Gesto de Pinho suscita coro de lamentações no PS criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
03-Jul-2009
José Sócrates e Teixeira dos Santos durante o  debate do Estado da Nação, quando Santos Silva e Silva Pereira discutiam a demissão de Manuel Pinho. Foto LusaO gesto insultuoso de Manuel Pinho na Assembleia da República e a sua consequente demissão estão a provocar reacções negativas entre as fileiras do Partido Socialista, com o temor de que o incidente traga consequências eleitorais desastrosas. "Espero que não tenhamos de levar com esse gesto em cima", disse João Soares.

Para o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, ouvido pela agência Lusa, a demissão de Pinho era inevitável. "A vida pública e o Parlamento têm um conjunto de regras, que não devem ser transpostas. Uma coisa é o talento de Bordalo Pinheiro, que criou o Zé Povinho, outra coisa foi aquela reacção de Manuel Pinho, que durante a campanha das europeias já tinha sido infeliz ao sugerir ao líder parlamentar do PSD, Paulo Rangel, que comesse papa Maizena", recordou João Soares, para quem "apesar de sermos um país de tauromaquia", o gesto de Manuel Pinho foi de mau gosto. "Agora só espero que o Governo não seja julgado também por isto", acrescentou.

O deputado socialista Ricardo Gonçalves lamentou o episódio, que considerou vir contra a corrente do debate: "Estava tudo a correr bem e até o nosso líder parlamentar conseguiu fazer um bom discurso. Só que a investida de Manuel Pinho estragou tudo", disse, interrogando-se se o PS e o governo não estão a ser vítimas de uma praga lançada pelo ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, que escreveu que "quando as coisas começam a correr mal a um Governo, tudo acontece depois".

Para Paulo Pedroso, Manuel Pinho, "além de se ter prejudicado a si próprio, prejudicou o país. O que aconteceu terá seguramente um impacto simbólico, porque será repetido como um exemplo de falta de respeito institucional e para diminuir os titulares de cargos públicos e as pessoas associadas ao PS", disse o candidato socialista a presidente da Câmara de Almada.

Para o deputado Arons de Carvalho, tudo "está mais difícil para o PS e para o governo".

"Por muito que se diga que a crise é global, as pessoas sentem na pele os seus efeitos e tendem a culpar quem está mais próximo: o governo português e não os grandes financeiros norte-americanos", defendeu o ex-secretário de Estado da Comunicação Social.

Já Manuel Alegre considera que seria "estapafúrdio" se os resultados eleitorais fossem marcados pelo incidente com o ministro da Economia. "Os resultados eleitorais serão consequência da apreciação que o povo português fizer das políticas, reformas e conteúdo", disse Alegre à agência Lusa, acrescentando que "do ponto de vista político e institucional, o incidente foi bem resolvido".

Van Zeller elogia Pinho

Na contra-corrente das críticas a Manuel Pinho, levantou-se a voz de Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), para quem Manuel Pinho "faltou ao respeito ao Parlamento", mas Portugal fica-lhe a dever muito. "Não se deve esquecer que ele atraiu muitos investimentos para cá, foi ele que colocou Portugal no mapa das energias renováveis e respeitadíssimo no mundo inteiro. Ele trouxe para cá os investimentos grandes, como a linha da Madeira, as petroquímicas, Sines, etc", afirmou.

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Manuel Pinho demite-se após gesto insultuoso 

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