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Quem são os novos vereadores do Bloco?

O Bloco de Esquerda conquistou vereadores em cinco concelhos pela primeira vez. As novas caras do Bloco nessas vereações falam sobre o resultado e as perspetivas para o novo mandato. Fotos de Paulete Matos.

Armindo Silveira, vereador em Abrantes

Nestas eleições autárquicas, o Bloco elegeu quase metade dos seus vereadores no distrito de Santarém. Para além das reeleições em Salvaterra de Magos, Entroncamento e Torres Novas, também Abrantes passa a contar com a voz do Bloco na vereação do concelho. Uma “extraordinária subida”, diz o novo vereador Armindo Silveira ao Esquerda.net, que permitiu ao Bloco ultrapassar a CDU no concelho e ficar com o lugar na vereação que antes pertencia a esta coligação, para além de aumentar a representação na Assembleia Municipal para dois deputados e manter os três representantes eleitos nas freguesias.

Armindo Silveira tem 52 anos e desenvolve atividade comercial. Foi o único deputado municipal do Bloco no último mandato e é porta-voz da concelhia do partido. Também integra a distrital de Santarém, coordenando o grupo do Ambiente. A extensão do concelho e a desproporção de meios face às outras candidaturas tornaram esta campanha “duríssima”, diz o vereador recém-eleito. “Marcámos a agenda da campanha no ambiente, na educação, na saúde, na floresta e na preservação do património. Expusemos a falta de transparência, as ilegalidades, o compadrio e o clima de medo imposto pelo poder vigente. Nunca evitámos nenhum assunto tendo em conta o incómodo que nos poderia causar”, resume Armindo Silveira, destacando as duas freguesias em que o Bloco apresentou listas compostas “exclusivamente por independentes”.

«Expusemos a falta de transparência, as ilegalidades, o compadrio e o clima de medo imposto pelo poder vigente»

E agora?

Manter a ligação de todos os candidatos e ativistas da campanha ao Bloco é uma das tarefas essenciais a partir de agora, diz Armindo Silveira. O objetivo é procurar “fazer tudo para merecer a confiança e honrar os votos a nós confiados”. Quanto às áreas prioritárias da sua intervenção num executivo formado também por cinco vereadores do PS e um do PSD, elas estão definidas desde o início da campanha: “Ambiente, saúde, ordenamento do território, reabilitação urbana, juventude e cultura” são os temas que vão marcar o primeiro mandato do Bloco em Abrantes.

Carlos Patrão, vereador em Vila Franca de Xira

“À terceira, foi de vez”, diz o vereador recém-eleito do Bloco em Vila Franca de Xira, um concelho onde alcançou “um resultado histórico que nos andava a fugir há duas eleições”. O Bloco concorreu pela primeira vez a todas as freguesias do concelho, com uma campanha que foi crescendo e ficou marcada pela forte presença na rua e pela tónica nos graves problemas ambientais neste concelho que é “o mais industrial do distrito de Lisboa”. “Chegámos a estar em quatro ações de campanha em simultâneo, em quatro freguesias distintas”, recorda Carlos Patrão ao Esquerda.net.

O resultado foi a conquista de um vereador ao PSD, que desta vez concorreu coligado também com o CDS e fica, tal como o Bloco, com um representante no executivo. O PS continua com cinco vereadores e a CDU com quatro, o que obrigará os socialistas a procurar o apoio de mais um vereador para obter maioria. “A tradição do PS em Vila Franca de Xira é aliar-se ao PSD”, diz Carlos Patrão, adiantando que a possibilidade de qualquer acordo com Alberto Mesquita terá de assentar numa “base programática”.

«A tradição do PS em Vila Franca de Xira é aliar-se ao PSD»

E agora?

“Havendo acordo com base programática e meios e condições para podermos assumir um pelouro, não fugiremos às nossas responsabilidades”, afirma Carlos Patrão, o engenheiro eletrónico de 49 anos que foi deputado municipal ao longo do último mandato. Entre as principais prioridades para o mandato, o vereador destaca a resolução do “gigantesco passivo ambiental do concelho”, dotar a autarquia de meios para monitorizar a poluição no lugar das indústrias poluentes e da APA, o apoio às vítimas da Legionella e uma aposta em orientar o concelho para a vertente tecnológica, em vez do atual modelo “baseado em dormitórios, armazéns e grandes superfícies”. A transparência, a mobilidade e o combate à precariedade na autarquia são outros dos compromissos que terão expressão em propostas ao longo do mandato.   

 

Deolinda Martin, vereadora na Amadora

A par de Vila Franca de Xira, a Amadora foi outro dos concelhos limítrofes da capital onde as eleições de 1 de outubro significaram a estreia do Bloco na vereação. Um bom resultado, em que também “passámos a ter 3 deputados municipais e nas freguesias de Águas Livres e Mina de Água, as maiores, duplicámos a nossa representação”, afirmou ao Esquerda.net a nova vereadora, Deolinda Martin. Esta professora aposentada, que lecionou durante 38 anos nas escolas básicas do concelho, foi dirigente sindical do SPGL e da Fenprof, liderou a bancada do Bloco na Assembleia Municipal da Amadora no último mandato e integra a coordenação distrital bloquista em Lisboa. 

Deolinda Martin destaca “uma campanha combativa, que envolveu independentes que no passado integraram listas de cidadãos que elegeram para órgãos municipais e que viram no Bloco um espaço para construírem alternativa à governação atual da cidade”. No entanto, reconhece que ficou por atingir o objetivo de retirar a maioria absoluta ao PS, que mantém sete dos onze vereadores no executivo. A direita manteve os seus dois vereadores e a CDU foi a única formação a perder votos e mandatos, passando de dois para um vereador.

«Foi uma campanha combativa, que envolveu independentes que no passado integraram listas de cidadãos»

E agora?

A nova vereadora do Bloco acredita que a sua eleição irá permitir “a construção de partido para fora, abrindo-o para uma maior interação com as forças vivas da cidade, apresentação de propostas e de reforço de todo o trabalho autárquico no concelho”. O objetivo é procurar refletir ao longo do mandato os temas e preocupações que constituíram os eixos centrais da campanha: “a habitação, a mobilidade e a segurança, enquanto construção de cidade aberta e plural em contraponto à videovigilância”, resume Deolinda Martin.

Joana Mortágua, vereadora em Almada

A eleição em Almada foi uma das grandes surpresas da noite eleitoral, com a passagem da presidência da Câmara para o PS ao fim de quatro décadas de gestão liderada pelo PCP. O Bloco alcançou o objetivo de eleger a deputada Joana Mortágua para o executivo, que destacou ao Esquerda.net “o melhor resultado autárquico de sempre” o concelho, numa eleição em que o Bloco “duplicou a representação na Assembleia Municipal e na maioria das Uniões de Freguesia, triplicou os eleitos na União de Freguesias de Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas, e elegeu pela primeira vez um autarca de Freguesia na Costa de Caparica”.

A nova configuração do executivo, com quatro vereadores para o PS (ganhou um) e a CDU (perdeu dois), dois para o PSD e a entrada do Bloco na vereação, faz antever dificuldades para a obtenção de uma maioria. Caso a CDU opte por passar à oposição, a nova presidente Inês de Medeiros precisará do apoio dos vereadores da direita para governar. “O Bloco de Esquerda não deixará de contribuir para maiorias à esquerda que façam avançar os direitos e a qualidade de vida das populações de Almada”, diz Joana Mortágua acerca do “novo ciclo autárquico em Almada” aberto nas eleições de 1 de outubro.

«O Bloco de Esquerda não deixará de contribuir para maiorias à esquerda que façam avançar os direitos e a qualidade de vida das populações de Almada»

E agora?

Quanto às prioridades do mandato, a nova vereadora bloquista reafirma os três eixos centrais da campanha, destacando a mobilidade, com a criação de um sistema público de transportes, “acabando com o negócio dos TST e o modelo das Parcerias Público Privadas” e criando “soluções de mobilidade suave”. Outra das prioridades passa por “criar políticas públicas de habitação para resolver definitivamente o problema dos bairros de barracas que ainda existem em Almada” e resolver os problemas de qualidade da habitação pública, “em particular o parque habitacional do município, que está ao abandono”, destaca Joana Mortágua, prometendo ainda estar atenta, no capítulo da requalificação do território, ao que se irá passar com “o plano Almada Nascente, criado para os terrenos da Lisnave”.

Ricardo Robles, vereador em Lisboa

Na noite eleitoral, a par da subida alcançada pelo Bloco em votos e mandatos autárquicos, foi especialmente saudado o atingir do objetivo da eleição de um vereador do Bloco em Lisboa, ao fim de dez anos após a eleição e posterior rotura com o movimento do vereador independente Sá Fernandes, que desde então integra as listas do PS. Tal como em 2007, esta eleição ditou a falta de um vereador para que o PS consiga governar o concelho sustentado por uma maioria no executivo. Em declarações ao esquerda.net, Ricardo Robles destaca os “três objetivos atingidos pelo Bloco em Lisboa: reforçar a votação, eleger um vereador e retirar a maioria absoluta ao PS”.

“Há um quarto resultado muito positivo: o envolvimento de centenas de ativistas em Lisboa, muitos deles independentes, que se mobilizaram nesta campanha e que estão motivados para continuar a participar e a contribuir para uma viragem política na cidade”, sublinha o engenheiro civil de 40 anos que liderou a bancada municipal do Bloco e coordena a sua comissão concelhia.

«Estamos empenhados numa viragem política
à esquerda na cidade»

E agora?

Após uma eleição em que o PS perdeu três vereadores (dois para o CDS e um para o Bloco) Fernando Medina deverá encetar negociações com os vereadores à sua esquerda para conseguir uma maioria no executivo. Da parte do Bloco de Esquerda, diz Ricardo Robles, a disponibilidade é a mesma que foi enunciada ao longo da campanha eleitoral: “Estamos empenhados numa viragem política à esquerda na cidade” que dê prioridade à habitação e aos transportes e que “assuma a transparência como um pilar na gestão de Lisboa”.

Comentários

Parabéns a todo o Pessoal do Bloco (eu incluído, como é obvio) e em especial a todos os que foram eleitos para as Autarquias. Para a Joana desejo-lhe coragem, pois irá ter talvez trabalho a dobrar. Abraços e beijinhos.

Parabéns pela eleição de membros para a vereação, deputados municipais e membros para as freguesias. Este concelho está em estado vegetativo o PS ao longo destes anos tem dado cabo das boas coisas feitas antes de estes senhores andarem por aí. O B.E. tem muito apoio noutras freguesias é preciso ter cuidado por saber com se fala dou como exemplo na SFRAA há muita gente farta desta pouca vergonha e gente conhecida a nível de concelho como nacional. Estou disponível vamos melhorar as condições de vida dos cidadãos deste concelho e do país.

Para uma blooquista ab initio , os resultados agora obtidos pelo esforço e qualidades humanas de tantos camaradas não pode deixar de emocionar-me. A cidade de Pombal também concorreu e elegeu à AM. Numa terra tão «complexada » como
esta, pode dizer-se que foi uma lança em Àfrica ! A Célia Cavalheiro com UM lugar na AM merecia um destaque , assim como quem se meteu ao barulho. Daqui a 4 nos sem ser a Pitonis de delfos, prevejo avanços surpresa , porque entretanto
o Bloco não vai baixar os braços. Parabéns a todos !

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