O gesto insultuoso de Manuel Pinho na
Assembleia da República e a sua consequente demissão estão a
provocar reacções negativas entre as fileiras do Partido
Socialista, com o temor de que o incidente traga consequências
eleitorais desastrosas. "Espero que não tenhamos de levar com
esse gesto em cima", disse João Soares.
Para o ex-presidente da Câmara
Municipal de Lisboa, ouvido pela agência Lusa, a demissão de Pinho
era inevitável. "A vida pública e o Parlamento têm um
conjunto de regras, que não devem ser transpostas. Uma coisa é o
talento de Bordalo Pinheiro, que criou o Zé Povinho, outra coisa foi
aquela reacção de Manuel Pinho, que durante a campanha das
europeias já tinha sido infeliz ao sugerir ao líder parlamentar do
PSD, Paulo Rangel, que comesse papa Maizena", recordou João
Soares, para quem "apesar de sermos um país de tauromaquia", o
gesto de Manuel Pinho foi de mau gosto. "Agora só espero que o
Governo não seja julgado também por isto", acrescentou.
O deputado
socialista Ricardo Gonçalves lamentou o episódio, que considerou
vir contra a corrente do debate: "Estava tudo a correr bem e até
o nosso líder parlamentar conseguiu fazer um bom discurso. Só que a
investida de Manuel Pinho estragou tudo", disse, interrogando-se
se o PS e o governo não estão a ser vítimas de uma praga lançada
pelo ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, que escreveu que
"quando as coisas começam a correr mal a um Governo, tudo acontece
depois".
Para Paulo Pedroso, Manuel Pinho, "além
de se ter prejudicado a si próprio, prejudicou o país. O que
aconteceu terá seguramente um impacto simbólico, porque será
repetido como um exemplo de falta de respeito institucional e para
diminuir os titulares de cargos públicos e as pessoas associadas ao
PS", disse o candidato socialista a presidente da Câmara de
Almada.
Para o deputado Arons de Carvalho, tudo
"está mais difícil para o PS e para o governo".
"Por muito que se diga que a crise
é global, as pessoas sentem na pele os seus efeitos e tendem a
culpar quem está mais próximo: o governo português e não os
grandes financeiros norte-americanos", defendeu o ex-secretário
de Estado da Comunicação Social.
Já Manuel
Alegre considera que seria "estapafúrdio" se os resultados
eleitorais fossem marcados pelo incidente com o ministro da Economia.
"Os resultados eleitorais serão consequência da apreciação
que o povo português fizer das políticas, reformas e conteúdo",
disse Alegre à agência Lusa, acrescentando que "do ponto de
vista político e institucional, o incidente foi bem resolvido".
Van Zeller elogia Pinho
Na contra-corrente das críticas a
Manuel Pinho, levantou-se a voz de Francisco Van Zeller, presidente
da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), para quem Manuel
Pinho "faltou ao respeito ao Parlamento", mas Portugal fica-lhe a
dever muito. "Não se deve esquecer que ele atraiu muitos
investimentos para cá, foi ele que colocou Portugal no mapa das
energias renováveis e respeitadíssimo no mundo inteiro. Ele trouxe
para cá os investimentos grandes, como a linha da Madeira, as
petroquímicas, Sines, etc", afirmou.
Leia também:
Manuel Pinho demite-se após gesto insultuoso
» Sem Comentários
Não existem comentários disponíveis.
» Submeter Comentário
|