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Após uma década do início do ensaio
das Provas de Aferição, ainda que, com um percurso irregular e em
função das diferentes estratégias das equipas governamentais,
embora assumidas como que um imperativo nacional pelo actual
Ministério da Educação, não parece que estejam de facto a ser
usadas, como instrumento de medida de sucesso, se, se tiver em conta
a "tabela" pré-concebida pela actual política educativa.
Artigo do nosso leitor José Lopes,
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As contradições, relativamente ao
pseudo indicador de medida do sucesso, que a todo o custo e para as
estatísticas se quer incutir, são desmistificadas pelos próprios
alunos, que não tiveram dúvidas em afirmar, e não mentem, que
acharam as provas fáceis, sendo tão verdadeiros, ao ponto de haver
quem acrescente, que, só achou difícil a composição por não
gostar de ler.
A autêntica promoção do facilitismo
que vem caracterizando estas Provas de Aferição, transformadas em
jornadas de propaganda de sucesso imediatista, que segundo tais
instrumentos de medida estão a mudar virtualmente a realidade, são
tanto mais preocupantes, quando evidenciam diferente valorização
dos saberes, reduzindo excessivamente a matéria dada, como denunciam
associações e sindicatos de professores.
Este tipo de avaliação, condiciona
mesmo negativamente o processo de ensino e aprendizagem, dado que
pela sua própria natureza, não consegue avaliar a totalidade dos
conhecimentos e das competências que fazem parte do programa
obrigatório (Português e Matemática).
Para a realização destas Provas,
assumidas empenhadamente pelo Ministério, ao ponto do célebre
"manual" chegar a ridicularizar os docentes e impor medidas
rigorosas dentro e fora da sala de aula, foi preciso garantir as
condições logísticas e indispensáveis ao êxito dos dois dias em
que o país ficou com os olhos fixos na escola do sucesso, mesmo à
custa do sacrifício das aulas normais e das que contam, já que
implicou o destacamento dos professores "revisores" ou
"classificadores" e os "aplicadores" das Provas a quem era
até sugerido, "Não procure decorar as instruções ou
interpretá-la, mas antes lê-las exactamente como lhes são
apresentadas ao longo deste Manual". Só faltou mesmo um relógio
em cada sala de aula, como era indicado também no manual de
instruções.
Mas ao contrário das Provas de
Aferição que não contam para a nota, os testes que contam mesmo
para as avaliações por cada um dos três períodos lectivos, os
resultados que se debatem nos pedagógicos sobre as negativas nas
principais disciplinas e as estratégias diversificadas para
melhorar, as negativas ou positivas que resultam na progressão ou
retenção dos alunos. Estes Testes decisivos, estranhamente não
merecem no mínimo, algumas das condições logísticas básicas e de
valorização, relativamente ás Provas de Aferição que os alunos
têm consciência que não são determinantes, pese embora todo o
formalismo patético, como "Podem sair. Obrigado (a) pela vossa
colaboração!". Ora, se ironicamente a conclusão dos
especialistas, for de que os testes feitos em função da matéria
dada em sala de aula pelos professores, são os responsáveis pelos
números do insucesso, então o pretenso instrumento de medida,
impor-se-á com aparente rigor e métodos uniformizados, nivelando
por baixo o sucesso da educação, continuando a desacreditar a
escola pública e promovendo desde logo na adolescência a outra
grande aposta da governação de Sócrates, como são as Novas
Oportunidades.
José Lopes (Ovar)
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