PS, PSD e CDS chumbaram hoje na AR as propostas do Bloco de Esquerda para a criação de um mecanismo de controlo dos preços dos combustíveis. O projecto de lei do Bloco tinha como objectivo abolir a liberalização e instituir um mecanismo antiespeculativo de formação de preços. "A liberalização é a garantia do controlo do monopólio pelas empresas, é aceitar que sejam empresas com poder total no mercado a regular", acusou Francisco Louçã.
{youtube}2yYIwf1aCZc{/youtube}Para o deputado do Bloco, "a liberalização não resultou", e é "necessário introduzir regras para acabar com a especulação". Louçã lembrou que "esta semana, o petróleo está a 66 dólares o barril. Já esteve em Julho deste ano duas vezes e meia mais caro. E os portugueses podem-se perguntar se houve alguma alteração no preço do combustível que por sombras se aproximasse da alteração do preço do barril do petróleo. E a resposta é categoricamente que não." Por dia, afirma o deputado, as petrolíferas podem ganhar um milhão de euros com esta diferença.
A direita voltou a fazer uma profissão de fé no mercado ao criticar a proposta bloquista: "Nós acreditamos no mercado, mesmo em plena crise financeira. Só o mercado livre pode favorecer os consumidores", defendeu o deputado Miguel Almeida, do PSD.
O CDS considerou que o projecto é "uma cedência fácil à demagogia".
Já o PS considerou que a Bélgica, o "único país da União Europeia" que adoptou a medida proposta pelo Bloco, "apresentou várias vezes preços mais elevados do que em Portugal nos combustíveis, antes e depois da liberalização".
O PCP, que votou a favor, disse que a Autoridade da Concorrência é o elemento central no problema da subida dos combustíveis.