HAMAS E FATAH ESTÃO A CONSTITUIR GOVERNO DE UNIDADE NACIONAL
O presidente palestiniano Mahmoud Abbas anunciou ontem que Ismaïl Haniyeh será reconduzido no cargo de primeiro-ministro do governo de unidade nacional que está a ser constituído entre o Hamas e a Fatah. O governo de unidade é o resultado do acordo a que chegaram todas as organizações palestinianas, à excepção da Jihad islâmica, na passada Segunda-feira.
O acordo tem por base o chamado texto dos prisioneiros. Em 11 de Maio de 2006 prisioneiros palestinianos detidos em Israel publicaram no diário "Al-Qods" uma plataforma de unidade nacional em 18 pontos (que pode ser consultada nesta tradução em francês). O texto foi assinado por Marwan Barghouthi da Fatah, Abdulkhalq An-Natshah do Hamas, Bassam As-Sadi da Jihad Islamique e Abdurrahim Mallouh da FPLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina).
As negociações decorriam há meses e as organizações palestinianas já tinha dado um primeiro passo em 27 de Junho, tendo agora dado o passo decisivo no acordo para a constituição de um governo de unidade nacional. O acordo garante o "respeito da legalidade árabe e internacional sobre o conflito israelo-palestiniano", sem mencionar os acordos de Oslo que o Hamas sempre rejeitou. Garante também o respeito pelos acordos assinados anteriormente pela OLP e reconhece, implicitamente, a existência do estado de Israel.
O governo terá como primeiro-ministro Ismaïl Haniyeh do Hamas devendo haver um vice-primeiro ministro da Fatah. O Hamas deverá garantir as pastas dos assuntos sociais e a Fatah ficará provavelmente com os ministérios do interior, dos negócios estrangeiros e das finanças.
Os palestinianos esperam que este acordo e a constituição do governo de unidade nacional sejam bem recebidos pela comunidade internacional e permitam que a União Europeia restabeleça as ajudas à Palestina.
A presidência finlandesa considerou o acordo de 2ª feira "um passo positivo" e o presidente francês sublinhou a "urgência de retomar o diálogo" entre palestinianos e israelitas.