Cidadãos dos vários movimentos que se envolveram na campanha pelo Sim à despenalização do aborto jantaram juntos na Cervejaria Trindade, em Lisboa, assinalando um ano após a vitória no referendo. "A interrupção voluntária da gravidez é um direito, informe-se" é o título do folheto apresentado pelos Médicos pela Escolha, pronto para ser distribuído em todo o país. No final, Maria José Alves, congratulou-se com os primeiros resultados da Lei mas lembrou que ela pode ser melhor aplicada, para diminuir ainda mais o aborto clandestino.
Representantes dos Médicos pela Escolha, do Movimento Cidadania e Responsabilidade, do Movimento Voto Sim, dos Jovens pelo Sim e do Em Movimento pelo Sim juntaram-se na Cervejaria Trindade para comemorar um ano passado sobre a vitória do Sim no referendo do aborto. Num ambiente calmo e descontraído, relembraram-se as lutas intensas e sublinharam-se os combates que ainda há pela frente.
A Associação Médicos Pela Escolha apresentou um folheto com todos os locais do país onde se podem realizar abortos a pedido da mulher, e com informação sobre as consultas prévias, o acompanhamento dado, os vários tipos de aborto e os métodos contraceptivos.
No final, Maria José Alves (Médicos pela Escolha) elogiou todos os médicos que se bateram pela implementação concreta da Lei, com "segurança, clareza e capacidade humana de ouvir e respeitar a autonomia de cada mulher", e congratulou-se com o facto de se ter abortado com mais dignidade e menos sofrimento.
Maria José Alves criticou também a desorientação do "Não" face aos números dos abortos realizados. "Se são muitos, acusam a lei de não ter trazido planeamento, se são poucos acusam-na de desnecessária. Mas a verdade é que sem a Lei não haveria números!". E frisou que seis meses não são suficientes para combater o aborto clandestino.
A médica que foi uma das figuras destacadas do Sim acrescentou ainda que só a generalização da informação pode diminuir ainda mais o aborto clandestino e que é necessário investir também na contracepção. Concluiu com uma crítica aos activistas do Não, que continuam a amedrontar as mulheres e a fazer do aborto um estigma social. "Cada vez que o Não lança os seus preconceitos empurra mais mulheres para o aborto clandestino".
Um ano da vitória do Sim: Movimentos apostam na informação
12 de fevereiro 2008 - 13:01
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