pública, tal como já
anteriormente aconteceu com a "novela" da avaliação do
desempenho dos docentes, cuja continuação dos próximos capítulos
está pendente deste ano eleitoral.
A precariedade laboral que está a
agravar-se na escola pública, é tanto mais evidente, quando, dos
mais de 100 mil participantes no concurso, 50 mil são professores
precários, muitos há vários anos e outros que concorrem pela
primeira vez, dos quais apenas quatro centenas conseguiu um lugar no
Quadro.
O Ministério da Educação na sua
diferente interpretação da realidade, anunciou que, dos mais de 100
mil participantes no concurso de professores, válido para quatro
anos, foram colocados 30 mil professores.
Mas como as actuais gerações de
docentes ainda vão resistindo a deixarem de pensar e ter opinião,
só podem concluir, que analisando estes 30 mil, percebe-se que cerca
de 18 mil são professores que apenas pediram transferência de
Quadro de Escola, perto de 12 mil são docentes que estavam num
Quadro de Zona Pedagógica e entraram nos Quadros de Agrupamento e
apenas 417 dos candidatos precários obtiveram colocação nos
quadros.
Não conseguindo disfarçar a demagogia
dos números e o desrespeito cínico pelos professores, cujas
expectativas para este ano eram compreensivelmente maiores devido aos
milhares de professores que se aposentaram. Perante mais esta
afronta, que tranquilidade, que estabilidade para a escola pública e
seus profissionais, que respeito pelas comunidades escolares. Este é
o desafio que temos na véspera de mais um ano lectivo, que não
parece trazer grandes mensagens de paz.
José Lopes (Ovar)
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